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Quarentena vira teste de convivência para namorados

Em tempos de pandemia, o jeito foi adequar a vida ao “novo normal” em várias áreas. No amor não é diferente e, por isso, casais de namorados ...

A arquiteta Taís Feu e o psicólogo Iago Teixeira decidiram morar juntos durante a pandemia e adotaram a cachorrinha Flora na última semana

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Em tempos de pandemia, o jeito foi adequar a vida ao “novo normal” em várias áreas. No amor não é diferente e, por isso, casais de namorados decidiram antecipar a vida de casados e estão morando juntos, em plena quarentena, para enfrentar o período de distanciamento.

Geralmente, são pessoas que dividiam a antiga casa com familiares ou que pertencem ao grupo de risco para a Covid-19. Elas até tinham vontade de juntar as escovas de dentes, mas não tiveram oportunidade, até então.

A arquiteta Taís Feu e o psicólogo Iago Teixeira decidiram morar juntos durante a pandemia e adotaram a cachorrinha Flora na última semana (Foto: Kadidja Fernandes/AT)A convivência mais intensa, 24 horas dentro de casa, fortalece o casal, mas o relacionamento pode se tornar um fracasso se não houver parceria, compreensão e respeito à individualidade do outro, dizem especialistas.

Morando juntos desde o início da quarentena, em março, a arquiteta Taís Feu e o psicólogo Iago Teixeira, ambos de 26 anos, experimentaram várias fases da convivência a dois.

Eles namoram há um ano e sempre estavam juntos nos finais de semana. Com a pandemia, o casal decidiu que seria mais seguro se Iago, até então morando na Serra com um amigo, se mudasse para a casa de Taís. Ela já morava sozinha em Vitória, cidade onde os dois trabalham.

“Resolvemos morar juntos por causa do perigo em ficar transitando neste momento de pandemia. Nos primeiros dois meses, foi bem difícil, porque surgiram as discussões. Antes, a gente só tinha o final de semana para estarmos juntos. Aí não perdíamos tempo brigando”, contou Taís.

A arquiteta revelou que só depois que eles conversaram, estabeleceram uma rotina e entenderam os gostos e manias de cada um, a relação ficou mais estável e harmoniosa.

“A gente se entendeu. O Iago é mais equilibrado e eu, mais estourada. Eu sou ligada no 220V e ele no 110V. Ainda não decidimos se vamos continuar morando juntos quando tudo isso passar, mas uma coisa é certa: seria terrível enfrentar esse período de distanciamento social sozinha”, destacou Taís.

O casal contou que, para evitar a monotonia em casa, decidiu adotar a cachorrinha Flora, na última semana. Os dois se dividem nas tarefas para cuidar dela.

A professora Lorhayne Paganini, de 27 anos, e o técnico de segurança do trabalho Maciel Casotto, de 31. (Foto: Kadidja Fernandes/AT)Juntos após seis meses de namoro
A professora Lorhayne Paganini, de 27 anos, e o técnico de segurança do trabalho Maciel Casotto, de 31, decidiram antecipar os planos de morar juntos por causa da pandemia de Covid-19.

Ela morava em Fradinhos, Vitória, mas se mudou para a casa do namorado, que fica em Aracruz, no Norte do Estado.

“Morar juntos já era um plano nosso. Como Vitória está com índice de contágio alto, decidi me mudar para Aracruz. Foi tudo acontecendo, sem muito planejamento. Namoramos há seis meses e moramos juntos há quatro”, comentou Lorhayne.

Companhia para enfrentar os desafios

A universitária Sara Cruzio, de 24 anos, e Douglas Vetis, de 27. (Foto: Kadidja Fernandes/AT)A universitária Sara Cruzio, de 24 anos, e Douglas Vetis, de 27, são só amor nesse período de quarentena. O casal namora há cinco meses e mora junto, em Vitória, há dois meses.

Sara contou que eles fazem companhia um para o outro e dividem as tarefas de casa.

“O maior desafio para mim foi aprender a ter alguém em casa, porque eu já morava sozinha em Vitória para estudar. Minha família é de Colatina. Ter o Douglas aqui comigo está deixando os meus dias mais leves para enfrentar esse período difícil. A gente conversa e ouve música. É muito bom”, disse Sara.

Mudanças em Relacionamentos

Estudo, amor e trabalho juntos

Do namoro a distância para a convivência 24 horas por dia. Foi assim que evoluiu o relacionamento da fonoaudióloga Bárbara Reis, de 25 anos, e do professor Raphael Duarte, de 29. Ele morava em São Mateus, Norte do Estado, e ela, em Cariacica.

Bárbara Reis e Raphael Duarte estavam procurando república e acabaram encontrando um apartamento (Foto: Leone Iglesias/AT)Durante pouco mais de um ano de namoro, os dois se viam de vez em quando, por causa da correria do trabalho e dos estudos, mas já estavam com planos de morarem juntos, desde que Raphael passou em um concurso público em Vitória e decidiu fazer uma nova graduação na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Com o mestrado na Ufes, Bárbara passou a procurar apartamento para os dois, próximo à universidade, sem sucesso. “Foi então que comecei a procurar vaga em república para mim e para ele, porém apareceu o apartamento e começamos a levar nossas coisas em março, bem quando começou a quarentena. Daqui, não saímos mais”, afirmou a fonoaudióloga.

O casal ainda está em fase de adaptação, mobília e pintura da casa nova.

“É uma reforma na casa e na vida. Morávamos com nossos pais, não tínhamos que nos preocupar com contas e tarefas de casa, além da convivência intensa. Tem sido um momento de muito aprendizado”, avaliou a fonoaudióloga.

Segundo a psicóloga Cássia Rodrigues, se os namorados passaram a morar juntos já configura casamento. Não está formalizado conforme a ética e a moral, mas o compromisso é o mesmo, diz.

“É preciso ter fidelidade, lealdade e comprometimento com o outro. Mas vale ressaltar que este período de pandemia é um momento desgastante. Por isso, o casal precisa ser maduro, ter maturidade. As briguinhas são normais, discordar de ideias é um processo natural de toda relação. Casamento é dia a dia”, ponderou.

Para o psicólogo Breno Rosostolato, a decisão de ir morar juntos tem de partir dos dois, e ambos precisam ter o compromisso de cuidar um do outro.

“Ficar juntos tem de fazer sentido para os dois, para crescer, amadurecer e positivar esse amor e sentimento. Viver juntos é um desafio, independente de pandemia, e é importante que haja o diálogo. O parceiro tem de expor para o outro aquilo que sente, dar nome aos seus afetos”, destacou Breno, afirmando, também, que o companheirismo é peça-chave.

Sonho antecipado

Advogada Iraciara Massariol, de 32 anos, e o  promotor de vendas Eduardo Massariol, de 24. (Foto: Marcella Borsodi)O sonho de morar juntos, após a cerimônia de casamento no religioso, foi antecipado para a advogada Iraciara Massariol, de 32 anos, e para o promotor de vendas Eduardo Massariol, de 24.

Em maio, deste ano, após o casamento civil, eles já começaram a conviver como casados. Já a cerimônia na igreja, que aconteceria no próximo dia 18 de julho, teve de ser adiada para dezembro.

“A convivência a dois, sem poder sair de casa, é, por si só, difícil. Nós só vemos um ao outro todos os dias. Começar um casamento durante um isolamento social é um grande desafio”, disse Iraciara.


Dicas para enfrentar a quarentena a dois


Respeitar o espaço um do outro

Individualidade
> O casal precisa entender e também respeitar a individualidade um do outro.
> Vale tirar um tempo para fazer sozinho aquilo que gosta, mesmo em casa, em outro cômodo.

Relação
> Mesmo morando juntos, é preciso manter a chama do primeiro amor acesa.
> A essência do namoro não deve se perder.

. Diálogo
> Conversar sobre tudo e respeitar a opinião do outro.
> É preciso evitar palavras agressivas neste momento de confinamento em que o casal passa muito tempo junto. Ter zelo e cuidado com a relação é essencial.

Divisão de tarefas
> É fundamental que as tarefas domésticas sejam divididas neste período de quarentena, para que um não fique mais sobrecarregado que o outro e isso cause frustração, irritação e brigas.

Aparência
> Não é por que o casal está dentro de casa que pode se descuidar da aparência. É preciso cuidar do cabelo, da barba, das unhas, etc. Assim, o casal se sente bem externamente e reflete o momento de bem-estar.

Ansiedade
> O casal pode fazer atividades junto, para espantar a ansiedade. Cozinhar, ver filmes e se dedicar a trabalhos manuais podem ajudar.

Fonte: Especialistas e pesquisa AT.

O QUE ELES DIZEM

Cássia Rodrigues e Breno Rosostolato, psicólogos  (Foto: Divulgação)

“Este período de pandemia é um momento desgastante. Por isso, o casal precisa ter maturidade”, Cássia Rodrigues, psicóloga

“Ficar juntos tem de fazer sentido para os dois, para crescer, amadurecer e positivar esse amor”, Breno Rosostolato, psicólogo

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