
Uma nota de repúdio feita em conjunto pede que as atividades presenciais só voltem após a vacinação em massa da população. Articulado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o documento foi protocolado na Assembleia Legislativa do Estado.
Além do DCE, assinam o documento entidades como a Associação dos Docentes da Ufes, Sindicato dos Trabalhadores na Ufes, Conselho Nacional de Ensino Religioso do Estado e Representação Discente dos Conselhos Superiores do Instituto Federal do Espírito Santo.
A nota ressalta que o ciclo de imunização ainda não está completo no Estado e cita as novas cepas da Covid-19 que vêm causando o aumento significativo do número de morte de pessoas entre 18 e 40 anos.
Na Ufes, ensino remoto está confirmado até o fim do ano. Já o Ifes publicou uma nova resolução prorrogando as aulas online até o dia 31 de julho. Inicialmente, o prazo terminaria ontem.
Na resolução, o Ifes alega que muitos alunos e servidores não residem próximo às unidades, o que dificulta as atividades presenciais. Cita, ainda, que o percentual de pessoas imunizadas é pequeno.
Sem previsão de retorno, dizem instituições
Mesmo com a liberação das aulas presenciais, as reitorias da Ufes e do Ifes garantem que essa volta não é possível no momento.
Pró-reitora de Graduação da Ufes, Cláudia Gontijo diz que o desejo da universidade é retornar com as atividades presenciais, mas que diversas dificuldades estão no caminho para isso.
“Defendemos o ensino presencial. Queremos deixar o ensino totalmente remoto no passado, assim como a pandemia, mas agora não é possível”, afirmou.
De acordo com Cláudia, o Comitê Operativo de Emergência para o Coronavírus da Ufes, grupo formado por especialistas em várias áreas, especialmente da saúde, orientou para que o modelo online continue.
“Além disso, o orçamento da universidade caiu, o que impede uma série de modificações de infraestrutura necessária para o retorno seguro. O protocolo de segurança do Ministério da Educação define uma série de medidas, e para fazer, precisamos de um orçamento maior. Hoje, temos dificuldade até de pagar a limpeza”, ressaltou Cláudia.
A pró-reitora de Ensino do Ifes, Adriana Pionttkovsky, explicou que a prorrogação do ensino remoto também teve aval de um grupo formado por profissionais da saúde.
“Outras questões específicas do instituto, como as inúmeras localidades em que residem os estudantes e servidores, foram consideradas, já que tornam complexa a atividade de planejamento e de execução do retorno às aulas presenciais. E ainda há probabilidade de uma nova onda da doença”.
Já o secretário de Estado da Educação, Vitor de Angelo, reconhece que a melhora da qualidade para os alunos da rede pública passa pela retomada das aulas presenciais, mas com mudanças.
“Não podemos ir jogando para frente a solução do problema. Mas não é para voltar às aulas presenciais para fazer mais do mesmo. Precisamos repensar nossa metodologia. A perda de aprendizagem é mais rápida do que as nossas condições como escola pública de fazer frente a esses desafios. Mas precisamos pensar com urgência na aprendizagem”, ressaltou o secretário.