- Vitória, ES 23°C

Vitória 23°C

Anúncio
AT em Família

Medo excessivo do parto atinge 14% das gestantes

Especialista afirma que sentimento indica um transtorno chamado partofobia, onde há riscos para a mãe e o bebê

Última atualização

 













|













Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Estilo:



 

As preocupações com o momento do parto são naturais em todas as gestantes.
Entretanto, em alguns casos o
medo é tanto que chega a ser considerado um transtorno. Esse
quadro é conhecido como partofobia e pode ter impactos também
na saúde do bebê.

O sofrimento materno altera a
fisiologia da gestante, elevando o
risco de pré-eclâmpsia, parto prematuro e admissão do recém-nascido em unidades de terapia intensiva (UTIs), além de outras
consequências, explica José Luis
Leal de Oliveira, que é médico
psiquiatra e diretor da Associação
Psiquiátrica do Espírito Santo
( Apes ).

Segundo publicação da Federação Brasileira das Associações de
Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), estudos internacionais
demonstram uma prevalência da
partofobia que varia entre 3,7% e
43%, sendo que a média gira em
torno de 14% das gestantes.

Essas pesquisas indicam ainda
que aproximadamente 80% das
mamães apresentam temor do
parto que não se configura como
doença. Em entrevista ao AT em
Família
, o médico enfatiza a importância da avaliação psicológica
ou psiquiátrica pré-natal, que pode prevenir a doença ou suas formas mais graves.

 













|













Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Estilo:



 

AT em Família – Quais são as
principais preocupações que
afligem as pacientes com esse
tipo de fobia?

José Luis Leal de Oliveira – As preocupações excessivas
neste caso são relacionadas ao
processo do parto em si, tanto
com relação aos riscos para o bebê
quanto para a mãe, inclusive o temor de não tolerar o processo expulsivo, de sucumbir à dor das
contrações, de precisar de uma
episiotomia e até de decepcionar
a terceiros diante da expectativa
excessiva de um parto normal.

Quando a insegurança deixa de ser natural e passa a ser
considerada transtorno?

Quando começa a trazer prejuízo expressivo, com sofrimento
intenso, insônia, ataques de pânico e sintomas físicos relacionados ao medo excessivo, tais como
elevação da pressão arterial e dos
batimentos cardíacos, temperamento e humor instável, comportamentos impulsivos e decisões precipitadas até mesmo no
sentido de mudar o plano do tipo
de parto (do normal ao cesáreo).

Qual o perfil de mãe mais
afetado?

As primigestas, ou seja, as mães
na primeira gestação apresentam
um risco aumentado. Aquelas que
sofreram violência obstétrica em
parto prévio também apresentam
risco elevado.
A chance de ter a partofobia é
maior quando há estressores psicológicos relevantes, como uma
gravidez indesejada ou que não seja aceita por familiares.
Fatores tais como baixa autoestima, história de transtornos de
ansiedade ou transtornos depressivos, história de abuso sexual, fraca rede de apoio social, relacionamentos amorosos conflituosos ou
debilitados, e experiências adversas prévias com parto ou perdas
gestacionais são fatores de risco.

Quais são as consequências
da partofobia para a mãe e para
o bebê?

O sofrimento materno altera a
fisiologia da gestante, com aumento da pressão arterial, prolongamento da fase ativa da dilatação
cervical, maior risco de préeclâmpsia, parto prematuro, cesariana de emergência, parto vaginal
operatório, depressão pós-parto,
baixos índices de amamentação e
maior admissão do recém-nascido
em unidades de terapia intensiva
( UTIs ).

Há também chance aumentada
de apresentar privação do sono, do
bebê nascer pequeno para a idade
gestacional, dificuldade em estabelecer vínculo afetivo apropriado
com o bebê e de apresentar mais
dificuldade no aleitamento materno.

Como é o tratamento?

O tratamento ideal é o preventivo. Geralmente uma avaliação psicológica ou mesmo psiquiátrica
pré-natal pode evitar o desenvolvimento da doença ou de suas formas mais graves.
Já o tratamento quando o quadro já se instalou de modo grave é
a combinação da psicofarmacoterapia com psicoterapia.

PERGUNTA DOS LEITORES

As emoções se estabilizam após o nascimento da criança ou a mãe permanece com reflexos do transtorno?
Milena Rocha Nascimento,
23 anos, designer de sobrancelha

Às vezes elas se estabilizam,
mas há uma chance maior de
haver reflexos como evoluir
para uma depressão pós-parto,
o que resulta em elevadíssimo
risco de suicídio, assim como
transtornos ansiosos e outros
transtornos psiquiátricos.

Como as mães devem se preparar para o momento do parto? 
Ana Célia Martins,
53 anos, costureira

É importante que os pais pesquisem sobre o desenvolvimento
da gravidez e sobre o trabalho de
parto. E que tenham um profissional obstetra ou equipe obstétrica de confiança, inclusive com
doulas para acompanhar o trabalho de parto de modo acolhedor e
encorajador, oferecendo conforto e segurança.

FIQUE POR DENTRO

A PARTOFOBIA é uma patologia caracterizada pelo medo excessivo do parto. É um transtorno de ansiedade do tipo fóbico,
de causa multifatorial, tendo como base fatores psicológicos,
sociais e biológicos.

AS ACOMETIDAS são as
mães. No entanto, o transtorno
afeta negativamente os familiares em razão do intenso sofrimento que causa. Até o bebê
sente os reflexos da condição na
mãe.

SE INSTALA mais frequentemente no terceiro trimestre gestacional, quando se está mais
próximo do momento do parto.
Ou pode iniciar durante o trabalho de parto.

APÓS O NASCIMENTO do bebê, o quadro da mãe pode evoluir
para depressão pós-parto.

EPISIOTOMIA – Incisão no
períneo (região entre o ânus
e a vagina) para facilitar o
parto natural.
DILATAÇÃO CERVICAL –
Abertura do colo do útero da
gestante para permitir a passagem do bebê.

OS NÚMEROS

80%
das grávidas apresentam
temor do parto que não se
configura como doença

14%
das gestantes, em média,
são atingidas pela partofobia

3º trimestre de gestação é a fase mais
comum de surgir a fobia

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.