Quem me segue nas mídias sociais viu que há umas duas semanas eu e meu marido tiramos dois dias para curtir os meninos e relaxar um pouco. Seria a nossa “viagem” de férias, já que eu estou trabalhando e não daria para me ausentar por muito tempo e nem para longe. Então fomos para Guarapari, cidade vizinha a nossa, ficar em um hotel com parque aquático, uma das atividades que os dois mais amam na vida.
Chegando lá, já seguimos para a piscina. Inclusive fomos de trajes de banho para não perder tempo e evitar a fadiga. Conheço meus filhos e quando chegam em um local novo é tanta euforia, misturada a ansiedade e vontade aproveitar tudo como se não houvesse amanhã, que já tomo algumas providências para ajudar na manutenção do bom humor e alegria de todos.
A felicidade e agitação reinavam. Pula pra lá, pula pra cá, mãe e pai pedindo cuidado, alertando dos perigos de se machucarem e, claro, sendo solenemente ignorados. Nossa gente, não sei como é aí, mas como isso me tira do sério. Você tentando cuidar e proteger e tudo o que fala parece em vão. E naquele dia, realmente foi.
Em menos de uma hora que estávamos lá e após tirar nossa primeira foto, esta aí abaixo, meu mais novo, o Henrique, levantou e deu mais um de seus pulos acrobáticos e “pá”, bateu o queixo na borda da piscina. Eu estava dentro da água e o pai ao lado de fora, ambos próximos, mas nada pudemos fazer. Ele começou a chorar e o sangue a escorrer. Meu marido acudiu e eu calmamente, juro que estava, falei para colocar gelo. Quando saí da água e vi o corte, meu coração deu aquela parada que as mães bem conhecem e mentalmente soltei a frase, incluindo o palavrão abreviado pela sigla a seguir: “PQP, vai ter que dar ponto”.

Não que a gente não soubesse o caminho, já que há dois anos havíamos passado por lá, também com Henrique, na mesma cidade e durante nossas férias. Na ocasião tivemos que voltar para Vitória e ele ficou quatro dias internado. O diagnóstico era de gastroenterite, mas após um mês da alta eu confirmei minhas suspeitas. O que ele tinha tido era uma reação por ter na época alergia à proteína do leite de vaca (APLV) e só depois desse tempo todo descobri que havia ingerido um alimento com leite na composição.
Mas voltando a história do queixo do Henrique, contei a outra só para enfatizar o que senti e pensei: “de novo não”. Eu não estava acreditando que mais uma vez as férias seriam frustradas. Sabe aquela vontade chorar? Eu tive! Primeiro pelos planos indo por água abaixo e segundo porque meu pequeno, já tranquilo a caminho do hospital, nem imaginava o que iria ter que encarar. Ai que dó! Como eu queria que fosse comigo! Mas não dava né?! Então só restava engolir o choro, passar força e tranquilidade pra ele e seguir o baile.
Sinceramente eu devo ser uma boa atriz, sei lá, mas consegui. Ele estava calminho, deitou tranquilo na maca. A figura ainda me pediu pra tirar uma foto, essa logo abaixo, enquanto a equipe se preparava. Antes de dar os pontos perguntei ao médico o que ele não poderia fazer, quais as restrições e orientações. Ele com toda sua delicadeza, só que não, falou que nada de sol, piscina, praia etc. Henrique teria que ficar em repouso pelo menos 72 horas e tirar os pontos oito dias depois. Ali tive a certeza, vamos voltar pra casa. E também a dúvida. Como deixar esse menino elétrico de repouso, afinal, ele não estava doente. Só se eu amarrasse!
E por falar em amarrar, já tinham três enfermeiras com um lençol nas mãos prontas pra isso. Aquilo parecia um filme de terror. Eu sei que é necessário na maioria dos casos, mas conversei com ele e falei pra confiar na mamãe, ficar quietinho, que logo a gente iria embora. E no meio disso tudo, o médico ainda pergunta se eu não queria sentar (senti que ele queria me tirar de perto), pois estava me achando muito branca. Agradeci, pois precisava ser educada, e falei que não, que eu era daquela cor mesmo.

Ah, sobre o fim das férias. Voltamos para o hotel e fomos pensar no que fazer. Tínhamos uma programação, o mais velho estava arrasado com a possibilidade de ir embora (por culpa do irmão, essa seria a leitura, fato). Como já era noite, resolvemos dormir e no outro dia de manhã resolver se íamos embora ou não. Foi uma noite reflexiva sabe. Pensei em tantas coisas que já havíamos enfrentado, tão mais complexas e graves e que apesar daquele banho de água fria poderíamos juntos contornar a situação do melhor jeito possível. Todo mundo cederia um pouco e pronto. Coloquei em prática toda a minha resiliência e fé.
Decidimos ficar e aproveitar como era possível. Combinei com Henrique que ele não poderia mergulhar e nem ficar no sol, ganhou até boné novo. Ficamos na sombra brincando, enquanto o papai ia se aventurar com o Bernardo. Não foi fácil e simples conter a criança que “esquecia” do pobre do queixo. Mas no final, deu tudo certo e conseguimos curtir. Fiquei feliz e orgulhosa de mim pela decisão. Em outros tempos juntaria as malas e voltaria na hora pra casa, afinal, foi o que o médico sugeriu.
Mas com o tempo vem o amadurecimento, o empoderamento e como consta na minha lista de metas de fim de ano, vem também o exercício diário de aprender a balancear a expectativa e a realidade. Estamos falando e vivendo a tal maternidade real, aquela sem glamour, sem confetes, nada fácil. Um desafio constante, mas tão recompensador. E pude tirar tantas lições deste episódio que tenho que agradecer! E por aí, muitas histórias de férias frustradas ou quase? Até a próxima!

