As incertezas trazidas pela pandemia e pelos eventos diários têm provocado um sentimento pessimista em muitas pessoas. Mas, com criatividade e paciência, é possível aprender a lidar com a negatividade e tirar proveito dela.
Mostrar a vida mais próxima do real e sem tantas ilusões, pensar em soluções diferentes para algum desafio futuro, perceber as próprias falhas e buscar melhorá-las, além de encarar os problemas de frente são alguns dos aprendizados trazidos pelo pessimismo, de acordo com os especialistas.
Para a mestre em Filosofia Margot Cardoso, tentar se convencer de que tudo dará certo quando há inúmeras evidências do contrário é uma fonte enorme de ansiedade.
“O que a filosofia de todos os tempos martela é que o sofrimento, a decepção e o fracasso são partes integrantes da vida. Ciente disso, reduzimos o nosso grau de ansiedade e aumentamos a serenidade. É o clássico e sábio ‘aceita que dói menos’”.
Já o palestrante motivacional, autor do livro “Motivação Nota 10” e MBA em Gestão de Pessoas, Erik Penna, defende que praticar o otimismo é essencial, porém é preciso utilizar esse fator negativo como aliado em situações adversas.
Dessa forma, associar os contrapontos permite enfrentar um momento ruim como algo “localizado, passageiro e mutável”, sem deixar passar possíveis armadilhas e problemas futuros.
“O caminho, desde cedo, não deve mirar nos problemas, mas focar na solução. E, mesmo se algum ocorrido não pareça positivo, o ganho pode ser o aprendizado. Como disse Nelson Mandela: ‘Eu nunca perco. Ou eu ganho ou eu aprendo’”, explica.
Equilíbrio
Entretanto, embora possa haver vantagens em situações pessimistas, a palestrante e psicóloga clínica Daniela de Oliveira alerta que é preciso encontrar um meio-termo e reconhecer quando essas emoções se tornam empecilhos.
“Podemos perceber este momento de pandemia, por exemplo, como uma oportunidade para a criatividade, viver a transição de maneira diferente do que vivemos, aprender. Mas, se o pessimismo continua nos lançando a um futuro e nos paralisa, não contribui para a nossa existência”, afirma Daniela.
“Temos que nos apegar ao que vale a pena”
Para a empresária Betina Lyrio de Aguiar, 32, o início da pandemia foi um verdadeiro “baque”, tanto pessoal quanto profissional. Com sua loja fechada, ela passou por um período que foi grande tanto em ansiedade quanto em criatividade.
Ela venceu o medo e aproveitou o momento de isolamento para tirar da gaveta projetos pessoais. Estudou, criou uma coleção moda praia e realizou seu sonho de abrir um atacado. “Se formos olhar só para o lado negativo, não conseguimos enxergar as oportunidades. Temos que nos apegar ao que vale a pena”, destaca.
“Nunca desisti”
Força, superação, otimismo e fé. Esses foram os aprendizados da nutricionista Mari Gutzmer, 33, após engravidar no meio da sua faculdade e se separar poucos anos depois. “Não consegui realizar sonho de ter uma família, mas nunca desisti. Estou melhor em todos os aspectos da minha vida, sei que vai acontecer no momento certo”, diz.
Sem drama
O designer gráfico Ryan Araújo, 43, tem seus próprios métodos de como lidar com o pessimismo.
“Tento não focar no pensamento negativo, busco ter o pé no chão e não transformar isso em drama, porque quanto mais a gente pensa negativamente, mas esse pensamento toma conta da gente”, salienta.
Dicas para encarar os momentos ruins
Pensamentos
De acordo com Erik Penna, o ser humano só consegue pensar em uma coisa de cada vez. “Se ocorrer um pensamento negativo, o mais indicado é trocar por algo positiva, ou pensar em algo que te deixe feliz. A gente está onde nosso pensamento está. O que você escolhe pensar determina como escolhe viver”, diz.
Pés no chão
Para a psicóloga Daniela de Oliveira, uma das lições ensinadas em momentos de pessimismo é aprender a limitar algumas ações. “O pessimismo pode ser bom neste sentido, de não criar expectativas irreais em relação ao futuro. Trazer para o presente da realidade”, explica.
Autorresponsabilidade
É necessário ter autorresponsabilidade pelas próprias ações e pelos sentimentos, e não se deixar abater com o pessimismo e a autopiedade. “É preciso parar de culpar os outros pelas coisas negativas que acontecem na vida, assumindo o protagonismo da própria existência”, defende Erik Penna.
Criatividade
Ao imaginar que o pior pode acontecer, a filósofa Magot Cardoso aconselha treinar a mente para já buscar soluções criativas para o problema. “Quanto mais se pensar num futuro desfavorável, mais se pensará no depois, ou num plano B, e ele menos nos assustará”, afirma.
