O isolamento social causado pela pandemia reduziu a poluição e fez melhorar a qualidade do ar na Grande Vitória. A conclusão é de um estudo realizado pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).
O relatório, divulgado nesta quinta-feira (18), apontou que a atmosfera da região metropolitana registrou uma queda no índice de poluentes que estão diretamente ligados à circulação de veículos e à produção industrial.
A maior redução foi no monóxido de nitrogênio (NO), que teve queda de 65% durante o período de isolamento social. O gás solúvel é bastante emitido pela indústria metalúrgica e mineradora, mas também tem contribuição veicular.

O estudo foi realizado na estação de monitoramento da Enseada do Suá, na capital, local estrategicamente escolhido por estar na região central da Grande Vitória e por ser impactado por fontes de emissão veicular e da indústria.
Os poluentes foram registrados entre os dias 24 de março e 30 de abril, sendo comparados com o mesmo período de 2019.
Outro poluente, o monóxido de carbono (CO), teve redução de 34%. Já o dióxido de nitrogênio (NO2) reduziu em 24%, enquanto as partículas inaláveis MP10 tiveram queda de 23%.
“Um resultado importante verificado foi uma menor variabilidade dos dados, demonstrando que a diminuição na circulação de veículos resultou em menos concentração de poluentes nos horários de pico”, afirmou Barcellos.
O único aumento no período analisado foi o do dióxido de enxofre (SO2), que cresceu 31%. O relatório do Iema, no entanto, afirmou que os valores medidos são baixos, não sendo possível afirmar sobre a diferença da concentração deste poluente.
Responsável pelo estudo, o órgão do governo do Estado tem a gestão da Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar da Grande Vitória.
A rede é formada por nove estações automáticas e 10 pontos de coleta manual para acompanhar os impactos das atividades antrópicas no ar da região metropolitana.
O relatório foi intitulado como “Avaliação dos Efeitos das Medidas de Afastamento Social sobre a Qualidade do Ar na Região da Grande Vitória”. O estudo foi feito especificamente para monitorar como ficou a qualidade do ar durante o isolamento.
“As medidas para o isolamento social não tiveram como objetivo melhorar a qualidade do ar, mas criou uma oportunidade única para avaliar as condições nessa circunstância”, destacou Barcellos.