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“Quero continuar a dirigir até os 100 anos”, diz aposentado

Edimar Cardoso Binotti, de 92 anos, é motorista há quase 53 e renovou recentemente sua carteira de habilitação

Edimar Binotti disse que os carros hoje são bem mais seguros e confortáveis, além de produzirem menos barulho

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Meio século nas estradas. Morador da Mata da Praia, o aposentado Edimar Cardoso Binotti, de 92 anos, é motorista há quase 53 anos e não pensa em pendurar as chaves do carro. No dia 15 de abril, ele renovou a sua habilitação e contou que quer dirigir até os 100 anos.

Tudo começou quando Edimar tirou a sua primeira carteira de habilitação, em 1969. De lá para cá, ele já dirigiu mais de sete carros diferentes e já perdeu a conta de quantas vezes renovou a sua habilitação.

“Eu gosto muito de dirigir e não penso em parar. Quero continuar até os 100 anos”, afirma.

Uma das suas motivações para continuar dirigindo é o fato de que, segundo ele, a educação no trânsito melhorou muito. 

Com tanta experiência no volante, Edimar afirma que mesmo com os problemas existentes atualmente, andar de carro nos dias de hoje é bem mais tranquilo.

“Hoje melhorou bastante, apesar de ter mais carros na rua. O motorista atual é mais solidário e respeita mais. Antigamente, a fiscalização era menor, tinha mais guardas de trânsito desonestos. Isso sem falar das barbaridades que aconteciam antes, como motoristas que dirigiam bêbados, sem usar cinto de segurança, sem nem saber dirigir”, relembra.

Edimar também identifica que a melhora no trânsito em relação a sua época também tem relação com a melhoria na qualidade dos veículos e também com a presença de mais sinalização, principalmente para idosos.

“Hoje, os carros são bem mais seguros e confortáveis, além de produzirem bem menos barulho e poluição do que na minha época. Fora isso, antigamente as estradas eram bem piores, quase não havia sinalização direito”.

Quando perguntado sobre a idade dele, Edimar afirma que não é um problema para dirigir e ressalta que entende os seus limites para continuar na estrada por mais tempo.

“Eu já viajei para fora do Espírito Santo, como para Belo Horizonte e Rio de Janeiro, mas hoje só dirijo por aqui em Vitória. Quanto a minha idade, eu não me acho idoso. Para mim, a vida do homem está no calcanhar e na cabeça. No dia que eles não funcionarem mais, aí já era. Enquanto isso não acontece, eu não vou parar”, avisou.

Trânsito tem 195 mil idosos

Segundo o Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran/ES), atualmente são mais de 195 mil pessoas habilitadas com idade acima de 64 anos, faixa etária considerada a do idoso.

Para a diretora técnica do Detran, Édina de Almeida Poleto, a presença de idosos como Edimar nas estradas brasileiras é um retrato de um novo perfil de pessoas nessa faixa etária.

“Isso acontece não só no trânsito. São pessoas mais ativas, com mais capacidade na parte de tecnologia. O trânsito está envelhecendo, assim como a população no geral”.

Para Édina, o perfil dos motoristas acima dos 64 anos é caracterizado por mais cautela. 

“Por conta da diminuição dos reflexos, dirigem com muito mais cautela que os mais jovens. Eles se envolvem bem menos em acidentes de trânsito que os mais novos. É mais comum que eles sejam as vítimas nessas situações”.

Segundo ela, não há no Código de Trânsito Brasileiro um limite de idade para continuar dirigindo. Contudo, é necessário que o próprio idoso e sua família saibam qual é o momento certo para parar. 

“O corpo não acompanha a mente. Por isso, é preciso ficar atento quando chegar no momento em que dirigir se torna um risco para a vida dessa pessoa”.

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