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“João de Deus abusou sexualmente de mim durante consulta em Vitória”, diz capixaba

Toda vez que vê a foto do médium João de Deus, de 76 anos, ela chora. Antes de conceder a entrevista, sofreu crise de ansiedade. E com vergonha do ...

Dona de casa diz que o médium merece a pena de morte

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Moradora de Cariacica conta que, quando tinha 13 anos, João de Deus colocou a mão em seus seios durante uma consulta em Vitória (Foto: Dayana Souza / AT - 12/12/2018)

Toda vez que vê a foto do médium João de Deus, de 76 anos, ela chora. Antes de conceder a entrevista, sofreu crise de ansiedade. E com vergonha do abuso sexual que narra ter sofrido, pediu para não ter o rosto mostrado, nem o nome revelado.

Aos 48 anos de idade, uma dona de casa de Cariacica é mais uma mulher que se diz vítima dos supostos abusos sexuais que cercam o médium João de Deus.

Já são cerca de 200 denúncias de mulheres que narram terem sido vítimas de abusos sexuais dele. O Ministério Público, de estados como São Paulo, Goiás e Espírito Santo, chegou a montar uma força-tarefa para colher depoimentos. Já há um caso registrado no Estado.

Na busca por curar uma forte dor nos rins, a dona de casa acabou numa sala com João de Deus durante uma das vindas dele a Vitória. De lá, não saiu curada. Pelo contrário, deixou a sala correndo, com mais marcas do que quando entrou: “João de Deus colocou a mão nos meus seios e dizia para eu me entregar”.

Espírita, o médium ganhou fama no País após relatos de curas como de câncer de próstata e esclerose múltipla. Não à toa, milhares de pessoas o procuram semanalmente numa casa em Goiás. Mas a capixaba tem uma história bem diferente das de curas inacreditáveis para contar.

Dona de casa  diz que o médium merece a pena de morte (Foto: Dayana Souza / AT - 12/12/2018)

Confira a entrevista com a capixaba

A TRIBUNA – Como você encontrou João de Deus?
DONA DE CASA – Tinha 13 anos quando tudo aconteceu. Sofria de pedras nos rins. Tinha muitas dores e era constantemente internada em hospitais. Eu precisava de cura! Minha mãe foi comigo na Santa Casa de Misericórdia em Vitória para marcar consulta.
No caminho, minha mãe viu muita gente concentrada, numa roda. E curiosa, parou, para ver o que estava acontecendo. Lá, vimos o João de Deus. Estavam vendendo uma espécie de patuá. Quem comprasse, ganhava uma consulta espiritual de graça. Minha mãe, então, comprou.

E “ganhou” a consulta?
Sim. Fomos para uma sala no Centro de Vitória, perto da Vila Rubim. Era como um escritório normal, com mesa. E tinha um quarto. Ele disse que a consulta era particular, então entramos só ele e eu no quarto. Minha mãe ficou do lado de fora porque ele pediu.

Como foi a consulta?
Ele me mandou sentar. Eu obedeci. Ele disse então para eu ficar de pé e de costas para ele. Eu fiquei. Ele então começou a pegar nos meus seios, por trás de mim, e falar: “Se entrega! Se entrega!”. E continuava passando a mão em mim. Eu falei que se ele não parasse, eu ia gritar. E ele continuava: “Se entrega!”. Ele começou a me apertar mais. Eu tinha uns 56 quilos na época. João de Deus abusou de mim durante a consulta.

E o que você fez?
Minha mãe me escutou falando alto e bateu na porta da sala. Ela perguntou o que estava acontecendo. Eu saí de lá, fiquei apavorada, e naquele instante eu não contei para ela o que aconteceu. Só na rua que eu revelei. Ela não fez nada. Só queria sair dali comigo.

Sua mãe procurou a polícia?
Na época, não. Havia muita vergonha dos comentários que as pessoas pudessem fazer de mim.

E por que agora você decidiu falar com a reportagem?
Há dias minha mãe estava assistindo televisão de madrugada e viu as outras vítimas decidindo denunciar na televisão. Na hora que ela bateu o olho na cara dele, lembrou e então me ligou e perguntou se eu tinha visto.

Vai até a polícia agora?
Vou à polícia amanhã (hoje) com minha mãe. Isso vai ajudar a evitar que outras mulheres passem pelo que eu passei. Porque assim vai ser menos um abusador.

O que mudou com os depoimentos na TV?
Eu senti mais coragem. Até então, eu guardava tudo para mim por causa da vergonha.

Você está chorando…
É uma tristeza grande no coração. É muito triste passar por isso. Ele usa da dor da gente e a religião dele para abusar dos corpos.

O advogado do João de Deus disse que ele rechaça as acusações e recebeu os relatos com muita indignação.
Mas são muitas mulheres. E todas as histórias são parecidas. E tudo que eu via, nas reportagens, era como na minha história: colocando as mulheres de costas para ele. Assim aconteceu comigo.

Se encontrasse com ele novamente, o que falaria?
(Chora). Ele é um lixo. Fiquei com medo de chegar perto de qualquer homem depois disso.

O que acha que ele merece?
Ele merece a pena de morte, porque cadeia não resolve.

E qual recado daria a outras mulheres?
Peço que essas mulheres também denunciem. Eu sei que é difícil passar e falar sobre isso, mas é o que necessário para que se faça Justiça contra ele.

A reportagem completa você acompanha no Jornal A Tribuna desta quarta-feira (12).

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