Calor, falta de higiene e alimentos mal acondicionados podem levar a uma infecção gastrointestinal, a chamada gastroenterite. Médicos afirmam que nos últimos dias aconteceram surtos da doença na Grande Vitória.
Segundo especialistas, cerca de 80% a 90% dos atendimentos em prontos-socorros são por causa da doença, que leva a enjoos, vômitos, diarreia – que pode causar desidratação –, febre, dores abdominais, calafrios e perda de apetite.
O gastroenterologista do Hospital Unimed, Oswaldo Pavan, contou que a doença inflamatória pode ocorrer devido a bactérias ou a vírus, principalmente no verão. “É comum haver surtos da doença porque, com a temperatura alta
e a má conservação dos alimentos, aliada à falta de higiene, principalmente na manipulação de alimentos em praias, as bactérias podem se proliferar facilmente”, explica.
Pavan ressaltou que, com a aglomeração de pessoas, o problema, quando é causado pelo rotavírus, pode aumentar, sobretudo em crianças. “Pode ser transmitida como a transmissão da gripe, através das mãos, sem a devida higiene.”
O cirurgião geral e gastroenterologista Edson Loureiro ressaltou que é preciso saber a procedência dos alimentos.
“Deve-se ter cuidado com água contaminada e com alimentos que se deterioram mais rapidamente com o forte calor, como comidas cruas – ostras, por exemplo. Mas se a pessoa tem os sintomas e não está vomitando, pode tentar se hidratar em casa”, orienta.
O cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Metropolitano João Siqueira Neto explicou que um alimento que dura uma semana na geladeira, no verão e ao sol, pode estragar em poucas horas. “Nas praias, há vendedores que
mantêm os alimentos expostos ao sol e calor, que manipulam o produto e também o dinheiro, sem lavar as mãos, o que aumenta o risco da doença. Nessa época, a grande maioria dos prontos-socorros pelo litoral são de atendimentos de gastroenterite, cerca de 80 a 90%.”
O gastroenterologista João Evangelista Teixeira alertou ainda sobre o uso maionese na comida. “Ela é a vedete dessa doença, pois estraga rapidamente. Vale lembrar que, ao cozinhar os alimentos, pode-se matar a bactéria.
Mas se houver a toxina que a bactéria produziu, ainda assim a pessoa vai passar mal. Opte por alimentos naturais, como coco, milho, frutas e sucos”, aconselha.