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Segundos antes da casa de três andares desabar, em Flexal II, Cariacica, vizinhos ouviram um estalo vindo do terraço: eles avisaram ao aposentado José Laurindo Filho, de 79 anos, que saiu na varanda para olhar. Em seguida, o idoso disse que tinha acabado de fazer um café e foi pegá-lo na cozinha, momento em que a estrutura desabou.
O corpo dele foi encontrado após buscas feitas pelos bombeiros com o apoio de cães. Foi uma cadela da corporação que sinalizou o local onde o aposentado estava.
O marceneiro Marcelo Fonseca, de 59 anos, contou que estava na rua acompanhando o desentupimento do esgoto, no final da tarde de quarta-feira, 30, quando o filho dele ouviu o barulho semelhante a uma pedra se desprendendo do terraço da casa de José Laurindo.
“Eu olhei e seu José saiu para ver também. Antes de retornar para a casa, ele disse que tinha acabado de fazer um café e me chamou para tomar. Eu ia entrar na casa dele, mas o rapaz do esgoto me chamou. Foi quando ele entrou na residência para pegar o café e tudo desabou”, revelou Marcelo.
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De acordo com ele, a estrutura desabou de uma vez só. “Foi muito rápido, coisa de segundos. Entramos em desespero. A gente sente muito pela perda da pessoa maravilhosa que era, querido por todos”.
O aposentado foi esmagado pela laje. “Pelo que a gente constatou no local, como ele estava com esmagamento craniano, foi morte instantânea devido à compressão das lajes que caíram sobre ele”, disse o coronel Tomazelli, subsecretário de Defesa Civil de Cariacica.
A mulher de José, de 79 anos, e a cunhada dele, de 86 anos, foram resgatadas. Elas conseguiram ficar embaixo de bolsões dos escombros.
“As duas ficaram numa espécie de abrigo. Os bombeiros fizeram uma expansão do local para poder acessar as vítimas e retirá-las em segurança”, disse Tomazelli.
As duas estavam conscientes e foram encaminhadas ao hospital. Uma quebrou o braço e deve precisar passar por cirurgia.
O subsecretário salientou a importância do trabalho da cadela Case, do Corpo de Bombeiros. “Sem essa ferramenta preciosíssima do grupo de resgate com cães, estaríamos escavando até agora, pode ter certeza”.
Crea aponta irregularidades na estrutura do imóvel
A principal hipótese levantada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea), após uma análise inicial feita nesta quinta-feira, 31, é a de que a casa desabou por irregularidades na estrutura e falta de manutenção.
“Constatamos que todas as peças estruturais, laje, pilar e viga estavam subdimensionadas. A laje foi executada só de concreto, não tinha ferro. Os pilares estavam fora de norma: a sessão mínima é 360 cm e tinha sessão de pilar com 200 cm. A armadura principal estava com ferro que a gente usa normalmente para estribo. Viga, laje, todas as peças estruturais estavam em desconformidade com a norma”, disse o gerente de fiscalização do órgão, Leonardo Leal.