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Pesquisadora da Ufes em expedição na África

Em busca de evidências sobre os efeitos do aquecimento global, a pesquisadora Daniela Gaurisas, 33 anos, que faz doutorado em Biologia Animal na ...

Daniela Gaurisas e a equipe vão estudar vida marinha no Oceano Atlântico

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 Gaurisas e a equipe vão estudar vida marinha no Oceano  Atlântico (Foto: Divulgação)Em busca de evidências sobre os efeitos do aquecimento global, a pesquisadora Daniela Gaurisas, 33 anos, que faz doutorado em Biologia Animal na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), representará o Estado em uma expedição que vai estudar o Oceano Atlântico, na África.

A bordo de um navio, ela sairá da cidade de Vigo, na Espanha, no final de julho, em direção a Cabo Verde, onde ficará atracada em alto-mar até o dia 31 de agosto.

Também participarão do projeto, chamado de iAtlantic, 26 pesquisadores europeus, sendo que cada um desenvolverá a sua própria pesquisa.
Gaurisas explica que, no caso dela, o objetivo é analisar o que acontecerá com a fauna marinha diante das condições de elevação da temperatura nos oceanos.

Para isso, ela pretende aquecer em laboratório várias amostras que serão retiradas a mil metros de profundidade, para simular as mudanças climáticas previstas para o ano de 2100 nas águas do Atlântico.

“Mudaremos a temperatura de corais, pedaços de terra e outros segmentos do fundo do mar, com o intuito de observar como os animais vão reagir. A longo prazo, acreditamos que eles podem ficar sem condições de sobreviver, ou seja, serão extintos”, revelou.

A doutoranda da Ufes, que é colombiana e está em Vitória desde 2019, começou a pesquisar sobre o assunto ainda na terra natal, durante a graduação em Biologia. De lá para cá, chegou a trabalhar embarcada, mas esse é o primeiro grande projeto que participa.

“Estou muito animada, pois é uma oportunidade única de trocar experiências com outros pesquisadores. Fiquei embarcada umas três vezes na Colômbia, mas nada se compara a esse ‘cruzeiro científico’, que é considerado um dos maiores do mundo”, apontou.

Ela deveria ter viajado no ano passado, mas os planos foram interrompidos devido à pandemia. “Enquanto isso, estamos trabalhando em cima de dados brasileiros, mas minha pesquisa praticamente não andou. Tenho esperanças de que agora vai para frente, contribuindo para a preservação da biodiversidade marinha”.

A colombiana já tem outros planos para quando voltar: em novembro, ela planeja fazer um trabalho semelhante no Brasil, desta vez na Bacia de Santos, que se estende desde o litoral sul do Rio de Janeiro até o norte de Santa Catarina.

“Quero comparar os resultados na África com os brasileiros. Afinal, esses dois lugares sempre estiveram ligados na história”, disse.


Daniela Gaurisas Pesquisadora   “Mares pouco explorados”

A tribuna – Qual é a importância desse projeto?
Pesquisadora – O oceano tornou-se importante porque ele nos fornece alimento, ajuda a equilibrar a temperatura da Terra e a inibir desastres naturais. À medida que a temperatura for aumentando, tudo sairá do controle. Para nós, humanos, reflete num ar mais sujo, prejuízos financeiros, morte dos animais, entre outras coisas.

Como será a rotina dentro do navio?

  • Primeiro, vou pegar as amostras com a ajuda de um equipamento especial, que chega até a mil metros de profundidade. Com elas em mãos, faço as análises dentro do navio, em um dos laboratórios. Também vou participar de projetos dos outros pesquisadores, para promover esse intercâmbio.

Você sempre estudou o assunto?

  • Minha área de pesquisa é Biologia Animal, sobretudo em grandes profundidades. Já fiz algumas outras pesquisas na Colômbia, mas nada se compara a essa expedição.

Como veio parar no Espírito Santo?

  • Sempre gostei do Brasil, e até comecei a estudar um pouquinho de português antes de vir. De repente, fiquei sabendo de uma vaga para fazer o doutorado na Ufes, que tinha como foco esse projeto. Fiz a entrevista, passei e vim. Tudo aconteceu em menos de um mês.

Por que a África foi o continente escolhido?

  • Foi um consenso entre os diferentes países que vão participar da expedição. No geral, os mares do continente africano são pouco explorados, mesmo sendo um dos mais ricos. Além disso, queremos mapear o Oceano Atlântico de norte a sul, leste a oeste.

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