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Um turbilhão de emoções que gera abalos fora do normal. Esse é o panorama de crianças e adolescentes após dois anos de pandemia, na visão do psicopedagogo Cláudio Miranda.
O especialista afirma que os alunos já não são mais os mesmos e nem voltarão a ser. Com isso, caberá às escolas e famílias traçarem novas estratégias para compreender todos esses sentimentos e buscar um equilíbrio.
“O tempo de reclusão e afastamento foi um importante desencadeador dos problemas que vemos acontecer nas escolas. É como se alguns alunos tivessem ‘desaprendido’ as estratégias de relacionamento social”.
Agora, cada aluno necessitará de um tempo diferente para reaprender as formas mais saudáveis e equilibradas de relacionamento. Para Cláudio, nunca foi tão importante colocar a atenção na saúde mental de alunos e professores.
“Estamos lidando com um turbilhão de emoções que precisam ser compreendidas e encaminhadas de forma mais harmônica. O emocional dos alunos está abalado e fora do normal. Se antes a depressão e o estresse estavam aumentando, agora esse problema atinge um nível ainda mais preocupante. E não dá para voltar ao normal de antes da pandemia trabalhando conteúdos escolares da mesma forma”.
O psicopedagogo ressalta que é preciso desenvolver formas de manifestações e interações grupais. “O teatro, a música, a dança, o canto, os jogos e brincadeiras poderiam ser usados mais intensamente no ambiente escolar”.
A doutora em educação Edna Tavares lembra que, durante a pandemia, as escolas desenvolveram conteúdos básicos, mas no retorno, os conteúdos foram sequenciados, o que pode causar desinteresse. Isso porque muitos não tiveram a base do tema proposto e se sentem dispersos por não acompanhar.
“Cabe aos professores e escolas usar avaliações diagnósticas com frequência e, se necessário, montar um plano de ensino emergencial. E também propor aulas e ações que levem esses alunos a perceber a escola como um ambiente atrativo, vivo e com sentido”.
Aos pais, observa Edna, é fundamental identificar e respeitar o ritmo dos filhos. “Escola e família devem se comunicar, pois serão importantes na readaptação”.
O QUE PODE SER FEITO
Escolas
- Contar com profissionais de saúde mental para executar iniciativas preventivas e trabalhar ações para o desenvolvimento socioemocional dos alunos.
- Traçar um plano terapêutico de ajuda juntamente com a sua proposta pedagógica.
- Desenvolver dinâmicas e formas de manifestações e interações grupais, com teatro, música, dança, canto e jogos.
- Usar avaliações diagnósticas com frequência para saber o atual estágio de conhecimento do aluno. Se necessário, montar um plano de ensino emergencial, que dê suporte nos conteúdos anteriores e atuais.
- Propor aulas e momentos que levem os alunos a ver a escola como um ambiente atrativo, vivo, com sentido, e onde se sintam acolhidos.
- Proporcionar momentos de fala e escuta, com dinâmicas ou de forma individual, dependendo do caso.
- Criar planos de convivência e protocolos diante de situações de violação, bem como campanhas educativas que abordem temas como bullying, exclusão e cultura do cancelamento.
Famílias
- Observar, identificar e respeitar o ritmo dos alunos.
- Estabelecer uma rotina de estudo diária, com horários específicos para a dedicação dos filhos.
- Criar um ambiente propício para o estudo.
- Se comunicar com a escola, pois serão agentes importantes na readaptação, cooperando para uma intervenção estratégica nos problemas.
- Fazer intervenções e conversas para estabelecer limites no uso desenfreado do aparelho celular.
- Buscar ajuda especializada de psicólogo quando necessário.
Fonte: Especialistas consultados.