
A partir de agora, vão testar o efeito em adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos.
Ao todo, 16 países estão envolvidos em testes de desenvolvimento e aplicação da medicação. São 60 centros espalhados pelo mundo, sendo seis universidades no País.
Criada pela empresa Johnson & Johnson, a novidade já foi liberada pela agência americana de medicamentos (FDA, na sigla em inglês) para tratamento de depressão resistente – mais grave – nos Estados Unidos.
De acordo com o psiquiatra Lucas Quarantini, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o spray nasal de escetamina melhora os sintomas da depressão, como tristeza e perda de prazer patológica. Outro efeito provável, segundo ele, é o de reduzir o impulso e o pensamento suicida.
“É uma nova classe de antidepressivo, o primeiro de ação rápida. Chega a ter uma eficácia notável já na primeira hora após o uso. Destaca-se porque todas as demais têm uma eficácia que ocorre a partir dos primeiros 15 dias de uso”, explicou o especialista.
Testes
Quarantini disse que mais de 100 pessoas foram submetidas ao medicamento no Serviço de Psiquiatria do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos, da UFBA, e que o resultado foi satisfatório.
“Quando utilizado em uma única dose, a resposta terapêutica chega a 50% dos casos. Ao final de oito aplicações, a resposta positiva atinge cerca de 85% das pessoas”. Segundo ele, o spray é para uso hospitalar e ainda não foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O professor explicou que há uma expectativa de que a liberação ocorra até o ano que vem. “O uso dele é exclusivo em ambiente hospitalar, sob observação, pois um dos principais efeitos adversos é o aumento da pressão arterial”, alertou.
Ele disse ainda que o spray só é indicado para pacientes que já tiveram duas falhas no tratamento, e que a sua indicação não anula o uso contínuo do remédio convencional. ”O spray deve ser usado como um potencializador”, disse.
“Efeito provável é o de reduzir o pensamento suicida”
A Tribuna – Qual a participação do Brasil na pesquisa?
Lucas Quarantini – A gente está desenvolvendo um estudo para comprovar a eficácia da medicação. Os dados e testes estão sendo desenvolvidos para ter evidencia clara da eficácia e segurança do medicamento. Já para ser aprovada para uso no âmbito nacional, tem de, obrigatoriamente, passar pelo crivo de aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Como é feita a aplicação do spray nasal?
Ele é utilizado nas narinas, semelhante a uma solução fisiológica ou um descongestionante
nasal. No entanto, não é um remédio para fazer uso doméstico, devido ao risco de elevação arterial. O medicamento também pode provocar alteração de consciência. Em razão disso, o seu uso tem de ser assistido.
Para qual paciente o remédio é indicado?
Será indicado para pacientes com o quadro de depressão resistente, ou seja, quando forem constatadas falhas terapêuticas prévias e repetidas, em casos mais graves. Vale ressaltar que essa medicação não é usada isoladamente. Precisa estar em uso do antidepressivo oral convencional. Ou seja, o spray é usado em conjunto, para potencializar o efeito do antidepressivo.
Quais são os efeitos?
Primeiro, a resposta do medicamento é rápida na melhora do humor, da energia e percepção de bem-estar. Também nos sintomas nucleares da depressão, como tristeza e perda de prazer. Outro efeito provável do spray é o de reduzir o pensamento suicida.
Testes com adolescentes
A pesquisa
- O Estudo realizado no Serviço de Psiquiatria do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), está testando o novo medicamento contra a depressão resistente.
- mais de 100 pessoas foram submetidas ao medicamento. A partir de agora, os testes serão feitos com adolescentes de 12 a 17 anos.
- Ao todo, 16 países estão envolvidos em testes de desenvolvimento e aplicação da medicação. São 60 centros no mundo, sendo seis universidades no País.
O medicamento
- O spray nasal de escetamina, desenvolvido pela Janssen – empresa farmacêutica internacional da Johnson & Johnson –, foi aprovado pela FDA, agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA.
- No Brasil, o medicamento ainda não tem data para ser comercializado, mas a expectativa é que esteja no mercado em dois anos.
- Segundo a Janssen, que busca a liberação do medicamento no Brasil, a escetamina é um modulador do receptor NMDA do glutamato, que ajuda a restaurar as conexões nas células cerebrais em pessoas com transtorno depressivo maior.
Fonte: Farmacêutica Janssen e UFBA.
