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Vovó de 94 anos corre 12 km por dia 3 vezes por semana

Aos 94 anos, a aposentada Adelmira Ventura Adão mantém uma rotina de fazer inveja a muitos jovens. Pelo menos três vezes por semana, ela acorda bem ...

Adelmira Ventura Adão é neta de escravos e atualmente mora no bairro Alto Eucalipto, em Cachoeiro de Itapemirim

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Adelmira Ventura Adão é neta de escravos e atualmente mora no bairro Alto Eucalipto, em Cachoeiro de Itapemirim  (Foto: Acervo pessoal)Aos 94 anos, a aposentada Adelmira Ventura Adão mantém uma rotina de fazer inveja a muitos jovens. Pelo menos três vezes por semana, ela acorda bem cedo, por volta de 5 horas, coloca seus tênis e sai para correr. Chega a percorrer, por dia, até 12 quilômetros.

É uma das atletas de rua mais antigas do Espírito Santo. Ao longo dos 12 anos como esportista, participou de dezenas de competições no Estado e também no Rio de Janeiro, conquistando mais de 100 medalhas e troféus.

Descendente de escravos, Adelmira é neta do Negro Adão, escravo famoso que deu origem à comunidade quilombola de Monte Alegre, interior de Cachoeiro, onde a aposentada nasceu.

Atualmente, mora com o neto, o vigilante David Adão, 41 anos, no bairro Alto Eucalipto, em Cachoeiro de Itapemirim. Ele é o grande incentivador da aposentada e começou a correr para acompanhar a idosa nas competições. Também a ajuda nos aquecimentos e na preparação física.

“Eu fico orgulhoso de ver que ela escolheu isso para seguir em frente e que apesar da idade não olhou para esse lado do envelhecimento. Hoje, ela serve de motivação para outras pessoas. Que Deus a abençoe sempre”, disse.

Dona Adelmira conta que começou a disputar competições de corrida em 2009. Naquela ocasião, ela e o grupo da terceira idade do qual fazia parte foram convidados a participar da Corrida de São Pedro, tradicional competição de Cachoeiro. Segundo ela, o grupo faria apenas uma curta caminhada.

No entanto, ao ouvir o som do apito de largada, a aposentada saiu correndo com outros competidores e chegou em primeiro lugar na categoria acima dos 75 anos.

“Não sei o que deu na minha cabeça. Quando apitou, achei que era para a caminhada, entrei no meio dos homens, das meninas e fui correndo”, relembrou.

Com a pandemia do novo coronavírus, a atleta precisou reduzir a intensidade das corridas, procurando locais mais perto de casa, sem circulação de pessoas ou com pouco movimento.

Adelmira também não está participando de competições, que estão suspensas. “Ela está com muita vontade de competir novamente”, ressaltou o neto. Viúva, Adelmira é mãe da líder comunitária Rita Adão e tem três netos.

“Peço a Deus força e coragem para me exercitar”

Enquanto a maioria das pessoas ainda está dormindo, a aposentada Adelmira Ventura Adão, 94 anos, já está correndo. Ela afirma que corre porque se sente bem.

A Tribuna – Por que a senhora gosta de correr?
Adelmira Ventura – Gosto muito de correr para refrescar minha cabeça. E eu me sinto bem.

O que normalmente as pessoas falam ao te ver correndo?
Falam assim. “Aquela senhorinha está ficando doida. Vê se vou levantar fora de hora para sair correndo”. Dizem: “será porque ela tá correndo? Deveria ficar dentro de casa.”

A senhora se importa com isso?
Eu não. Faço de contas que nem estou escutando. Saio para correr e me sentir bem.

De onde a senhora tira tanta disposição?
Peço a Deus para me dar força, me dar coragem. Andando ou correndo, o importante é chegar lá no lugar onde tenho de chegar.

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