Por Luciana Pimentel
Quem tem mais de 90 anos teve o privilégio de acompanhar os avanços tecnológicos e da Medicina, o crescimento das cidades e a criação dos filhos, netos e bisnetos. Viu o homem chegar à Lua, o mundo entrar em guerra e o futebol brasileiro ser campeão do mundo cinco vezes.
E haja história para contar! Os personagens desta reportagem têm alegria, disposição e saúde para dar e vender. O segredo? Não parar nunca.

“O mais importante é se manter ativo. Fazer atividades que lhe dão prazer ou até mesmo se aventurar em atividades que eles nunca fizeram, descobrindo assim algo que eles gostem. Teatro, dança, aprender a tocar um instrumento musical, atividades físicas, pintura, costura são ótimos exemplos”, disse.
E foi exatamente isso que a aposentada Isanusis Paiva, 90, a dona Zazá, fez quando parou de trabalhar há 20 anos: aprendeu a tocar teclado e não passa um dia sequer longe dele.
“Não aguentava ficar sem fazer nada, pois trabalhei anos no cartório do meu pai. Sou a mais velha da escola e todos me tratam com muito carinho. Faço aula uma vez por semana, mas toco teclado em casa todos os dias”, contou. Confira o vídeo:

“A melhor forma de prevenir doenças é buscar sempre uma vida saudável e feliz, cercada de amigos e de bons momentos.”

“Os homens têm fator genético importante na longevidade, mas as mulheres nem tanto. Elas envelhecem bem controlando as doenças e também fazendo a prevenção”, destacou a especialista.
Saúde
Com o passar dos anos, tornam-se comuns as queixas de dores, mas é possível chegar aos 90 anos com a saúde em dia. O médico André Félix, especialista em dor crônica, explicou que a maioria das dores pode ser tratada com o auxílio dos exercícios, sempre com o acompanhamento médico e de outros profissionais capacitados.
“As dores nas costas, na cabeça e nas articulações, por exemplo, podem ser aliviadas, ou até mesmo controladas, com atividade física regular. No caso da osteoporose, a prática de exercícios físicos ajuda tanto na prevenção quanto no tratamento da doença. O movimento também é um grande aliado no tratamento da fibromialgia. Além da atividade física, o ideal é que o paciente tenha uma boa alimentação e hábitos saudáveis”, complementou o médico.
Mercado
Gláucio Siqueira, especialista em gestão empresarial, destacou que, aos poucos, o mercado de trabalho está deixando de ver o idoso como uma figura incapaz de produzir e aproveitando melhor toda a experiência profissional que ele acumulou ao longo do tempo.
“Sabemos que nas culturas orientais o idoso já é visto há milênios como uma pessoa respeitável e venerada, uma fonte de sabedoria. Na nossa realidade capixaba, vejo muitos idosos que começam a atuar como consultores, coaches, mentores… Eles têm muito a contribuir e a ensinar. Também conheço outros que se arriscaram a trocar de profissão após a terceira idade, começaram a empreender ou voltaram aos estudos. Manter-se ativo é muito benéfico para o ser humano e trabalhar é uma ferramenta de inserção social, traz uma sensação de pertencimento e de utilidade muito grandes”, avaliou o especialista.



