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“Pais devem ajudar filhos adolescentes em conflitos”, diz psicóloga

Historicamente eles são conhecidos como impulsivos e dramáticos. Tanto que é comum o trocadilho: adolescentes “aborrecentes”. Porém, essa fase da ...

Psicóloga Gilce Velasco mostra o livro que escreveu com 121 perguntas e respostas sobre a fase da adolescência

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Historicamente eles são conhecidos como impulsivos e dramáticos. Tanto que é comum o trocadilho: adolescentes “aborrecentes”. Porém, essa fase da vida é marcada por mudanças. Nela, os jovens buscam construir a própria identidade e vivem conflitos do desenvolvimento físico, psicológico e intelectual.

Para atravessar essa fase, a psicóloga e pedagoga Gilce Velasco afirma que os pais precisam ajudar os filhos a vencerem os conflitos.

“Na adolescência, o grupo de fora, a turma da escola ou da rua, tem um peso enorme. Portanto, o jovem precisa sentir-se pertencente em casa, se não é lá fora que ele irá buscar seus padrões de conduta, adequados e verdadeiros ou não”, ressalta.

Escritora, Gilce é autora do livro “Senta e Conversa”, em que orienta os pais a manterem uma escuta ativa e acolherem os filhos.

Psicóloga Gilce Velasco mostra o livro que escreveu com 121 perguntas e respostas sobre a fase da adolescência (Foto: Chico  Dreux/Divulgação)

A Tribuna – A adolescência é realmente uma fase difícil?

Gilce Velasco – Muito difícil. É uma fase de uma grande transformação, em nível físico, emocional, mental e até social. Com essa transformação, que os hormônios trazem, vem muita insegurança, não só para os adolescentes, mas para os pais também. É uma fase complicada, de desafios, mas também de muitas possibilidades.

Entre essas mudanças, o que torna essa fase mais difícil?

Tem essa mudança hormonal, que atua muito no emocional e no físico, principalmente, com as mudanças no corpo, e o jovem começa a buscar sua identidade. Ele começa a olhar para fora.

A adolescência causa insegurança e conflito sobre quem esse jovem é. E a busca de identidade é muito importante para esse adolescente. Ele começa a ver as transformações em si mesmo, seja no temperamento, físico e amigos. Nessa fase, eles buscam fora de casa apoios, já que eles querem pertencer a um grupo.

Na busca da sua identidade, ele quer ser aceito e se identificar, quer ser igual. Mas, às vezes, essa situação não é tranquila para ele. Às vezes ele está na escola e não está sendo visto ou está sendo excluído. Tem muitas questões.

O problema é que ao buscar fora de casa um apoio emocional, que às vezes, ele não tem em casa, o jovem pode ir para um grupo bagunceiro ou que usa drogas. Para pertencer a esse grupo, ele toma as atitudes desse grupo.

O que os pais devem fazer quando isso acontece?

Nessa hora falo sobre o que escrevi no meu livro: senta e conversa. A intenção é falar primeiro com os pais. É uma fase difícil, tem diversas questões e eles precisam estar próximos dos filhos e conversar.

Eu acredito muito na potência do diálogo, ele é fundamental. Até mesmo para os adolescentes que não querem conversar com os pais, é imprescindível sentar e dialogar. No meu livro tem 121 temas e ilustrações, em todas as ilustrações têm um sofá, porque é uma referência do diálogo.

De que forma os diálogos podem ter efeito?

Para ter um diálogo é preciso uma escuta ativa e empática. Há pais que dizem: “Meu filho não deixa eu chegar perto dele, ele não gosta e nem quer falar nada”.

Sempre peço para os pais ficarem próximos, verem quais são as necessidades que não estão sendo atendidas. É acompanhar os filhos na escola. Fundamental é não chegar dando bronca nesse adolescente, porque os pais, às vezes, perdem a paciência, julgam e até fazem bullying familiar.

Já vi pais falando que os filhos são burros, preguiçosos, vagabundos. O jovem que não é acolhido em casa, vai mal na escola. Por isso, é fundamental sentar e conversar. Os pais têm necessidade, os filhos também têm. Os dois lados têm. Mas os pais precisam olhar para os filhos amorosamente e entender que essa é uma fase difícil de mudança e busca de identidade.

O que os pais que não têm essa facilidade de diálogo devem fazer?

Devem começar hoje uma nova relação com o filho. Escutando, dialogando, sem broncas, ameaças e com limites.

Os pais precisam ajudar os filhos a vencerem os conflitos da adolescência e isso com respeito. Os filhos, na busca pela identidade, estão buscando autonomia. Às vezes, os adolescentes acham que são donos da verdade, e aí entra a questão dos limites. Eles, por exemplo, não vão deixar o filho andar de moto sem capacete. É um limite de cuidado e proteção ao filho, não invadindo a autonomia dele. Os pais precisam acolher o filho em qualquer circunstância, com amor.

Qual a importância de os pais entenderem essa fase?

Esse é um momento de insegurança, eles precisam respeitar esses conflitos da adolescência. Se os pais não respeitam, os filhos perdem a confiança. O respeito cria a autoestima para o filho, ele se sente mais seguro para resolver os conflitos dessa fase.

Às vezes, por exemplo, o menino joga futebol e não quer se trocar na frente de outros garotos, com vergonha. Os pais não têm de brigar e obrigar. Os pais têm de estar do lado, respeitando a dificuldade desse filho e fazendo um caminho de diálogo e confiança, para que ele se torne um adulto autoconfiante.

A família é o início desse amor que o adolescente precisa sentir. Começa com a família e não fora. Do lado de fora pode ser perigoso.


Perfil 


Gilce Velasco

  • É psicóloga, pedagoga, pós-graduada em Direito Sistêmico e escritora. Possui, ainda, formações nas áreas de arteterapia, constelações sistêmicas, mediação e publicidade. Trabalha como psicoterapeuta em consultório de psicologia e atende jovens, adultos e famílias.

  • É autora do livro “Senta e Conversa”, em que elenca os principais temas que envolvem conflitos da adolescência, com 121 perguntas e respostas. Ela escreve livros com a temática da infância e da adolescência

  • Nascida no Rio de Janeiro, Gilce Velasco morou dos 8 aos 12 anos em Vitória e, após esse período, mudou-se para São Paulo, onde reside.

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