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O Espírito Santo teve um aumento recorde de cerca de 19% nos nascimentos de gêmeos. Entre os motivos que elevam as chances de gestações de múltiplos estão os tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV) e a inseminação artificial, apontam médicos.
O recorde foi registrado entre 2010 e 2020. No início da década passada, foram 953 gêmeos nascidos vivos no Estado, enquanto que, em 2020, o número chegou a 1.134, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Dados da Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida (RedLara) atestam a liderança do País nos métodos de reprodução assistida em toda a região.Em 25 anos, nasceram 83 mil bebês brasileiros por meio de tratamentos de reprodução.
Médicos explicam que, nesses procedimentos, há até 9% de chance de se ter uma gravidez gemelar (gravidez de mais de um feto), superior à forma convencional, que é de 5%.
Segundo a ginecologista e obstetra Anna Carolina Bimbato, quando se induz uma ovulação, pode-se recrutar mais óvulos do que uma ovulação natural, o que faz aumentar a chance de uma gravidez de gêmeos.
A mesma observação é feita pelo ginecologista e obstetra Paulo Batistuta Novaes. “Procedimento de fertilização assistida é um método bastante consolidado. Nesse processo, é comum ter filhos gêmeos, diferente de quando é da forma convencional, onde a chance é menor”, explica o médico.
Como o foco dos tratamentos para fertilidade tem mudado para apenas um bebê por gravidez, o índice de gestação de gêmeos pode começar a cair, de acordo com o médico Carlyson Moschen, especialista em Reprodução Assistida da clínica Unifert.
“Antigamente, se transferiam mais embriões, para ter mais chances de fecundação. Hoje, cada vez mais, se transfere apenas um, não afetando as chances de engravidar nesse método, que pode ser de até 50%, dependendo da mulher. Tem havido melhorias nos índices de sucesso”, cita.
As técnicas de reprodução assistida avançam tanto que, atualmente, é possível selecionar os embriões mais saudáveis e melhorar a efetividade dos procedimentos, aponta o especialista.
“Após tratamento, tive trigêmeos”
O casal Gina Denadai Mayer, de 41 anos, e Carlos Augusto Mayer, de 43, tentou uma gestação natural por anos. Após consultas e exames médicos, descobriu-se que Gina possui baixa produção de óvulos.
Eles buscaram, em seguida, a indução de ovulação e tiveram o primeiro filho, Davi, de 4 anos.
Na segunda gestação, realizaram novamente o tratamento e se surpreenderam: desta vez, tiveram os trigêmeos Anna, Lucas e Sarah, de 3 anos.
“Quando deu positivo na ultrassonografia, vimos que eram trigêmeos. Só Deus explica o que aconteceu. Precisei de tratamento para a gravidez e, depois, consegui ter trigêmeos”, diz Gina.