Como você quer envelhecer? Provavelmente, muitas pessoas vão responder que querem envelhecer de forma saudável e ativa. Mas seus hábitos têm contribuído para isso?
Em decorrência de obesidade, sedentarismo, hipertensão e outros fatores de risco, médicos preveem quatro vezes mais casos de Alzheimer e doenças de memória na população brasileira.
A previsão tem como base um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Universidade de Queensland, da Austrália.
Eles apontam que, dentro de 30 anos, serão 4 milhões de brasileiros com alguma demência, ou seja, perda das habilidades mentais, como memória, linguagem e raciocínio. Hoje, esse número é de aproximadamente 1 milhão.
A neurologista Soo Yang Lee frisa que o crescimento de casos de demência tem relação direta com o aumento da longevidade, mesmo nos países subdesenvolvidos.
Para o geriatra Roni Mukamal, coordenador do Serviço Geriatria do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), além da idade, o País condensa algumas situações que levam a esse aumento nos casos de demência, como as doenças crônicas mal controladas.
Entre os casos de demência mais comuns, os médicos destacam o Alzheimer. A neurologista Alyne Mendonça, doutora em Ciências Farmacêuticas, diz que essa doença é uma das maiores epidemias do mundo.
“O aumento é multifatorial, mas escolaridade reduzida, hábitos alimentares, envelhecimento populacional e estilo de vida são fatores potencialmente responsáveis”.
A baixa escolaridade, segundo destacou a neurologista Jerusa Smid, é considerada como um dos fatores de risco importante para o Alzheimer e outras demências.
“Não ter uma aquisição de conhecimento e de aprendizado ao longo da vida te torna mais vulnerável a ter esse tipo de doença”, explicou a médica, que também é coordenadora do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).
“Vários trabalhos mostram que aprender novo idioma, um instrumento musical e ter um novo aprendizado fazem com que aumentemos nossa reserva cognitiva”.
Atividade física retarda o problema
Apesar de o aumento da longevidade ser uma das razões que levam ao aparecimento de problemas de memória, como o Alzheimer, alguns fatores podem retardar o aparecimento da doença, como a atividade física.
Segundo a psiquiatra e psicogeriatra Regina Shimada, membro da diretoria da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo (Apes), praticar atividade física regular – pelo menos, três vezes na semana – pode retardar em até 50% o Alzheimer.
Porém, a Pesquisa Nacional de Saúde 2019, divulgada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 40,3% dos adultos do País foram classificados como insuficientemente ativos, ou seja, pessoas que não praticavam atividade física ou praticavam por menos do que 150 minutos. No Estado, essa porcentagem é de 35,4%.
Os especialistas explicam que o exercício físico melhora o metabolismo e as funções cardiovasculares, o que aumenta a oxigenação cerebral. Também libera endorfina, hormônio do bem-estar, favorecendo a capacidade de concentração.
Além do sedentarismo, há estudos comprovando a relação entre sinais de demência com fatores de risco de doenças cardiovasculares, ressalta a cardiologista Kátia Vasconcellos, da Cardioservice.
“Para reduzir a probabilidade de desenvolver quadros demenciais no futuro, mesmo quando não há uma tendência genética, é fundamental manter um estilo de vida saudável”, orienta.
O cirurgião e nutrólogo Roger Bongestab destaca que, assim como as doenças cardiovasculares e o sedentarismo, a diabetes também é um fator de risco para as demências.
“A doença de Alzheimer tem uma chance 20 vezes maior em quem é diabético. Tanto é assim que alguns chamam o Alzheimer de ‘diabetes cerebral ou tipo 3’”.
De acordo com o médico, a diabetes causa alterações degenerativas, ou seja, destruição gradativa das células do sistema nervoso central. “Além disso, ela leva a alterações nos vasos sanguíneos que irrigam o cérebro, que, mal nutrido, atrofia suas partes”.
Segundo a nutricionista Lais Coutinho, alimentos compostos por carboidratos simples, com teor de gordura elevado, ultraprocessados, ricos em sódio e açúcares, e com baixo valor nutricional, devem ser evitados, a fim de se manter a saúde e o melhor funcionamento do cérebro.
