Uma tarefa passada numa escola mineira em função do Dia da Consciência Negra, celebrado no último sábado, dia 20, repercutiu na web por pedir que os alunos usassem palha de aço para representar cabelo afro num desenho. A informação foi passada pelo site O Globo.
A atividade prática, datada desta segunda-feira, foi entregue a uma turma do 3º ano do ensino fundamental da Escola Maria Azevedo Costa, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), em Ribeirão das Neves (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
“Dia da Consciência Negra, cole bombril no cabelo”, dizia o enunciado do dever escolar, que gerou polêmica entre parentes dos estudantes.
Nas redes sociais, críticas à comparação entre palha de aço e cabelo afro não são uma novidade e, com o Dia da Consciência Negra, a temática foi reforçada por postagens que caracterizam esta percepção como racista.
Numa família de negros e indígenas, nasci com cabelo crespo, lábios grossos, nariz largo… e pele branca. Nunca falaram do meu "cabelo bombril" nem do nariz largo. Óbvio: Tenho pele branca. Não é cabelo, nariz ou boca: É a cor da pele que dita a visão de gente preconceituosa. pic.twitter.com/l1HMH1yd62
— jurídico da Chris Milk 🥛 (@chrismilk)
Essa semana eu soube que algumas colegas de profissão mais antigas usavam Bombril para representar o cabelo da mulher negra nas atividades artísticas. O racismo esta impregnado em tudo, o mais duro é que as pessoas reconhecem que o racismo existe, mas não se consideram racistas!! https://t.co/NVl0UInU8X
— Neto (@NetoGomes104)
O Globo informou ainda que, ao portal “Bhaz”, a professora responsável pela atividade, Luciana Silva, afirmou que enviou a cópia da tarefa por WhatsApp aos responsáveis dos alunos, considerando que as aulas ainda ocorrem remotamente. Ela explicou que seu objetivo “foi valorizar a cultura negra e afrodescendentes com suas características”.
“Com isso quis demonstrar para os meus alunos que o tipo de cabelo e ou a cor da pele não pode ser referência para dar oportunidades, bem como todos somos iguais independente das características”, disse.
Diante das críticas que recebeu, a docente pediu desculpas e reforçou que não teve intenção de despertar “uma impressão de preconceito”.
A instituição foi procurada pela reportagem nesta terça-feira para comentar a controvérsia por seus números de telefone disponibilizados online, mas as ligações não foram atendidas.