Lá nos anos 1980 a banda de rock “Paralamas do Sucesso” cantava de forma divertida como é o dia a dia de quem tem que usar óculos.
Hoje, com os avanços da tecnologia e as pessoas cada vez mais ligadas nas telas de computadores, tablets e celulares, o número de pessoas com algum problema de visão disparou e com as crianças não é diferente: de acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 20% das crianças em idade escolar já apresentam problemas de visão.
A miopia é a campeã e já é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a epidemia do século. O oftalmologista Thiago Cabral lembrou que a sociedade passou a ter uma interatividade mais reclusa, sem atividades ao ar livre e com os equipamentos muito próximos dos olhos, o que agravou o problema.
“Não há dúvidas de que o modo de vida atual está gerando uma população de míopes”, disse.
O médico foi enfático: o uso desses aparelhos deve ser controlado pelos pais. “Crianças e adolescentes devem usar por até 2 horas por dia, porque o globo ocular está em desenvolvimento e sujeito ao alongamento e à miopia precoce. E o uso deve ser proibido antes dos 2 anos”, ressaltou Thiago.
Dependendo da idade, os pequenos podem até sofrer bullying por usarem óculos. A psicóloga Mirian Bravin ressaltou que tanto os pais quanto a escola devem estar engajados nesse processo junto com a criança.
AUTOESTIMA
“Trabalhar a autoestima e a autoconfiança e usar argumentos verdadeiros fazem com que a criança estabeleça uma confiança em si que não permitirá que o olhar diferente de outras pessoas sobre ela seja negativo”, explicou Mirian.
Mostrar fotos de outras crianças usando óculos, de jogadores de futebol, de artistas e de pessoas da família que a criança admira também pode ajudar.
A professora de ensino infantil Jacitara Figueiredo lembrou que o incentivo à troca de experiências entre os colegas em sala de aula ou por meio de palestras pode ajudar a criança a se colocar no lugar do outro, evitando assim o bullying.
“As crianças aprendem desde cedo a respeitar quem é diferente e isso ajuda a evitar o bullying”, avaliou a profissional.


