Com o Natal, a casa fica cheia de parentes, a mesa farta para a ceia, mas a harmonia nem sempre está presente. Os laços sanguíneos e o compartilhamento da mesma casa muitas vezes não são suficientes para selar a união dentro das famílias.
Por isso, a Empresa Júnior da UVV (Ejuvv), em parceria com o jornal A Tribuna, quis saber o que pode unir ou dividir as famílias capixabas.
O diálogo se mostrou como o mais importante para a união das famílias. A pesquisa revelou que para 28,4% a falta dele é o que mais atrapalha a família, seguido de falta de união (19,6%) e falta de amor (19,3%).
É também o diálogo que aparece como o principal segredo para unir as famílias para 36,4% das pessoas, seguido de amor (30,9%) e confiança (19%).
“O convívio social com outras pessoas, que não da família, é carregado de experiências vivenciadas dessa relação familiar. Então, confiança e amizade são laços que o indivíduo aprende na família”, disse o coordenador da pesquisa, professor da UVV Fabrício Azevedo.
A pesquisa mostrou que a maioria acredita que sua família é feliz. No entanto, ela pode melhorar e 93,9% mudariam algo se pudesse.
O vício e a divergência de opiniões são os principais problemas nas famílias, segundo os entrevistados na pesquisa.
“A dificuldade de aceitação das diferenças de pensamento e posicionamento do outro é o que mais afeta as relações familiares, gerando problemas”, salienta o terapeuta de Família Cláudio Miranda, colunista de A Tribuna.
A falta ou a dificuldade de diálogo nas famílias também tem sido observada pela psicóloga Débora Guerra. “Vejo que as famílias estão vivendo no automático, seguindo suas rotinas na forma mais conveniente possível para que consigam dar conta de trabalho, filhos, casa. O problema que no final do dia, todos estão cansados ou estressados e suas decisões são sempre tomadas para atender a demanda do momento e não necessariamente que será o melhor para a família”.
Com isso, o diálogo fica em último plano e as relações prejudicadas. O diálogo é indispensável, segundo o psicólogo Alexandre Brito. “Sem ele, um ‘atropela’ o outro e isso pode causar problemas que, ao longo dos anos, vão se acumulando. Portanto, saber escutar e desenvolver a empatia e humildade são essenciais, pois você acaba sendo mais justo, inclusive nas horas de reconhecer e assumir seus erros”, destacou.
União
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O casal Edward Dantas, 63 anos, e Eliza Dantas, 54, e as filhas Amanda, 31, Ana Carolina, 26, e Aline, 23, sempre foram muito unidos, e com a chegada das crianças Lorenzo Dantas, 1 ano, e Noah Dantas, de 6 meses, a união aumentou.
“A nossa relação é maravilhosa, somos muito unidos. Hoje, as famílias já não valorizam o convívio entre os membros. Cada um no seu quadrado com seu aparelho conectado e navegando em outras ondas. Pode até existir o amor, o respeito, mas aquela harmonia já não é mais a mesma”, lamenta Edward.
Sempre juntos
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Para o casal Sandro Lobato, 50, e Viviane Aguirre, 48, a união com os filhos Cristiano, 18, Bernardo, 13, e Gabriel Lobato, 12, é prioridade.
“Prezo muito e trabalho duro para cultivar essa união. Para mim, convivência tem tudo a ver com união. A gente gosta mesmo é de ficar juntos, não importa o que estamos fazendo, de viajar a jogar baralho juntos”, contou a mãe.
A pesquisa
> Atualmente, o que mais atrapalha a sua família?
Falta de diálogo – 28,4%
Falta de união – 19,6%
Falta de afeto/amor -19,3%
Falta de respeito -15,3%
Inveja – 9,2%
Fofoca – 8,3%
> O que você acha que mais contribui hoje para a desunião das famílias?
Vícios – 60,9%
Diferenças de opiniões – 59,6%
Grupos de WhatsApp – 38,5%
Falta de respeito – 36,7%
Falta de autoridade – 32,4%
Brigas por dinheiro – 22,6%
Traição – 9,8%
> O que mais une a sua família atualmente?
Diálogo – 36,4%
Amor – 30,9%
Confiança -19%
Bom humor – 9,2%
Respeito – 4,6%
> O que sua família faz para manter a união?
Conversamos sobre os problemas – 54,7%
Respeitamos os limites e o modo de ser do outro – 43,1%
Reconhecemos nossos próprios erros – 36,7%
Todos sabem o seu papel – 30,9%
Procuramos ajuda religiosa – 28,1%
Fazemos festas e comemorações – 17,7%
> Sua família está com você nos momentos mais importantes de sua vida?
Sim, sempre – 69,4%
Às vezes – 26,9%
Nunca – 3,7%
> Você brigou com alguém da família nesses últimos dois anos?
Sim – 88,4%
Não – 11,6%
> Você deseja se reconciliar com alguém da sua família?
Sim – 69,4%
Não – 30%
> Você perdoaria se alguém da família quisesse se reconciliar?
Sim – 74%
Não – 26%
| Metodologia |
Elaborada em parceria entre a Empresa Júnior da UVV e o jornal A Tribuna, a pesquisa foi feita entre os dias 15 e 22 de dezembro, pela internet, com 327 pessoas. A maioria dos participantes mora na Grande Vitória, sendo a maior parte dos municípios de Vitória, Vila Velha e Cariacica. Foram 63 % mulheres, 27,8 % homens e 9,2 % preferiram não dizer.
Dos entrevistados, 5,14% estão entre 18 e 30 anos; 24,2%, entre 31 e 40 anos; 15,3%, entre 41 e 50 anos; e 9,2% estão acima de 51 anos.