A longa espera nos prontos atendimentos da Grande Vitória tem gerado revolta dos pacientes. A reportagem do jornal A Tribuna circulou por algumas unidades e, na capital, foram identificadas pessoas ficando por até seis horas nas unidades de atendimento para voltarem para suas casas com a consulta médica feita.
Em vários desses casos, nem sempre a consulta é satisfatória. A autônoma Geciara Rodrigues dos Santos, 31 anos, estava aguardando no Pronto Atendimento de São Pedro para consultar sua filha Maria Vitória, de 1 ano e 10 meses. Do momento que ela chegou até a saída foram seis horas cansativas.
“Já internaram e liberaram a minha filha por mais de uma vez, pois não há vagas. Já teve dia que esperei por quatro horas e depois fui atendida por menos de cinco minutos. O médico mal olhou para a nossa cara”, afirma.
Geciara completa falando da dificuldade de outras pacientes. “Estou com outra criança que está com fome. Eu consigo comprar algo, mas muitos não conseguem”.
Em outros municípios, a realidade é semelhante. O comerciante Fernando Lazarone, 33 anos, afirma que procura com frequência a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Carapina e já tentou consulta na unidade de Castelândia, ambas na Serra.
Segundo ele, enfrenta muitas dificuldades para conseguir um atendimento de qualidade para a sua mãe, de 57 anos, que tem pedra na vesícula e dores abdominais.
“A gente tentou duas vezes em Carapina e uma vez em Castelândia . Toda vez que fomos nas duas unidades foi demorado e o atendimento, ruim. Mas só conseguimos um diagnóstico mais preciso pagando consulta ou na Praia do Suá. Se fosse na Serra, estaríamos no UPA até hoje”, completa.
Em Vila Velha, a estudante Janaína Souza Nunes, 35 anos, levou o seu filho de apenas três anos ao PA da Glória, pois ele estava com tosse seca. Ela pontua que o atendimento precisa ser mais rápido.
“Conversei uma vez com a assistente social daqui e ela falou que tem uma demanda muito grande de crianças, inclusive de internação. Eles pedem paciência, mas o fato é que falta agilizar o atendimento. Entendo que a pandemia aumentou a procura pelas unidades, contudo tem poucos profissionais para muita demanda”.
Doze pessoas à frente na fila
O vigilante Felipe Vasconcelos, de 34 anos, aguardava a esposa, Fernanda Ataíde, de 36, e o filho Enzo Gabriel, de 6 anos, do lado de fora do Pronto Atendimento (PA) da Glória, em Vila Velha.
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Junto com o filho Davi, de três anos, ele foi buscar a esposa achando que estava na hora dela ir embora, mas descobriu que ia demorar. “Ela chegou às 14h aqui, mas tinha 12 pessoas à frente dela”, conta.
A reportagem ligou para Fernanda e descobriu que ela saiu do local somente depois de cinco horas de espera.
Pulseira verde
A professora Poliana Pedrini, 32 anos, esperava por um atendimento de urgência no PA de São Pedro para resolver uma crise de bronquite. No entanto, deram uma pulseira verde a ela, significando uma demanda de menor prioridade.
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“Toda vez que chego aqui é assim. É preciso eu passar muito mal para conseguir urgência”, reclama Poliana.
Até 10 horas para sair
A autônoma Nariany Rangel, 31 anos, saiu de Afonso Cláudio para levar o seu filho Gael, de 10 meses, ao PA de São Pedro por causa de uma pneumonia. Não é a primeira vez que ela vem para a Grande Vitória. Na mesma unidade, já levou até 10 horas para sair de lá. “Falta gente para agilizar o serviço. Tive que esperar pela boa vontade de uma médica para ser atendida”.
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Outro lado
Aumento de demanda
Em Vitória, a prefeitura afirma que, desde fevereiro, foram reforçadas as escalas médicas e que seis unidades da capital tiveram atendimento ampliado desde janeiro.
Em Vila Velha, a prefeitura afirma que aumentaram as buscas pelas unidades do município após o surto de influenza. As unidades da Glória e Riviera da Barra estariam com suas equipes médicas completas.
Na Serra, o município abriu um processo seletivo para a contratação de profissionais. O edital está na 3ª convocação, contemplando clínico geral, pediatra e ginecologista.