Por determinação da Justiça, a Samarco iniciou hoje as obras emergenciais de construção de um canal, chamado de extravasor, que terá a função de drenar o excesso de água da lagoa Juparanã que está represada há cerca de 20 dias, causando prejuízos aos moradores ribeirinhos e diversas propriedades rurais de Linhares e Sooretama, no Norte do Estado.
Ela deverá ser concluída no prazo de 25 dias, conforme acordo com o juiz da 3ª Vara da Fazenda Pública de Linhares, Thiago Albani Oliveira, em audiência de conciliação que julgou a Ação Civil Pública contra a mineradora Samarco, movida pela prefeitura de Linhares e o Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
A inundação foi provocada pela construção de um barramento no Rio Pequeno (canal que liga a lagoa ao Rio Doce) com o objetivo de impedir a entrada da água contaminada pelos rejeitos de minério da Samarco no Rio Pequeno, após a tragédia de Mariana (MG).
A cheia da segunda maior lagoa natural do País provocou uma grande inundação na região, fazendo com que a lâmina d’água da Juparanã já esteja mais de 4,5 metros acima do seu nível normal.
Para conter a inundação, a Fundação Renova instalou equipamentos para o bombeamento do excesso de água nas imediações da barragem, no Rio Pequeno. “Devido às chuvas, a bacia do Rio São José, que abastece a Lagoa Juparanã, recebe em média 37 mil litros de água por segundo.
Mas os equipamentos instalados pela Renova têm capacidade de bombear apenas 600 litros por segundo. Com a barragem, não há para onde escoar tanta água acumulada e o extensor é a solução imediata e paliativa. A medida mais eficiente é a construção de uma barragem definitiva e com comportas”, sugere o secretário.
Ele acrescentou ainda que a Justiça também determinou a análise técnica sobre a sustentação da ponte sobre o Rio Pequeno, na rodovia ES-245 (Linhares-Rio Bananal) que fica logo abaixo da barragem, além da construção de enrocamento de pedras (maciço composto por blocos de rocha compactados e amarrados) na base da estrutura para evitar erosão ou risco na estabilidade da ponte.
O OUTRO LADO
Por meio de nota, a Fundação Renova esclareceu que o barramento foi construído em função de uma ordem judicial. Informou ainda que as já tiveram início.
“Desde quinta-feira (15) a Fundação Renova está transportando todo material que será utilizado na obra, para um local mais próximo ao barramento, já que a água cobriu a via de acesso, impedindo o trânsito de máquinas pesadas. Estas máquinas que serão utilizadas na obra já estão à disposição para dar sequência aos trabalhos. A adequação de acesso e área no seu entorno estão em andamento”.

