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Nem sempre uma gravidez é marcada apenas por alegrias e tranquilidade. Fazer os exames de ultrassom já causa certa apreensão nas mães. Quando o teste identifica uma anormalidade, há casos em que é preciso a interferência médica para que o bebê consiga se salvar.
Com o avanço da tecnologia na medicina, médicos do Estado dão uma nova esperança a bebês com doenças congênitas (presentes desde a gestação) ou que, logo após nascerem, apresentam alguma enfermidade e, já nos seus primeiros dias, enfrentam o limite entre a vida e a morte.
O cardiologista intervencionista Vinicius Fraga Mauro, especialista em cardiopatias congênitas, realiza cirurgias em bebês no Vitória Apart Hospital e no Hospital Santa Rita. Entre seus pacientes, estão os prematuros e recém-nascidos, com doenças congênitas.
O médico explica que existem diversas dessas doenças e, por isso, os riscos de complicações variam de acordo com a gravidade do quadro clínico.
As técnicas médicas de intervenção, no entanto, segundo ele, tiveram “um avanço absurdo” nos últimos 20 anos e permitem melhorar a vida de crianças com tais doenças.
“O risco de morte era maior. Não tínhamos ferramentas para dar diagnóstico. O pré-natal era muito mais precário e as condições da população eram piores”, cita.
O médico explica que, entre as ferramentas existentes atualmente, estão os aparelhos de imagem.
“Temos ultrassom, exames que avaliam o líquido amniótico e exames que avaliam a parte genética dos cromossomos da criança. Além dos aparelhos, os médicos são mais treinados e conseguem dar um diagnóstico mais precoce”.
De acordo com o especialista, ainda é possível, caso surja uma dúvida diante do ultrassom, ser realizado um ecocardiograma fetal. “É um exame feito por um cardiologista pediátrico. Esse exame vai olhar só o coração do feto. Com isso, temos como nos programar para receber esse bebê”, afirma.
“Nesses casos, o parto é feito em um hospital que tenha retaguarda de UTI pediátrica, com uma equipe e toda estrutura. Antes, sem essa estrutura, a criança morria”.
Diagnóstico ainda no útero
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O cirurgião cardiopediatra Rafael Aon Moysés, que realiza cirurgias e trata de crianças com doenças cardíacas congênitas ou adquiridas no Estado, explicou que o diagnóstico para essas enfermidades é feito por meio do ecocardiograma fetal, quando o bebê ainda está na barriga da mãe.
“Quando a criança nasce, a equipe estará preparada para dar todo o suporte necessário para melhorar o prognóstico do paciente. Muitas vezes, a criança precisa ser operada logo nos primeiros dias de vida. Outras vezes, conseguimos, por meio de medidas clínicas, esperar para que ela seja operada depois”.
De acordo com o médico, cada vez mais cedo, são realizadas as cirurgias corretivas.
“Mas existem ainda algumas patologias em que fazemos a cirurgia paliativa para, depois, serem feitas mais cirurgias”, salienta.
O cirurgião lembra que já foram operados pacientes prematuros com 600 gramas. Segundo ele, na maioria das vezes, é possível que a criança operada leve uma vida normal ou muito perto da normalidade.
“Existem doenças cardíacas que, se não operarmos nos primeiros 10 dias de vida, não conseguimos fazê-lo depois. São cirurgias de alto risco em que, muitas vezes, temos de parar coração e pulmão para que possamos consertar dentro do coração”, explica.
Nova esperança com técnicas de ponta para tratar fetos
Tratar doenças quando o feto ainda está no útero materno já é uma realidade no mundo.
Médicos do Reino Unido têm conseguido dar esperanças em casos de vida ou morte de bebês que ainda nem mesmo nasceram, com o auxílio de tecnologia de ponta.
Entre os atendimentos realizado, estão a operação de um bebê que apresentava um tumor no pulmão e impedia sua plena formação dentro da barriga da mãe. O procedimento foi feito a laser e registrado pela rede britânica de TV BBC, conforme noticiou o portal G1.
O médico Basky Thilaganathan, diretor da Unidade de Medicina Fetal do Hospital St. George, no Reino Unido, explicou que foi colocada uma agulha muito fina dentro do tumor e disparado um laser para bloquear o vaso sanguíneo que estava alimentando a doença. Apesar dos riscos altos, a operação foi bem-sucedida.
No Brasil, há casos de bebês que já foram operados ainda no útero. São aqueles com mielomeningocele, também conhecida como espinha bífida aberta, que é uma malformação congênita da coluna vertebral da criança em que as meninges, a medula e as raízes nervosas estão expostas.
Segundo a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica, esse procedimento, chamado de cirurgia fetal, deve ocorrer, preferencialmente, antes da 26ª semana de gestação (6º mês).
O neurocirurgião Walter Fagundes opera as meningomieloceles ao nascimento. Segundo o médico, o ideal é que a cirurgia seja feita no dia do nascimento, mas se for realizada até 72 horas depois, não altera o resultado.
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Ele cita que, quando a cirurgia é feita ainda no útero da mãe, reduz a incidência de hidrocefalia (acúmulo de líquido no cérebro) e, em consequência, também a necessidade de outras cirurgias para tratar a hidrocefalia.
Segundo o neurocirurgião, a incidência do problema tem diminuído de maneira significativa nas últimas décadas, com o uso do ácido fólico de forma precoce em mulheres que desejam engravidar, uma vez que existe uma relação entre a deficiência de ácido fólico e a mielomeningocele.
SAIBA MAIS
Tratamento dentro da barriga da mãe
Cirurgia pediátrica
- É a especialidade médica responsável pelo tratamento clínico-cirúrgico de crianças com doenças congênitas ou adquiridas, do período antenatal até o fim da puberdade.
Os avanços
Diagnóstico
- Com o ultrassom, é possível diagnosticar anomalias e, a partir daí, pedir exames mais detalhados, como ecocardiograma fetal, um exame de imagem que utiliza ondas sonoras de alta frequência para avaliar a saúde do coração do bebê ainda no útero materno.
Anestesia
- A evolução da anestesia foi crucial para garantir o desenvolvimento de técnicas cirúrgicas em crianças recém-nascidas.
Alimentação parenteral
- Administrada por via intravenosa, a nutrição parenteral fornece parte das necessidades nutricionais diárias. É muito importante que não se suspenda a oferta nutricional que o recém-nascido recebia em sua vida intrauterina, quando precisa passar por procedimentos.
Cirurgia fetal
- No Brasil, há casos de bebês que foram operados no útero da mãe – reduzindo a chance de hidrocefalia – por terem mielomeningocele (espinha bífida aberta), uma malformação congênita da coluna vertebral da criança em que as meninges, a medula e as raízes nervosas estão expostas.
- No Reino Unido, médicos têm dado novas esperanças em casos de vida ou morte de bebês que nem nasceram, com auxílio de tecnologia de ponta.
- Foi tratado um bebê com tumor no pulmão. Os médicos usaram uma agulha muito fina dentro do tumor e dispararam um laser para bloquear o vaso sanguíneo que alimentava o tumor.
Fonte: Especialistas e pesquisa AT.