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Claudia Matarazzo

É melhor falar no próprio idioma

Não é de hoje que afirmo nosso complexo colonial: sempre valorizamos demais o que vem de fora sem questionar. Menosprezamos nossa identidade ...

Última atualização

Não é de hoje que afirmo nosso complexo colonial: sempre valorizamos demais o que vem de fora sem questionar. Menosprezamos nossa identidade gastronômica, artesanal e cultural sem pensar muito, quase que automaticamente.

Basta vir de fora e já começamos a fazer aquela cara de espanto, meio maravilhado…

Isso ficou ainda mais evidente (e irritante) em um mundo globalizado, onde todos se comunicam agora também por emojis, abreviaturas e outros recursos que são penduricalhos de nossa língua – em detrimento da própria.

Exagero? Não mesmo. Olha só o e-mail que recebi recentemente, e veja se não é de arrepiar:
“Fiz um call e avisei que chegaria um save the date da sale.

Mais tarde vou brifar o staff sobre todos os trend topics e itens must da saison, que estarão super no budget de todos os nossos vip clients. E eles poderão, inclusive, escolher suas peças wish no backstage se quiserem”.

Entendeu alguma coisa? Surreal, certo?

Agora, leia alto o texto acima e, depois, a sua tradução abaixo:

“Fiz uma ligação e avisei que chegaria um aviso de reserve a data.

Mais tarde, vou orientar os funcionários quanto a todos os itens especiais e as principais tendências dessa estação. Que, aliás, estarão bastante acessíveis para todos os nossos clientes mais importantes. Eles, inclusive, poderão escolher suas peças preferidas já nos bastidores”.

Pois é: me digam, se não ficou mais fácil de entender e mais elegante do que aquela confusa mistura acima com palavras em três idiomas?

Para que complicar? – Para parecer mais viajado, talvez? Mais “cidadão do mundo?”.

Pois vou te contar: nada é mais patético do que alguém tentando pronunciar palavras em outra língua e ainda (como quase sempre acontece), com um sotaque carregado, claramente sem familiaridade com o termo…

Melhor, muito melhor, ser senhor em seu próprio idioma – mais ainda quando estamos em nosso próprio País. Certo, gente!?!?

O poder da palavra – Sabemos o poder da palavra. A palavra escrita então, nem se fala – o famoso preto no branco.

Agora, se essa palavra vem truncada com vocábulos em outro idioma e ainda mal pronunciados (ou escritos de forma errada, como muitas vezes ocorrre), esse poder se dilui, derrete, pulveriza-se em… nada! Em
vergonha alheia…

Tem gente que está tão habituada (e viciada) em usar palavras em outra língua que se esquece que nossa língua é uma das mais ricas do mundo!

Só para vocês verem como existe mais de uma palavra equivalente para cada palavra em outra língua, fiz uma lista básica das mais usadas…

Save the date – Reserve a data, pré-convite.
Call – Chamada, telefonema.
Upgrade – Incrementar, refinar, melhorar, promover.
Backstage – Bastidores, coxia.
Sale – Liquidação, promoção, venda especial
Brifar – Resumir, passar orientação
Trend topics – Tendências, lançamentos.
Budget – Orçamento, verba.
Staff – Equipe, funcionários.

Tá achando bobagem? Não é não. Pense que, se a comunicação é muito importante, a boa comunicação é essencial.

Já a comunicação de fácil compreensão, direta e completa, facilita a interação, é mais eficiente e promove com muito mais sucesso as boas ideias, encontros frutíferos e, claro, ótimos negócios.

Justiça mantém cargos na Ufes

O Ministério Público Federal obteve, ontem, decisão judicial que suspende os efeitos do Decreto 9.725, de 12 de março deste ano, que acabava com cargos comissionados e funções de confiança da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Instituto Federal no Espírito Santo (Ifes).

O decreto levou à exoneração de mais de 200 profissionais nas duas instituições.

Segundo a decisão, a União não deverá considerar exonerados e dispensados os ocupantes dos cargos e deve, em 15 dias, restituir a rubrica da folha de pagamento do mês de agosto desses servidores.

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