O arquipélago de Itatiaia, composto por sete ilhas no mar de Vila Velha, próximo a Itapuã, ficou conhecido por sua beleza natural. Com isso, a presença de turistas no local é cada vez maior.
O problema é que essa quantidade maior de frequentadores tem afetado negativamente o meio ambiente, e a ação humana já coloca em risco a vida marinha da região.
Segundo ambientalistas que acompanham a situação da ilha de perto, os lixos deixados pelos visitantes são o principal motivo.
O ambientalista Petrus Lopes, do Instituto Jacarenema, diz que alguns barqueiros e moradores da região até tentam fazer a limpeza, mas que nem isso tem sido suficiente para manter o local totalmente limpo.
“Quem faz a manutenção do local são os barqueiros, alguns moradores e projetos ambientais. Quando turistas contratam embarcações para ir até a ilha, os barqueiros orientam, não deixam levar churrasqueira e não levam vendedor de picolé, pois depois ficam os palitos e o plástico”, ressaltou Petrus.
No entanto, muitos turistas entram com mochilas, e segundo ambientalistas, como não há fiscalização, materiais que depois viram lixo acabam indo junto. “Muitos vêm com mochila e bolsa, então não tem como impedir que deixem lixo. O que mais jogam na ilha são embalagens de plástico”.
A bióloga e doutora em Ecologia Manuela Bernardes Batista frisou que a ilha de Itatiaia é um dos poucos lugares no País com ninhos de espécies de aves marinhas e, por isso, a preservação do arquipélago é tão importante.
“A ilha é uma área de nidificação (construção de ninhos) para algumas aves marinhas, que são migratórias. E aqui é um dos poucos pontos do País que elas fazem isso”.
Segundo a bióloga, o local é uma área muito importante ecologicamente, uma vez que as ilhas, por si só, já possuem uma tendência de ter uma diversidade de espécies maior do que na região costeira, tendo em vista o isolamento.
Elas são mais isoladas da urbanização e servem como ponto de descanso e abrigo, tanto para peixes e outros animais marinhos, quanto para as aves.
Prefeitura diz que não é a responsável por fiscalização
Mesmo com toda importância para o ecossistema por conta das espécies de animais marinhos que vivem no local, o arquipélago de Itatiaia não tem fiscalização constante, segundo ambientalistas e frequentadores.
De acordo com o ambientalista Petrus Lopes, as gestões anteriores da prefeitura de Vila Velha foram ausentes em relação aos cuidados com a ilha.
“As gestões foram negligentes e ausentes em relação aos deveres que elas tinham enquanto poder público. A prefeitura nunca promoveu nenhum tipo de atividade que pudesse permitir algum benefício ou melhoria para o local”, afirmou Petrus.
Para saber sobre como funciona o esquema de administração das ilhas, a reportagem de A Tribuna entrou em contato com a atual gestão da prefeitura de Vila Velha. Em nota, a prefeitura informou que não é a responsável por fazer fiscalizações no local.
“O serviço de fiscalização e limpeza no arquipélago de Itatiaia, assim como nas outras ilhas da região, não cabe ao município de Vila Velha”, diz a nota, sem apontar quem são os responsáveis.
A reportagem também procurou a Polícia Militar Ambiental, que também informou não competir à ela o dever de realizar limpeza, definir regras de visitação e monitorar o arquipélago.
O que diz o IEMA?
“Segundo a resolução n° 11/2005 do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), está a cargo do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e da Companhia de Polícia Ambiental do Espírito Santo a fiscalização das Ilhas Itatiaia, com o apoio da Associação Vilavelhense de Proteção Ambiental (Avidepa) e demais entidades civis e órgãos públicos que se dispuserem a contribuir com a fiscalização. Até o momento, o Iema não recebeu nenhuma denúncia relativa ao arquipélago. Caso necessário, o Instituto se mobilizará para fazer uma ação conjunta com outros órgãos ou entidades. O Iema conta também com o bom senso da população em recolher o lixo e manter o local preservado”
O que diz a Marinha?
“A Marinha do Brasil (MB), por intermédio do Comando do 1° Distrito Naval, informa que a área marítima do município de Vila Velha-ES é fiscalizada pela Capitania dos Portos do Espírito Santo (CPES), em observância e limitada às competências da Autoridade Marítima, definidas na Lei nº 9.537, de 11 de dezembro de 1997, relacionadas diretamente à fiscalização de embarcações, cujo propósito é assegurar a salvaguarda da vida humana, a segurança da navegação e a prevenção à poluição hídrica por parte de embarcações, plataformas ou suas instalações de apoio.
No tocante à Ilha de Itatiaia, no litoral do Município de Vila Velha, cabe destacar que a Marinha realiza frequentemente ações de Inspeção Naval na área, sendo verificadas as documentações das embarcações e dos condutores, a existência e estado de conservação do material de salvatagem, o respeito ao limite de lotação e às demais regras de segurança da navegação.
Nesta época do ano, durante a Operação Verão, momento em que existe o aumento do fluxo do turismo náutico, a Marinha está se empenhando na campanha “Travessia Segura”, que teve início em 13 de janeiro e consiste no incremento das ações de fiscalização de embarcações de transporte de passageiro, de turismo náutico e de travessia. Na campanha “Travessia Segura”, a Marinha do Brasil: Protegendo nossas riquezas, cuidando da nossa gente www.marinha.mil.br CPES já realizou 47 abordagens em embarcações de transporte de passageiros e foram emitidas duas notificações.
Cabe destacar que a Marinha incentiva e considera importante a participação da comunidade, que pode ser feita pelos telefones 185 (número para emergências marítimas e pedidos de auxílio) e (027) 2124-6526 (diretamente com a CPES para outros assuntos, inclusive denúncias).
Também estão disponíveis o e-mail [email protected] e o aplicativo “Praia Segura”, que pode ser baixado gratuitamente em aparelhos celulares Android e iOS”
