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Gratidão

“Gratidão por ele tentar salvar meu filho será eterna” diz mãe de PM morto por covid

A cozinheira Júlia de Souza agradeceu ao médico que cuidou do filho dela, um soldado da PM morto por covid-19

“Gratidão por ele tentar salvar meu filho será eterna” diz mãe de PM morto por covid

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Ser grato  em momentos difíceis da vida não é uma tarefa  fácil, principalmente naqueles em que você precisa lidar com grandes perdas, como aconteceu com a cozinheira Júlia de Souza Zanon Venturin Ronconi, 51 anos.

 Após um ano e meio da morte do filho, o  soldado da Polícia Militar Jean  Zanon Venturim Ronconi, 29 anos, vítima de covid-19,  a cozinheira decidiu voltar ao hospital onde o militar morreu  para homenagear um dos médicos que cuidou do rapaz.

O objetivo era agradecer ao cirurgião geral e médico da UTI covid-19, Thales Mendes, e toda equipe do Hospital Jayme dos Santos Neves, na Serra,  pelo tratamento e  dedicação prestados a seu filho enquanto ele lutava pela vida. 

Muito emocionada e cheia de gratidão, ela compareceu ao local,  na manhã da última segunda-feira, segurando um bolo e vários doces, que foram entregues a uma equipe do hospital. 

Após o reencontro, ela falou  com a reportagem de A Tribuna que estava muito emocionada. 

“Dei um bolo que eu fiz com muito carinho para ele. E para a equipe levei brigadeiros. Eu precisava fazer isso. Sentia essa vontade no meu coração. Minha gratidão por ele tentar salvar meu filho será eterna”, disse a cozinheira. 

A homenagem para a equipe vem em um momento de muito trabalho e de quase esgotamento, após quase dois anos de pandemia. 

A palavra que perdurou nesse período de um ano e seis meses na cabeça da cozinheira e que justificou sua homenagem ao médico foi a mesma usada por ele para agradecer a atitude de Júlia de Souza. 

“A palavra é gratidão. Me sinto honrado em receber essa homenagem e, principalmente, o carinho dessa família. Significa que eles reconhecem o esforço da equipe e a nossa dedicação. O desfecho não foi o que sonhávamos, mas, junto da família temos a certeza do dever cumprido”, disse o médico emocionado.

Soldado 

O soldado da PM, Jean  Zanon Venturim Ronconi,  foi o primeiro militar vítima de covid-19 do Espírito Santo. Ele ficou internado 14 dias na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Jayme, mas  não resistiu à doença.

“O médico me acalentou na dor”

Desde a  morte do filho, o soldado da Polícia Militar Jean  Zanon Venturim Ronconi, 29 anos, vítima de covid-19, Júlia de Souza Zanon Venturin Ronconi, 51 anos, carrega no coração, além da imensa saudade, um outro sentimento: o da gratidão por aqueles profissionais que cuidaram do rapaz quando ele lutou pela vida. 

“Principalmente pelo médico que cuidou dele. Na época, ele me deu muita força”, disse a cozinheira, que conversou com a reportagem de A Tribuna e contou como estão os dias sem  a presença do filho.

A Tribuna – Como  tem vivido sem o seu filho?

Júlia de souza – A gente está  vivendo um dia de cada vez, com muita cautela. A saudade é  muito grande, por  parte de pai, irmã, esposa, de mim. Foi uma perda muito grande, um dia a gente está bem, um dia a gente chora, ri, ficando só nas lembranças, mas crendo que Deus está no controle de tudo e de todas as situações.

A partida dele deixou muitas lições?

A gente vai aprendendo todo dia. Hoje, por exemplo, eu acho que nada mais me assusta. Mas aprendemos a dar mais valor às pessoas que amamos. 

O que tem sido mais difícil?

É  a saudade. Tem hora que bate o desespero e eu chego a pensar em ir ao hospital para ver se ele está lá ainda. Porque eu não tive a oportunidade de me despedir por conta da doença mesmo.

Vocês ficaram mais rígidos em relação às medidas sanitárias depois do ocorrido?

Sim, sem dúvidas. Nós já éramos antes, mas depois do que vivemos, nos tornamos ainda mais. 

Por que decidiu agradecer  ao médico Thales Mendes que cuidou do seu filho?

Em uma pandemia, onde a gente não podia se aproximar de ninguém, o médico me acalentou na dor. Foi especial para mim em um momento difícil. Foi muito gratificante ter voltado lá, ter feito essa homenagem para ele. 

Uma pessoa que não é parente, não é  nada seu e que fez o impossível para cuidar do meu filho, não tenho nem palavras. Minha gratidão por ele será eterna.

Como foi seu reencontro com o médico que cuidou do seu filho?

Eu me emocionei muito. Senti muita vontade de chorar, mas me segurei. Ele (médico) me reconheceu. Disse que a questão do Jean foi muito marcante  para ele, porque  meu filho era muito novo e acabou não resistindo à doença.

E agora, qual a mensagem que fica depois desses quase dois anos sem seu filho?

A pandemia não acabou. Perder alguém da família, que você ama, não é fácil. Eu não desejo que ninguém perca seu filho, porque é muito sofrimento.  

Eu não me sinto revoltada, porque a gente conhece Deus e sabe que é ele quem decide. Eu tenho muito a agradecer à medicina e dizer a toda equipe que cuidou do meu filho que eu sou eternamente grata a eles também. Que Deus proteja a todos.

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