
O terreno seria doado pela prefeitura, como contrapartida ao desenvolvimento criado com o projeto. Contudo, a área pública reservada fica muito perto das operações da Suzano, o que deixa a indústria de celulose com receio de alguma contaminação.
Segundo o prefeito de Aracruz, Jones Cavaglieri, a gestão municipal negocia que a Suzano ceda uma de suas propriedades e, em troca, receba a área que seria doada à Noxis Energy. “Estamos avaliando outra área e também estamos em contato com o pessoal da refinaria”, disse o prefeito.
O investimento com o empreendimento da Noxis é superior a R$ 2 bilhões, com a criação de mil empregos nos três anos de obra e outros 120 diretos e 500 indiretos na operação.
Cavaglieri explicou que a área escolhida para a refinaria é próxima ao pátio de madeira da Suzano. Daí foi proposta uma troca de terrenos: “A ideia é a Suzano ceder uma de suas áreas e ficar com a que reservamos para a Noxys.”
EMPREGOS
A prioridade nas contratações para trabalhar na refinaria, já colocada pela Noxis, serão os moradores do município. Também haverá qualificação dos profissionais, com cursos gratuitos oferecidos aos futuros empregados.
Além disso, o empreendimento vai criar receita para o município suficiente para resolver seus problemas sociais, como enfatizou o secretário de Desenvolvimento Guerino Balestrassi.
A Noxis negocia com a Petrobras e o governo do Estado para utilizar o posto da Transpetro e a ligação da ferrovia Vitória a Minas até Portocel, o porto da Suzano (ex-Fibria).
A ideia é que seja utilizado para produzir combustível na unidade o petróleo cru extraído em território capixaba. O produto será vendido depois para parte de Minas Gerais, transportado através de ferrovia, e também ao sul da Bahia e ao próprio Espírito Santo.
INVESTIMENTO
A Noxis anunciou, no fim de 2018, a intenção de investir ao todo US$ 1,3 bilhão (R$ 5,22 bilhões) em cinco unidades com capacidade para 25 mil barris por dia cada. A maior parte da produção (35% a 40% do total) será de óleo bunker (usado também como combustível para navios), seguida de diesel (de 30% a 35%) e gasolina (de 20% a 25%).
Inicialmente, os planos eram construir uma das refinarias em São Mateus, também no Norte capixaba. As outras seriam na Barra dos Coqueiros (SE), Bacabeira (MA) e Santana (AP). O local do investimento no Espírito Santo, porém, mudou para Aracruz.
A construção da primeira delas estava programada para começar neste ano, com início de operação comercial em 2021.
A meta de construir refinarias não é à toa: a Noxis projeta que a demanda brasileira por diesel e gasolina crescerá 2% até 2032, quando os déficits desses combustíveis no país serão de 225 mil barris por dia 251 mil barris por dia, respectivamente.
