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Vida a dois: crise financeira faz aumentar casos de separação

Se por um lado o número de casamentos foi menor nos últimos seis anos no Estado, por outro, a realidade dos divórcios tem sido bem diferente. De 2014 ...

servidora pública Mayra Barcelos, 32 anos

Última atualização

Se por um lado o número de casamentos foi menor nos últimos seis anos no Estado, por outro, a realidade dos divórcios tem sido bem diferente. De 2014 até o ano passado, mais de 50 mil se separaram. E neste ano, outros 1.616 somam-se a essa estatística.

Mas o que pode estar por trás desse diagnóstico? Foi buscando essa resposta que a reportagem ouviu especialistas que lidam diretamente com essa realidade. A crise financeira foi apontada como um dos fatores que têm contribuído para o número de separações.

“A crise financeira, sem dúvida, interfere muito nas decisões. A crise financeira abala qualquer casal, principalmente quando o padrão de vida é alterado”, salienta a advogada Marcela Nunes de Souza.

Mas ela observa que a intolerância está muito atrelada às separações. Pela sua percepção, os pedidos partem na mesma proporção entre homens e mulheres.

“As separações, também, ocorrem em virtude da intolerância, da falta de companheirismo, da falta de respeito, como as traições que têm sido descobertas com mais facilidade, até mesmo pelas redes sociais”.

Mas engana-se quem pensa que o ponto final ocorre apenas depois de uma relação desgastada de anos. “Há casos em que, cinco meses, seis meses após o casamento, os casais já estão se separando”, contou.

Saiba mais: Vida a dois: número de casamentos no Estado é o menor em 6 anos

O advogado Raphael Coelho disse que a falta de dinheiro é um fator que acaba se transformando em um problema na vida do casal, principalmente entre jovens, quando não existe amor. “Os jovens que estão formando família hoje, estão mais intolerantes, têm dificuldades de convívio e isso se reflete diretamente na continuidade ou não dos relacionamentos”.

À frente da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-ES), a juíza Hermínia Maria Silveira Azoury lembra que a violência física e verbal leva à separação.

“Temos contabilizado que a violência doméstica é uma das causas de separação. Isso é muito preocupante. Os filhos que convivem com essa mazela estão fadados a reproduzir na idade adulta ou em outras idades, no trato com as pessoas, na normalização da violência. As marcas são indeléveis”, lamenta a magistrada.

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