Os quatro irmãos adotados pelo casal Antonio Silva e Camila Morosini são muito tímidos. Patrícia e Daniele não gostam de lembrar o passado. Já Bruno e Breno contam que se sentem na melhor família do mundo.
“Me sinto muito feliz porque eles são os melhores pais do mundo. Foram os pais que nos tiraram de um buraco sem fundo. Não tínhamos uma família de verdade. Natal, por exemplo, não existia uma reunião entre pessoas. Eu agradeço todos os dias por isso existir”, disse Bruno.
Grupo
Atualmente, existem no Espírito Santo, mais de 1 mil famílias a espera de uma criança. Nos abrigos do Estado, 147 crianças estão disponíveis para adoção.
Os números foram repassados pela assistente social da Vara da Infância e Juventude de Guarapari, Elaine Simone Costa Silva, durante uma palestra a convite do grupo “Gerando com o Coração”.
A presidente do grupo, Virginia Silva, revela que a adoção tardia, de crianças acima de 7 anos, é mais difícil. “Vemos que existe muitos nomes para adoção e muitas famílias que estão na fila. O problema, muita das vezes, é que são crianças mais velhas, adolescentes. A adoção tardia não é vista com bons olhos”, afirmou.
E completou: “Há situações como essa do Antonio e da Camila, que se trata de mais de um irmão. Quando são separados, a dor pode ser maior e, por isso, a assistente social insiste na adoção de irmãos”.
“Somos muito abençoados”, diz Camila Morosini
O casal Camila e Antonio adotaram quatro irmãos que viviam em um abrigo de Guarapari. Eles poderiam ter filhos biológicos, mas priorizaram a adoção.
Como conheceram os quatro?
Pretendíamos entrar na fila de adoção, mas acabamos conhecendo os irmãos antes. Quando conhecemos os quatro, os meninos seriam separados das meninas pela idade delas, que não cabiam mais no abrigo onde estavam.
Como havia uma dificuldade emocional muito grande entre elas, buscamos ajudá-los, até que resolvessem toda a situação, e o juiz da Vara da Infância, da época, permitiu que ficássemos com a guarda provisória deles.
Por que eles estavam no abrigo?
Por causa de maus-tratos em casa, os quatro irmãos foram levados para um abrigo de Viana. Nesse abrigo, descobriram que havia um quinto irmão que estava morando em Guarapari. Os irmãos foram transferidos para o abrigo de Guarapari, com o intuito de fazerem essa reinstituição com a mãe. O agressor era o pai.
Foi uma luta longa até a adoção?
Sim. Conhecemos eles há oito anos. A Justiça aguardava a possibilidade de reinstituição na família. Eles chegaram a voltar ao convívio da mãe, mas as agressões voltaram a acontecer e eles retornaram para o abrigo. O processo de adoção levou cinco anos para se concretizar. A Justiça tentou de todas as maneiras a volta deles para a família.
Após esperar tantos anos, qual o sentimento hoje?
Somos muito abençoados. Somos gratos por não termos desistido, por termos ficado com eles. Nas dificuldades, eles passam junto com a gente. É um amor incondicional e inexplicável.
É muito fácil amar aquilo que é de nossa obrigação, mas escolher amar te faz amar de uma forma mais profunda.
Receber esse amor é algo gratificante demais. Nós damos muito amor para eles, e recebemos tudo isso de volta. Nem todo filho demonstra esse amor, independentemente de ser biológico ou adotivo.
