Do que o amor é capaz? Essa pergunta tem um significado especial para o conferente Cleiton Silva Santos, de 38 anos, e para sua companheira, Renata Souza, 35.
Ele, paciente renal na fila do transplante. Ela, técnica de enfermagem responsável pela primeira hemodiálise do agora namorado Cleiton. “Me apaixonei por ele durante o tratamento e tenho tanto amor que agora vou doar meu rim para salvá-lo”.
Há sete anos, o casal se conheceu, logo que Cleiton iniciou o tratamento. Porém, os dois estão juntos há menos de dois anos.
“Quando ele iniciou a hemodiálise, era uma pessoa fechada, não tinha expectativa de vida e nem tomava os remédios de forma correta. Ele estava triste”, contou Renata.
O conferente, que nasceu com uma inflamação nos rins, apesar da doença, até os 29 anos levava uma vida normal. Porém, em 2012, passou mal no serviço e foi diagnosticado com insuficiência renal crônica.
“Meus rins não funcionavam mais, sendo necessário iniciar a hemodiálise, que realizo três vezes na semana”, relata Cleiton.
Vendo o sofrimento do namorado, a técnica de enfermagem sentiu o desejo de ajudar. “Eu via ele e outra paciente sofrendo e falava que queria ser doadora de um deles. Cleiton falava que queria voltar a jogar bola, beber água e aquilo foi me comovendo”, relembra.
Impulsionada pela vontade de ver Cleiton bem e feliz, Renata decidiu fazer os exames e, para a alegria, do casal, os dois eram compatíveis. “Ele ficou assustado com a minha decisão. Mesmo com medo, eu sempre acreditei que era compatível e nunca perdi a fé. Me mantive confiante para ajudá-lo a ter esperança”.
Porém, nem tudo foi fácil para a técnica de enfermagem, que é mãe de dois filhos, e precisou lidar com o preconceito.
“Infelizmente, pessoas que diziam ser minhas amigas pararam de falar comigo porque me envolvi com o Cleiton, por ele ser doente”.
Os exames de compatibilidade já foram feitos e Cleiton está nos testes finais para agendar o transplante. Segundo Renata, uma vaquinha está sendo feita para ajudar nos custos. “Meus exames estão quase todos prontos, mas faltam alguns para o Cleiton fazer. Estamos apreensivos com o tempo, mas temos fé que tudo dará certo”.
“Anjo que Deus colocou na minha vida”
Foi no hospital, durante a hemodiálise, que Cleiton Silva Santos, 38 anos, conheceu a técnica de enfermagem Renata Souza, 35, sua namorada. Há um ano, Renata decidiu doar o rim para o conferente, que aguarda os exames finais para realizar o transplante.
A Tribuna – Quando descobriu que precisava realizar o transplante de rim?
Cleiton Santos – Quando nasci, os médicos disseram a minha mãe que eu tinha inflamação nos rins.
Devido à fé que tem em Deus, ela acreditou que eu tinha sido curado, e até os 29 anos tive uma vida normal.
Um dia no meu trabalho passei mal e fui diagnosticado com insuficiência renal crônica. Meus rins não estavam mais funcionando, sendo necessário realizar a hemodiálise, que faço até hoje, três vezes por semana.
E como conheceu a Renata?
Ela era a técnica de enfermagem que me atendia, logo que iniciei a hemodiálise, há sete anos. Viramos amigos, porém estamos juntos tem menos de dois anos.
Partiu dela o desejo da doação?
Sim. Quando ela me contou, nem acreditei que pudéssemos ser compatíveis. Recebemos o resultado voltando da praia. Eu chorei muito. Quando ela entrou na minha vida, tive outra expectativa de vida. Ela é um anjo que Deus colocou na minha vida. Após a cirurgia, vamos nos casar. Meu sonho é ser pai.
Doação precisou ser autorizada pela Justiça
Para conseguir ser doadora do conferente Cleiton Silva Santos, 38 anos, a técnica de enfermagem Renata Souza, 35, precisou entrar na Justiça para que fosse liberada a doação. Há cinco meses, a liberação foi concedida.
De acordo com a advogada Fernanda Ronchi, a doação de órgãos do próprio corpo vivo é permitida somente para cônjuge ou parentes até o quarto grau.
“Caso contrário, só poderá ocorrer mediante determinação judicial, exceto na hipótese de doação de medula óssea, conforme prevê o artigo 9, da Lei 9.434/97. Cabe salientar que a necessidade de autorização judicial prévia ocorre para evitar o tráfico de órgãos”, destacou a advogada.
Coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Maria Machado explicou que, após a liberação da Justiça, em casos em que não haja parentesco, tanto o doador quanto o receptor passam por avaliações com a Central de Transplante. “Em média, todo o processo leva seis meses. Porém, somente um médico pode dizer se o receptor está apto para a cirurgia”.
SAIBA MAIS
- 1.129 pessoas estão na fila de espera por Transplante no Estado.
- 865 pessoas estão no aguardo da doação de um rim.
Doação
- Doador vivo é a pessoa que concorda com a doação, desde que não prejudique a própria saúde. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado ou do pulmão e medula óssea.Pela lei, parentes até o quarto grau (avós, pais, irmãos, tios sobrinhos primos e netos) e cônjuges podem ser doadores. Não parentes, somente com autorização judicial.
- Doador falecido é a pessoa que tem morte encefálica, vítima de dano cerebral irreversível, geralmente causado por traumatismo craniano ou derrame. Ele pode doar órgão e tecidos (pele e córnea).
Fonte: Secretária de Estado da Saúde.

