
Para falar sobre o assunto, o empreendedor social Fábio Silva, de 40 anos, que mora em Recife, Pernambuco, conversou com a reportagem de A Tribuna.
Ele é idealizador da plataforma Transforma Brasil, inédita no País, que faz a ligação entre quem quer ajudar com quem precisa de ajuda, e da ONG Novo Jeito, especializada em mobilizações sociais.
O empreendedor social falou sobre a importância das pessoas se engajarem em causas sociais e sobre como ser um voluntário aumenta as chances de fazer amigos verdadeiros, além de melhorar a carreira profissional.
“Quando há um engajamento em causas sociais, as pessoas desenvolvem melhores relacionamentos e constroem amizades verdadeiras. Elas também passam a ter um melhor desempenho profissional, pois aprendem a conviver em sociedade. Raramente, quem é voluntário terá um comportamento que prejudique seu colega de trabalho”, afirmou.
A Tribuna – Quem era o Fábio antes de ser um empreendedor social?
Fábio Silva – Era um empresário bem-sucedido, CEO de uma empresa ligada à área de clínicas odontológicas. Eu não tinha uma agenda física e fazia parte dos 96% da população brasileira que não fazem nada pelo próximo. Apenas cuidava da minha vida.
Quando aconteceu sua mudança de vida?
Em 2010, aconteceu uma enchente em Recife em que 70 mil pessoas foram afetadas. Junto com um grupo de amigos, ajudamos aquelas pessoas. Começamos, a partir daí, a fazer ações e nos tornamos uma ONG social, a Novo Jeito, em que construímos creches, furamos poços no sertão, entre outras ações.
Em 2013, fui para os Estados Unidos, a convite do Departamento de Estado Americano e vi que podia ser um empreendedor social. Mudei a minha vida.

Sim. Entendi que um empreendedor social tem um olhar para diagnosticar problemas sociais e ele constrói soluções para resolver esses problemas.
Preciso trabalhar para que todos tenham acesso à educação, infraestrutura, cidadania, higiene, moradia, comida, além de amor. Não basta apenas esperar do governo. Temos de fazer a nossa parte. Por isso, a ONG e a plataforma foram criadas.
Então, como se pode definir o voluntariado?
Podemos definir como uma cultura e um estilo de vida. É entender que tenho uma missão. É colaborar com a mudança que quero ver no mundo. O voluntário não sai dos problemas, mas ele é a solução dos problemas.
Em um primeiro momento, você vai colaborar com a vida de alguém, mas vai perceber que está ajudando sua própria vida. Minha ação passa a se pautar no próximo, e não apenas em só fazer o bem, mas em me colocar no lugar das pessoas.
O brasileiro é engajado nessa causa?
O brasileiro não tem essa cultura. Isso não é ensinado na escola, na família ou na igreja. Muitos não ajudam porque não sabem como ajudar.
Quando acontecem ações de Natal, para arrecadar alimentos, roupas ou presentes, as pessoas ajudam.
O que precisamos é transformar todos os dias em Natal, pois à medida que você vive essa experiência, mais você se interessa pelo assunto. Esse é um dos motivos de criarmos a plataforma Transforma Brasil. Lá, as pessoas podem se cadastrar e encontrar um local próximo a sua residência que precisa de ajuda.

Segundo levantamento da agência americana de voluntariado, os profissionais que já se engajaram em alguma iniciativa voluntária têm 27% mais chances de conseguir emprego do que aqueles que nunca tiveram experiência semelhante.
O mercado de trabalho começa a reconhecer o voluntariado como um diferencial na carreira profissional. Se eu tiver um colaborador com engajamento cívico, ele, com certeza, terá um senso de justiça, de ética e de amor ao próximo. Muitas empresas escolhem seus candidatos por meio dos seus serviços sociais.
As relações sociais também são beneficiadas?
Muito. Quando há um engajamento em causas sociais, as pessoas desenvolvem melhores relacionamentos e constroem amizades verdadeiras.
Elas também passam a ter um melhor desempenho profissional, pois aprendem a conviver em sociedade. Raramente, quem é voluntário terá um comportamento que comprometa seu colega de trabalho.
