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Um estudante com transtorno de espectro autista (TEA), de 9 anos, foi suspenso por cinco dias de uma escola municipal de Vila Velha após uma crise nervosa causada por bullying. A escola não promoveu o diálogo entre as famílias dos alunos envolvidos.
As acusações são da bancária Vanessa Ferraz, 41, mãe da criança. De acordo com ela, o episódio aconteceu na última segunda-feira, 2, à tarde, durante o recreio da Unidade Municipal de Ensino Fundamental (Umef) Marina Barcellos Silveira, em Araçás, Vila Velha.
Colegas de turma teriam feito uma “brincadeira sem graça” sobre uma “namoradinha” com o menino, que teria indicado que não gostou e pedido para que os alunos parassem. A criança teve uma crise nervosa e agrediu outras pessoas envolvidas no ocorrido, relata a mãe.
“Meu filho reagiu a bullying e foi supenso. Os profissionais da escola não agiram para evitar o ocorrido e, quando aconteceu, ainda filmaram. Eu me sinto indignada com a situação. Na concepção da escola, o problema é o meu filho”, contou Vanessa.
A neuropsicopedagoga Geovana Mascarenhas argumenta que, de acordo com a Lei Nº 12.764/2012, crianças com espectro autista que tenham, no laudo médico, a indicação da necessidade de um atendimento especializado em sala de aula, precisam ter o direito garantido, como o caso do aluno da Umef Marina Barcellos Silveira.
“Se não há o cumprimento da medida, é uma falha da escola, que descumpre um direito da criança. Essa falta do profissional afeta a integração de criança e, mais ainda, toda a dinâmica em sala de aula”.
A especialista opina que a postura adotada pela escola não foi adequada.
“Em vez de suspender o aluno, a escola deveria trabalhar um processo inclusivo e acolher a família no ambiente escolar. Já houve uma situação violenta e a instituição não deveria responder com mais violência. A postura não foi a mais adequada”, explicou.
Criança é atendida, diz Prefeitura
Apesar da acusação feita pela mãe, de que a criança não é atendida por profissional de educação especial, a Prefeitura de Vila Velha alega que o estudante é acompanhado por profissional especialista durante todo o período de permanência na escola.
De acordo com a prefeitura, o aluno teve um surto e agrediu fisicamente um aluno e verbalmente os profissionais da instituição. “A escola, como procedimento oficial, entrou em contato com os responsáveis para que fossem até o local. A cuidadora estava próxima ao aluno e não houve situação de bullying no momento citado”.
A suspensão foi adotada de acordo com Regimento Escolar, diz a prefeitura.