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As lembranças dos passos de dança e das gargalhadas do filho agora estão guardadas na memória e nos vídeos do celular da dona de casa Edvânia Alves Euzébio, de 22 anos. O pequeno Davy Lucca Alves dos Santos, de 1 ano e 3 meses, morreu na última sexta-feira (24), após apresentar sintomas de gripe.
Os familiares buscam entender o que aconteceu com a criança. Para eles, houve negligência e falha no atendimento médico e, por isso, registraram um boletim de ocorrência na Polícia Civil.
“Queremos justiça. Meu bebê era tudo para mim. Meu sonho era ter meu menino”, desabafou a mãe.
A Tribuna – Havia muitos dias que Davy estava gripado?
Edvânia Alves Euzébio – Ele estava congestionado nos últimos dias, mas era algo normal. Eu estava dando medicamento e ele estava bem, brincando, comendo. No dia 24, ele acordou com muita secreção e com febre. Eu dei dipirona e loratadina. Depois, dei um banho e ele dormiu.
Ele acordou bem?
Ele acordou sem febre por volta de meio-dia, mas vomitou muita secreção. Fiquei assustada. Ele mamou e comeu um macarrão, mas vomitou tudo de novo. Então, levamos ao Pronto Atendimento (PA) de Alto Laje (Cariacica). Lá, tivemos de esperar o atendimento.
Na consulta, o médico apenas olhou a boca e levantou os bracinhos dele, apertou as costelas. Não falou mais nada e prescreveu uma medicação.
“Comecei a ficar nervosa, querer entrar, gritar. Não deixaram eu entrar para ver meu filho. Só vi no dia seguinte, no DML”
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Sabe o que era?
Ele não falou. A enfermeira deu o medicamento e aplicou uma injeção. Meu filho nem sentiu a dor da agulha e já adormeceu. Pensei que ele estava com sono, mas quando eu levantei, ele estava molinho. Quando foi levado para o raio X, mais uma vez, ele adormeceu. Eu não fazia ideia que o meu filho estava morrendo ali.
E depois?
Quando saiu do raio X, voltamos para o consultório do médico, que apenas passou remédios e liberou a gente.
No caminho para casa, percebemos que a respiração dele estava forçada. Eu e meu marido achamos que poderia ser o catarro do peito, mas não. Ele estava morrendo.
Cheguei em casa e, antes de descer do carro, ele ainda estava respirando. Quando eu o deitei na cama, ele virou o olho e parou de respirar. Então, voltamos imediatamente para o PA. Quando chegamos de volta já colocaram ele para dentro e não falaram mais nada.
Quando soube da morte?
Eles não falavam nada. Comecei a ficar nervosa, querer entrar, gritar. Era a vida do meu filho. Eles falaram para minha prima que só falariam comigo quando o reforço policial chegasse. Esperei mais de uma hora e meia para eles darem a notícia. Não deixaram eu entrar para ver meu filho. Só vi no dia seguinte, no DML.
Sabe qual foi a causa?
Não sabemos. Estamos esperando o laudo do DML. Pedimos o prontuário do atendimento do PA, mas eles falaram que tinha o prazo de 15 dias. Não sabemos o que ele tomou. Eu só quero justiça, pois, para mim, houve negligência. Por que não foi feito um exame mais detalhado? Não poderia ter feito um exame de sangue? Se ele estava vomitando, por que não passaram um soro para ele tomar? Fizemos um boletim de ocorrência, pois queremos uma investigação.
Meu filho era um menino saudável, alegre, sem alergias, com vacinas em dia. Amava música, amava dançar. Junto com nossa outra filha, de 3 anos, ele era tudo para mim. Meu sonho sempre foi ter um menino, e ele se foi. Não sabemos o que fazer.
O OUTRO LADO
Secretaria nega erro de conduta
A Secretaria de Saúde de Cariacica informou, por nota, que Davy Lucca Alves dos Santos, de 1 ano e 3 meses, foi atendido no Pronto Atendimento de Alto Laje na última sexta-feira, 24. “No momento da triagem, a criança não apresentava febre e recebeu a classificação verde para atendimento (pouco urgente)”.
Disse, ainda, que a família relatou à equipe os sintomas gripais da criança, com um dia de evolução. Foi feito exame de raio X, que não mostrou alteração. “A criança foi medicada e, no momento da liberação, estava ativa e caminhando”.
Afirmou que, no momento da triagem e do atendimento, a família informou que a criança não era alérgica a medicamento.
Disse que a família retornou ao PA já com a criança morta e que a equipe do local a encaminhou ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO) para verificar a causa.
“A direção do PA do Trevo de Alto Laje informa que o atendimento foi analisado e não foi verificado erro de conduta por parte da equipe médica e que aguarda o laudo do SVO. A secretaria se solidariza com a família da criança”. Em relação ao prontuário, frisou que o protocolo de liberação é de até 15 dias, porém, o documento está disponível para a família na administração do PA.