Símbolo-mor da Unidos de Jucutuquara, a coruja vem este ano no último carro alegório da escola como um…anjo. A ave será responsável por levar o Bispo do Rosário – homenageado da escola – aos céus, quando ocorrer sua morte no enredo.
Diagnosticado como esquizofrênico-paranóico, o sergipano Arthur Bispo do Rosário foi internado como louco e no manicômio passou a fazer bordados, objetos a partir de sucata, dentre outras artes que, mais tarde, foram apreciadas pela crítica como de vanguarda. O Bispo louco, então, virou artista plástico.
Ele morreu em 5 de julho de 1989, aos 80 anos, num hospital colônia destinado a abrigar aqueles classificados como anormais ou indesejáveis, como doentes psiquiátricos. Sua história, inclusive, já foi enredo na carioca Acadêmicos do Cubango.
A coluna também soube que a Bateria da Nação, comandada por Mestre Júnior Caprichosos, vai entrar na avenida com um canhão que será acionado em momentos-chave. É que os ritmistas vão remeter à época que o Bispo do Rosário prestou serviços para a Marinha Brasileira.
E o desfile, que será aberto por uma comissão de frente de esquizofrênicos, será encerrado com uma ala formada por travestis e transformistas.
Com o enredo “O Rosário do Bispo e seu delirante inventário do universo”, a Unidos de Jucutuquara é a última escola a desfilar no sábado, dia 23 de fevereiro.
