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Embora destaque que o suporte dos pais é importante no processo ensino-aprendizagem, o escritor, palestrante e mestre em Educação Marcos Meier reforça que é preciso desenvolver cada vez mais a autonomia dos alunos, sobretudo das crianças.
A Tribuna – Existe uma recomendação para que as escolas evitem a reprovação dos estudantes por causa da pandemia da covid-19. Qual a sua opinião?
Marcos Meier – Recomendar que as escolas não reprovem por causa da pandemia é muito complexo porque cada caso é específico. Por exemplo, tem escolas públicas e particulares que simplesmente deram conta do recado, conseguiram fazer atividades impressas, enviaram atividades para os alunos ou fizeram online quando as crianças tinham conexão, ou seja, se viraram.
E aí, o que acontece? Da mesma forma como antes da pandemia, tem o aluno que leva a sério e sempre tem aquele que não está nem aí.
Mas o que se faz com esse aluno que não levou a sério? Isso é um problema enorme porque se você pega uma criança que não aprendeu os conteúdos de todo o currículo do ano e envia para a série seguinte, o que vai acontecer? Vai ser pior ainda porque ela não tem os pré-requisitos, não aprendeu o suficiente nesse ano.
Então, a tendência de não reprovar, eu acho bastante complicada. No entanto, as pesquisas mostram que a reprovação não ajuda muito na visão que a criança tem sobre a educação.
Por quê?
Porque se ela reprova, ela desanima, desmotiva e acaba não estudando da mesma forma e vai reprovar novamente. A gente sabe que a reprovação não é uma boa solução, mas mandar algumas crianças para frente sem saber os conteúdos enquanto que as outras aprenderam também é uma questão bastante complexa.
Qual seria a alternativa?
Quem vai sofrer são as crianças de baixa renda, que não tinham acesso à internet, a computador, ou famílias pobres que têm computador, mas o pai ou a mãe precisavam estar trabalho e utilizando.
Isso mostra o grande abismo que existe entre os ricos e os pobres e novamente os pobres serão prejudicados. As escolas mais ricas, deram conta, as crianças aprenderam, estão indo para frente.
Diante disso, eu acho que essa ideia de recomendar a não reprovação deve ser analisada com carinho de forma individual. Obviamente, as escolas já têm feito, já tem evitado a reprovação, mas as consequências disso, infelizmente, vão aparecer.
No seu entendimento, é possível recuperar o déficit da educação acumulado na pandemia?
Eu acho que não tem o que recuperar. O tempo passou, a vida era mais importante do que a escola e continua sendo. Isso ficou para trás e acho que tem que tocar o barco daqui para frente da forma como está.
Costumo dizer nas minhas palestras qual a diferença de um jovem advogado, médico ou qualquer outra profissão se formar aos 21, 22 ou até mesmo aos 23 anos? Basicamente, a diferença é nenhuma em termos de qualidade, de profissionalismo.
Então, entre aspas, foi um ano perdido? Talvez tenha sido perdido, mas um monte de outras experiências foram adquiridas, já que a vida, as famílias são mais importante e isso foi preservado.
Qual a orientação aos pais na missão de minimizar os impactos acumulados na aprendizagem durante a pandemia?
A orientação que eu daria é que os adolescentes precisam estudar mais, ler mais. Isso vai ajudar muito no desenvolvimento e vai abrir a cabeça para que eles possam ir recuperando assuntos ou conceitos que ficaram para trás.
Já as crianças da educação infantil e das séries iniciais, elas realmente precisam do suporte dos pais. Quanto melhor for esse apoio, melhor elas vão na escola. Como deve ser esse apoio?
O suporte dos pais é importante, mas toda criança deve ter autonomia ao aprender. Muitos pais disseram na pandemia que tiveram que reaprender o conteúdo para poder ensinar para os filhos. Não é isso que deve acontecer. O apoio é incentivar, motivar, preparar o espaço para a criança estudar, ajudá-la a desenvolver o hábito de estudo e assim, proibir algumas coisas, como televisão, videogame, na hora que tem que estudar.
Todo esse apoio de entorno é fundamental para a criança poder aprender, mas o conteúdo, a aprendizagem é a criança com os livros, com a aula, com vídeos, com o professor. Mãe e pai ajudam a estudar, mas não ajudam nos conteúdos. É a própria criança que tem que aprender a ir atrás e construir o conhecimento.