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Uma pesquisa mostrou um crescimento na população que toma remédios por conta própria. Diante disso, médicos alertam para os riscos do consumo exagerado de medicamentos.
O estudo publicado no mês passado e realizado pelo Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico (ICTQ), em parceira com o Datafolha, mostrou que a automedicação é maior entre pessoas com idades que vão de 16 a 34 anos.
Além disso, nessa faixa etária, 95% consomem remédios sem consultar um profissional de saúde. No geral, 89% dos brasileiros afirmam que se automedicam. Em 2014, eram 76%.
Segundo o PhD em Farmacologia Thiago de Melo Costa Pereira, que integra o ICTQ, muitos desses jovens têm utilizado sites de buscas para pesquisar sobre quais medicamentos usar, justamente pela facilidade. Mas ele destaca que os meios online não podem ser a única fonte de informação sobre os remédios.
“Cada farmácia deveria funcionar como estabelecimento de saúde, e os farmacêuticos deveriam ser prestadores de serviço quanto ao uso de medicamentos. E não apenas entregar as caixas de remédios. Mesmo sem receita, a pessoa que adquire tem o direito de ser orientado”, afirma.
O especialista lembra que nas farmácias são expostos, em locais estratégicos, remédios que contêm, por exemplo, ácido acetilsalicílico, popularmente chamado de aspirina, se tornando convidativos. E alguns deles podem provocar sequelas a longo prazo.
“Medicamentos como aspirina, famoso por ser indicado a se tomar antes e depois de ingerir bebidas alcoólicas, causam lesões no estômago. É uma das clássicas interações absurdas que a população aceita como algo seguro”, diz.
O otorrinolaringologista Bruno Caliman afirma que a automedicação, a exemplo dos descongestionantes nasais, pode esconder a real condição do paciente, retardando o diagnóstico, o que potencializa o agravamento da doença. “O paciente pode ter até mesmo pressão alta, que é muito grave, ter perda de olfato, ou obstrução nasal crônica”, detalha.
O médico cirurgião do aparelho digestivo, Felipe Mustafa, afirma que essa prática é um perigo. “Ocasiona problemas renais, hepaticos e até pode levar a pessoa à morte, se for uma medicação mais severa ou numa dosagem alta”.