O cenário ao longo do Rio Doce tem chamado a atenção por conta dos bancos de areia cada vez maiores na região de Colatina, no Noroeste do Estado. A escassez de chuva deixou o nível do rio mais baixo, provocando o problema.
Segundo a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), as vazões dos rios no Espírito Santo estão com um volume 50% abaixo da média histórica.
No caso do Rio Doce, mais de 70% de sua bacia é em Minas Gerais, que vem sofrendo ainda mais com a falta de chuva.
A última atualização do Mapa do Monitor de Secas do Estado, coordenado pela Agência Nacional de Águas, feita no mês de junho, aponta que houve aumento da área de seca fraca no Espírito Santo.
Professor de Ciências Biológicas da Universidade Vila Velha (UVV) e pesquisador em ecotoxicologia, Levy Gomes explicou que o Rio Doce tem um ciclo anual que envolve dois períodos: o de seca e o de chuva. O período chuvoso coincide com o verão, e o seco, com o inverno.
“É natural que apareçam bancos de areia durante este período de seca. Há anos em que aparecem mais, e outros, menos. Depende do quanto chove”, disse.
Ele acrescentou que, este ano, teve uma seca abaixo do esperado. “Há também os fatores agravantes. A bacia é bastante degradada. Muita areia e argila vão para o rio durante o período chuvoso, por conta do desmatamento do solo em volta do rio. O mau uso do entorno da bacia contribui muito para esse problema”, salientou.
Levy ainda ressaltou que os bancos de areia podem afetar a captação de água e que é preciso criar uma condição mais natural da bacia, recuperando a área de mata no entorno da bacia.
A estudante de Direito Henza Bergami Alves, de 21 anos, moradora de Colatina, conta que a situação preocupa moradores. “A presença de areia no rio é tão grande que parece que dá para andar pelo Rio Doce. Isso não é normal”, relatou.
A Prefeitura de Colatina informou que o monitoramento do Rio Doce é realizado rotineiramente. Também esclareceu que a vazão do rio não interfere no fornecimento de água para o município e que, mesmo com bolsões de areia ou nível baixo de água, não há risco de falta de abastecimento.
Desmatamento também causa problema
Escassez de chuva
- Por conta da falta de chuvas no período de inverno, as vazões dos rios no Estado estão com volume 50% abaixo da média. No caso do Rio Doce, mais de 70% da bacia é em Minas Gerais, que sofre mais intensamente os efeitos da falta de chuva.
- Com o nível do Rio Doce mais baixo, começaram a aparecer bancos de areia cada vez maiores na região de Colatina, Noroeste do Estado.
- O desmatamento da área rural próximo do Rio Doce também contribui para o aparecimento de bancos de areia, uma vez que o solo cede durante períodos chuvosos, levando areia e argila para o rio.
- O risco é para a captação da água para a população, já que os bancos de areia podem atrapalhar.
- A prefeitura de Colatina informou, porém, que monitora o nível de água do Rio Doce e que, mesmo com bolsões de areia ou nível baixo de água, não há risco de falta de abastecimento no município.
- Disse ainda que só precisou fazer um novo canal para conduzir a água no bairro Colúmbia.
Fonte: Prefeitura de Colatina, Agerh e especialista consultado.
