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Enquanto a frota de motos aumenta de forma acelerada e o trânsito capixaba fica cada vez mais sobre duas rodas, um outro problema aparece: o conflito por espaço entre motoristas e motociclistas.
Cada vez mais, a largura das faixas é reduzida para dar lugar a novas ou para a criação de ciclovias.
Foi o que aconteceu recentemente na Avenida Vitória, na capital, que passou por obras de modernização e implantação da ciclovia. Já em Vila Velha, o estreitamento aconteceu no trecho da avenida Carlos Lindenberg, que passa pela Glória, com o objetivo de criar quatro faixas para dar mais fluidez ao trânsito.
“É um problema que aumenta o risco aos motociclistas. As manobras para a troca de faixa ficam com um espaço que não é mais suficiente, o que causa acidentes. Infelizmente, o motociclista se arrisca e, com a redução do espaço, isso acontece de forma mais perigosa”, ressaltou o especialista em Trânsito Josimar Amaral.
Outro problema está na Reta da Penha, entre o Barro Vermelho e a Ponte da Passagem, segundo Amaral. “Não há espaço para motos”.
Esse estreitamento e a disputa por espaço ganha como agravante a imprudência, na visão da professora de Engenharia Civil e especialista em Mobilidade Geisiane Silveira.
“O serviço de delivery, por exemplo, sofre pressão elevada para que seja cada vez mais rápido. Com isso, há uma velocidade alta e outras infrações, como avanço de semáforo. Isso causa uma guerra no trânsito, e o resultado é o número elevado de acidentes”, aponta.
Outra grande via que terá faixas estreitadas é a Terceira Ponte. Hoje, a via tem duas faixas em cada sentido. Ao final da obra, em 2022, serão três de cada lado. Para isso, as faixas, que hoje têm 3,50 metros, passarão a ter 2,80 metros. Apenas uma será maior, com 3,10 metros, já que será para ônibus.
O presidente da Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil (AMABR), Edgar Francisco da Silva, ressaltou também que a largura das faixas é cada vez mais reduzida nos grandes centros, o que complica a vida dos motociclistas.
Mudanças para evitar acidentes
Visando aumentar a segurança dos motociclistas, as prefeituras da Grande Vitória estão preparando algumas mudanças no trânsito.
Em Vitória, serão implantadas áreas de parada exclusivas para as motos nos cruzamentos, antes dos semáforos. Nesses locais, os carros não poderão parar, sendo obrigados a deixar o espaço para que os motociclistas parem e avancem primeiro quando o semáforo abrir.
“Isso traz mais segurança, pois muitos acidentes acontecem quando as motos tentam ultrapassar os carros quando eles estão em movimento”, ressaltou o secretário de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana de Vitória, Alex Mariano
Inicialmente, as áreas de parada serão em dois cruzamentos da Reta da Penha. De acordo com Mariano, a prefeitura aguarda por períodos sem chuva para fazer a sinalização.
Sobre o estreitamento de vias, o secretário lembrou que elas seguem o tamanho mínimo exigido. “Os acidentes acontecem porque os motociclistas andam no corredor, em vez de ir pela própria faixa”.
Já em Vila Velha, a prefeitura está implantando mão única. As principais alterações são nas ruas Belo Horizonte e Santa Catarina, em Itapuã, além da avenida Antônio Almeida Filho, que liga Itaparica ao bairro Jockey.
Governo afirma que obra vai melhorar fluxo na 3ª Ponte
Mesmo com o futuro estreitamento das faixas da Terceira Ponte, o governo do Estado garante que o objetivo da obra é justamente aumentar a capacidade de fluxo.
Após a conclusão da obra, a ligação entre Vitória e Vila Velha passará a contar com seis faixas, sendo três em cada sentido.
“A obra prevê o aumento do número de faixas, com aumento da capacidade de fluxo de veículos e aumento da velocidade média, nos horários de pico”, ressaltou, em nota, a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi).
A Semobi ressaltou que essa melhoria também vai acontecer na Rodovia das Paneleiras (antiga Reta do Aeroporto), que vai contar com uma faixa a mais em cada sentido e ganhará semáforos inteligentes. “Assim, as intervenções devem favorecer a segurança de todos que circulam por essas vias”, destacou a Semobi.
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Sugestão de “motofaixas” para reduzir problema
A professora de Engenharia Civil e especialista em Mobilidade Geisiane Silveira defende a criação de faixas exclusivas para motos em algumas vias, mas com limite de velocidade. “Para isso, é preciso ter fiscalização, que hoje não é muito efetiva. Além disso, é importante melhorar a formação dos motociclistas”, ressaltou.
O presidente da Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil (AMABR), Edgar Francisco da Silva, também defende a criação de faixas para motociclistas, em vias em que haja espaço. “Hoje, eles já andam no corredor, no meio dos carros. Uma saída seria deslocar esse espaço entre os carros e jogar para uma pista no canto. Isso funciona em alguns locais”.
Já o especialista em Trânsito Josimar Amaral acredita que cidades como Vitória não comportam mais esse tipo de iniciativa. “Hoje, por questões geográficas, não temos mais condições. Não há espaço físico para criar alternativas para as motos. Em muitos casos, nem mesmo as ciclovias conseguem ser ligadas por falta desse espaço”.