Minutos antes de serem mortos, os soldados Bruno Mayer Ferrani e Paulo Eduardo Oliveira Celini combateram a violência e evitaram um assalto a quatro vítimas, entre elas uma grávida de seis meses, na rodovia Leste-Oeste, em Cariacica.
Quebrando o silêncio desde o último domingo (16), a grávida, que tem 20 anos e trabalha na área de estética, conversou com a reportagem nesta terça-feira (18) e falou do drama vivido.
A Tribuna – O que aconteceu naquela noite?
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Grávida – Eu e meus amigos estávamos saindo de uma festa. No trajeto, os meninos estavam falando muito alto eu acabei perdendo o controle em uma curva, bati a roda, que empenou, e o carro não quis mais andar.
Nisso, eu vi aquele carro branco (com os criminosos) na nossa frente parado. Eles (dois casais) nos observavam. Meus amigos saíram para ver o estrago. Nisso, saiu um casal do carro. Inicialmente, simularam que iriam oferecer ajuda, mas logo depois anunciaram o assalto. Eles estavam armados e começaram a agredir a gente.
– Como foram as agressões?
Foram coronhadas na cabeça, no corpo todo. A mulher era a mais nervosa. Como estou grávida eu fiquei com muita dor no pé da barriga e de cabeça devido à agressão. O sangue escorria pelo meu corpo. Um dos meus colegas levou um tiro de raspão na cabeça e foi socorrido.
– Eles não perceberam que você estava grávida?
Os meninos falaram, gritaram, mas eles não ligaram.
– Em que momento os dois soldados chegaram na cena?
Uma viatura passava, eu saí do carro e acenei, dizendo que era um assalto. Nesse momento, os criminosos estavam voltando para o carro deles, um Fox, enquanto a mulher gritava ‘olha os polícia’. Foi aí que começou a perseguição.
– O que sentiu naquela hora?
Na hora do choque eu só pensava em entregar o que eles pediam: celular e a chave do carro. Depois eu chorei muito, estava em pânico, mas fiquei agradecendo a Deus por ter enviado aqueles dois anjos. Eles foram dois anjos enviados por Deus.
– Se pudesse, qual mensagem diria para os dois PMs mortos?
Eu agradeceria por tudo, principalmente por estarem nessa profissão, que é perigosa, não é valorizada. Se pudesse, eu diria que sou muito grata a eles para o resto da minha vida. Eles nos salvaram. São os nossos verdadeiros heróis.
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