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Vai faltar profissionais de Matemática no País

Uma profissão classificada como versátil por especialistas do setor, com um bom mercado de trabalho, mas que forma poucos profissionais por ano. Esta ...

O professor e pesquisador Diego Henrique Carvalho dos Santos

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Uma profissão classificada como versátil por especialistas do setor, com um bom mercado de trabalho, mas que forma poucos profissionais por ano. Esta é a realidade do curso de Matemática, tanto no Estado quanto no Brasil. A alta demanda pode fazer com que falte este tipo de trabalhador no território nacional.

A professora Ana Claudia Locateli, do departamento de Matemática da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), afirmou que existe muita oferta na instituição. Porém, nem todos os alunos que ingressam conseguem se formar.

“Em geral, apesar de serem ofertadas muitas vagas, o numero de formandos não é igual. Muita gente fica pelo caminho, pode deixar o curso ou mesmo reprovar. Isso acontece por vários motivos, como a dificuldade que os alunos sentem, pois é um curso que exige muita dedicação”.

De acordo com dados fornecidos pela Ufes, em média, por ano, se formam 20 alunos no curso de Matemática: cinco no grau bacharelado e 15 em licenciatura. Os dados são referentes ao Centro de Ciências Exatas (CCE), em Vitória.

“Hoje em dia, o número de formandos dessa área não consegue atender toda a demanda. Então, já falta profissionais. Houve um grande esforço lá trás para atrair mais pessoas e por mais que tenha melhorado, ainda é muito longe o número de pessoas que o mercado precisa”, explicou Fabiano Petronetto do Carmo, professor de Matemática da Ufes.

Dados nacionais divulgados pelo jornal Valor Econômico mostram um pouco da realidade.

O Censo da Educação Superior, divulgado este ano pelo Ministério da Educação (MEC), apontou que nos últimos oito anos o Brasil manteve média próxima a 2 ingressantes e apenas 0,7 concluintes a cada 10 mil habitantes nos cursos superiores de Ciências Naturais, Matemática e Estatística.

Quem se forma em Matemática, segundo especialistas, pode atuar em diversas vertentes: tanto na área da educação, quanto na de pesquisas e na indústria. O mercado ainda demanda por profissionais com a formação para o setor de tecnologia, saúde, estatística, aeronáutica, engenharia e outros.

O salário, segundo especialistas, pode chegar a R$ 12 mil, a depender do cargo exercido.

“A percepção que eu tenho é que todo aluno que se forma é rapidamente absorvido pelo mercado. A gente observa que existe uma grande valorização desse profissional pela necessidade, pelo baixo número que existe”, disse Fabiano.

Paulo Martinelli, professor de Matemática da área de concurso público, destacou que a falta de profissionais se dará para as salas de aula e também para atuar em outras vertentes do mercado.

Bem-sucedido e realizado na área

Atuando no mercado como professor e pesquisador há oito anos, Diego Henrique Carvalho dos Santos, de 32 anos, afirmou se considerar bem-sucedido na profissão.

Ele destacou que desde o final da graduação passou a se interessar melhor pelo curso e que decidiu que gostaria de atuar lecionando.

O professor e pesquisador Diego Henrique Carvalho dos Santos (Foto: Beto Morais/ AT)

“Fui incentivado a fazer o mestrado já no final da graduação, assim que minha bolsa acabou, comecei a dar aula em faculdade. Eu me considero um profissional bem-sucedido e realizado na área”, afirmou.

Ele frisou ainda que, com o que ganha, consegue viver de forma confortável. Segundo Diego, uma das chaves para o sucesso é valorizar a forma de comunicação. “Isso faz uma grande diferença”.

Maioria dá aulas após a formação

A área da educação é a mais procurada por profissionais que terminam o curso de Matemática para ingressar no mercado de trabalho. Segundo os especialistas, apesar da profissão abrir um grande leque de possibilidades, a maioria dos formandos opta por lecionar.

“É uma formação muita boa, mas muita coisa não é aproveitada. Praticamente 99% das pessoas fazem o curso com a finalidade de dar aula. Só que um engenheiro ou economista, por exemplo, também podem dar aula de Matemática e isso é causa de evasão”, disse.

Ele explicou que, muitas vezes, um aluno interessado em lecionar opta por um curso considerado mais fácil.

“O nível da graduação de Matemática é maior, então a pessoa acredita que pode ter o mesmo resultado se formando em outra área e muda de curso”.

Para o professor de Matemática Fabiano Petronetto do Carmo, um dos motivos que leva o estudante a optar por dar aula é o histórico do curso. “A pessoa já inicia a licenciatura com esse pensamento, é uma questão histórica. Mas aos poucos ela descobre que existem outras .áreas com benefícios também”.

Entenda

  • A pessoa graduada em Matemática pode atuar em diversas áreas, como educação, pesquisa, indústria, saúde, aeronáutica, estatística, tecnologia da informação e outros.
  • Porém, mesmo com um mercado versátil, muitos alunos abandonam o curso antes mesmo de graduar. Com isso, falta profissional no mercado.
  • Na unidade de Vitória da Ufes, a média é de que 20 alunos se formem por ano: cinco em bacharelado e 15 em licenciatura.

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