Marcela Bucher Binda, 28 anos, é médica veterinária com mestrado em Fisiologia do Exercício Equino. Ela é a profissional responsável para recepcionar e avaliar os 200 animais que estão competindo na 11ª Exposição do Cavalo Mangalarga Marchador de Domingos Martins, que acontece até domingo (7).
Como recepcionista dos animais, são muitos os detalhes que ela precisa examinar. Parte do conhecimento adquirido foi na experiência da vida; outra parte, na faculdade. A chamada resenha, que trata das características ou particularidades físicas (identidade) do cavalo, inclui rodopio, filete, marcação a ferro, calçamento e pelagem. Esses fatores diferenciam um cavalo do outro.
Filha única e criada em Itaguaçu, no Noroeste do Estado, Marcela montou pela primeira vez aos 6 meses de idade. A paixão pelos cavalos vem de família, foi herdade do pai e do avô. Ela diz que ama os animais, mas não é criadora, embora possua 15 cavalos.
Uma das melhores lembranças da veterinária é de quando tinha 9 anos e possuía um cavalo chamado Hércules – nome dado por causa de um desenho animado –, que, segundo ela, a “seguia como um cachorro”. Hércules, que sempre pertenceu a Marcela, se aposentou e morreu na residência da família.
O sonho da veterinária sempre foi trabalhar com cavalos. Ainda não chegou ao patamar de autossustento, mas diz que está crescendo na profissão. Começou no ramo atuando com eventos e já está trabalhando na Associação dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador do Espírito (ACCMMES).
Custo mensal de R$ 2 mil para manter um cavalo
De acordo com veterinários que participam da 11ª Exposição de Cavalos Mangalarga Marchador, o valor para manter um cavalo de alta performance varia de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil mensais.
O cavalo de alto desempenho é igual a um atleta humano e é preciso ter todos os cuidados necessários: suporte veterinário, parte clínica nutricional, fisiologia e também fisioterapia.
“A gente trabalha para dar todo os suportes necessários para eles chegarem ao auge e atingirem o nível máximo de performance”, relatou o veterinário Victor Correa. Entre os cuidados estão feno de boa qualidade, suplementação, bom ferrador, shampoo, vacinas, remédios, tratamento ou manutenção dos cascos, entre outros.
Alimentação especial
Feno, alfafa e ração são indispensáveis na alimentação de um cavalo de raça e não podem ser dados de qualquer forma e nem a qualquer hora. A quantidade diária consumida vai depender de cada animal. Por mês, alguns veterinários gastam até 12 quilos na alimentação de um cavalo de raça.
O veterinário que cuida dos cavalos do Haras Porto Azul, Victor Correa, 31 anos, diz que não existe uma regra ou quantidade fixa de alimentos para os animais. “Depende do porte e também de cada situação, mas, em média, um cavalo que é treinado para ser campeão consome oito quilos de feno/alfafa, mais quatro quilos de ração concentrada mensalmente”.
