- Vitória, ES 23°C

Vitória 23°C

Anúncio
Jeito de Mãe

Acabou a licença maternidade, e agora?

Avó, babá, creche, sair do emprego, trabalhar em casa. Qual a melhor opção quando chega ao fim nossa licença maternidade? Quantas de nós mães ...

Última atualização

Avó, babá, creche, sair do emprego, trabalhar em casa. Qual a melhor opção quando chega ao fim nossa licença maternidade? Quantas de nós mães precisamos tomar esta decisão, já que muitas mulheres dividem a maternidade com a vida profissional? Isso parece simples, até termos um bebê. E aí percebemos o quanto é difícil e nos vemos completamente perdidas.

Ponderamos tudo! Será que a avó vai mimar? Vou conseguir confiar na babá? A creche vai dar conta de tantas crianças? Largo o emprego e viro mãe em tempo integral? Começo a trabalhar em casa? E se eu deixar meu emprego por um tempo, será que depois consigo voltar e retomar minha carreira? E se faltar grana? Dúvida + culpa + dúvida + culpa = uma cabeça repleta de nós. Nenhuma solução parece boa o suficiente. E não é! Mas posso garantir que a maioria de nós precisa criar a sua. E eu vivi essa dúvida duas vezes, de maneiras bem distintas, como conto agora pra vocês.

Com meu primeiro filho aproveitei os quatro meses de licença maternidade e mais 15 dias de férias. E quando esse período maravilhoso estava chegando ao fim, já estava com tudo planejado para voltar à labuta: eu, por sorte, só trabalhava a tarde e minha mãe ficaria com o pequeno nesse horário (ela tinha acabado de se aposentar). Mas pasmem! O plano não vingou, pois no dia que voltei, fui demitida. Entre os argumentos que ouvi, um me chamou a atenção: “Você vai poder continuar amamentando, como sempre disse querer”. Depois dizem que mulher não sofre preconceito! Sofre sim e muito!

Bem, sinceramente, não posso dizer que fiquei triste com a situação, seria só mais um obstáculo na minha vida e, de verdade, apesar de pensar muito na questão financeira, minha fé me dizia, Deus sabe o que faz. E de que quebra pude ficar mais um tempinho curtindo meu pequeno.

Pouco mais de um mês depois da demissão comecei a fazer freela e mamãe me “cobria” quando eu precisava sair. Tudo parecia ir bem até que ela recebeu uma proposta para retornar ao mercado de trabalho. Sabe aquele balde de água fria? Pois ele caiu na minha cabeça. Claro que fiquei feliz por ela, mas desesperada por mim. Bernardo tinha quase oito meses e lá vinha mais uma reviravolta em nossos planos.

Em uma semana tive que encontrar uma creche e fazer apenas dois dias de adaptação. No terceiro dia ele já ficou sozinho e lá se foram 10 horas seguidas sem sentir o cheiro do meu pequeno, sem ver o seu sorriso banguela. Foi difícil demais pra mim, chorava todos os dias de saudade, de tristeza mesmo. Sempre fui/sou a favor de creche, mas não do jeito que foi, de uma hora pra outra. E o pior de tudo, ele teria que ficar muito tempo lá por conta da minha logística de vida e trabalho. Para completar, assim que ele entrou, largou o peito. Isso foi o suficiente para eu fazer “uma visita” ao hospital com uma crise nervosa.

Pode parecer exagero, mas para quem encarou o retorno ao trabalho com certa tranquilidade (graças a uma rede de apoio), agora estava tudo de cabeça pra baixo. Meu maior sonho era ser mãe e, por circunstâncias da vida, não estava sendo como imaginava e desejava. O tempo foi passando e já não chorava mais todo dia, mas também tinha a certeza que daquele jeito não poderia ficar. Por isso sempre falo que admiro demais quem consegue. Sei que muita gente não tem outra opção, também não tive por algum tempo, mas algumas mães lidam melhor com essa separação, não era o meu caso.

Sendo assim, corri atrás para reverter essa situação. Devagar fui modificando minha vida em nome do que pra mim era felicidade. Troquei de emprego, de cidade e de rotina. Ainda não era o meu ideal, mas o Bernardo já ficava menos tempo na creche e mais comigo. Estávamos no caminho.

Aí veio a gravidez do Henrique. Eu não tinha mais emprego formal, já tinha optado pela prestação de serviço, o que foi complicado no final da gestação, pois fiquei sem trabalho e sem renda também. Ele nasceu e devido a algumas questões de saúde, ele era alérgico à proteína do leite e vaca (APLV), meu retorno profissional demorou um pouco mais do que imaginava e gostaria e também porque eram dois pra dar conta né? Tudo bem diferente!

Quando ele estava com uns sete meses comecei a prestar serviços novamente e com nove intensifiquei. Como desde a gravidez não tinha conseguido uma ajudante de confiança que pudesse ficar com ele, a alternativa foi a creche mais uma vez. Mesmo com medo dele ter algum contato com leite, conseguimos uma vaga e ele entrou. Eu teria quatro horas pra dar conta dos afazeres profissionais. Estava ótimo, já era alguma coisa! Mas claro que não foi simples assim. Infelizmente ele teve contato com leite na creche e uma reação muito forte, ficando um mês em casa para se recuperar e o impedindo de retornar. Só entrou novamente, em outra, com um ano e quatro meses. Ah, lembra que o Bernardo largou o peito assim que entrou na creche e eu pirei? Henrique fez o favor de imitar o irmão. Pensa?

Mas mesmo com o caos instaurado não abandonei minha carreira, porque além de amar minha profissão e me realizar, minha renda também era importante para a casa. E desde então, vivemos todos nesta loucura de conciliar tudo ao mesmo há mais de quatro anos. E apesar de trabalhar muito home office e o marido também, não é nada fácil. Mas quem disse que seria? E acha que damos conta de tudo? Claro que não! Quem falar que consegue está mentindo. Vamos elegendo as prioridades. Inclusive ando meio surtada, confesso. Ou seria surtada e meia?

Mas o que eu pretendo ao dividir um pouco com vocês da minha história é dizer que esse momento do fim da licença maternidade é difícil mesmo, não existe opção ideal, mas temos que escolher uma. Seja deixar o filho na creche ou com alguém, ou ainda, abrir mão de trabalhar para ficar em casa. Bato palmas para quem toma essa decisão definitiva, pois ao contrário do que os outros julgam, não é fácil. Só entende quem vive e eu fiz essa escolha por um período e sei o quanto é difícil, seja por não se sentir valorizada, por não ter uma renda pra chamar de sua ou por qualquer outro motivo. Então, mamãe, seja qual for a sua escolha e decisão, sinta-se abraçada por mim e sabendo que com o tempo tudo se ajeita. Sigo sonhando aqui com esse dia! Até a próxima!

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.