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Jeito de Mãe

Grávida pode fazer jejum?

O assunto jejum intermitente é polêmico e controverso por si só. Muita gente torce o nariz, fala que é loucura, que faz mal etc. Agora imagina uma ...

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O assunto jejum intermitente é polêmico e controverso por si só. Muita gente torce o nariz, fala que é loucura, que faz mal etc. Agora imagina  uma grávida jejuando?! Será que pode? É saudável? Não prejudica o bebê?

 

Para responder essas e outras perguntas eu conversei com a Iessa Comério, nutricionista Integrativa de Vitória (ES) e praticante do jejum antes e durante a gestação. Ela me contou que seguia esse estilo de vida há pouco mais de um ano antes de engravidar e que para ela já era muito natural só comer quando realmente estava sentindo fome e não o contrário. E foi exatamente pelo fato do jejum ser praticado com tanta naturalidade que ela suspeitou da gravidez antes mesmo de fazer o exame. “Comecei a sentir muita fome e necessidade de comer em intervalos curtos, foi então que percebi que algo diferente estava acontecendo em meu corpo”, explicou. Ela tinha toda razão e o algo diferente se chama Enzo e hoje já tem quase dois meses de muita fofura e bochechas de leite materno.

 

Iessa relatou que o seu apetite só se normalizou aos três meses de gravidez, ficando praticamente igual ao de antes. Mas que ela só voltou a jejuar de forma efetiva no terceiro trimestre, sempre escutando os sinais do seu corpo e atendendo suas necessidades. E para ela, este é o ponto principal da questão. O jejum, principalmente na gestação, deve ser feito de forma fisiológica, o mais natural possível e sempre com orientação profissional e atualizada adequadas e com o acompanhamento mensal de todas as taxas da grávida. “Engordei 14Kg no total e fazia exames de sangue mensais, sempre repondo o que era necessário, por meio da alimentação ou suplementação. Meu filho nasceu forte, cheio de saúde, de 38 semanas e 5 dias, com 3,3 kg e de parto normal”, se orgulha. E o jejum também não afetou em nada a sua produção de leite, que é enorme, tão grande que ela amamenta exclusivamente e ainda doa.

 

Mas a nutricionista faz um alerta. Como ainda não existem muitos estudos que fazem a relação entre gravidez e jejum, a prática não deve ser incentivada, muito menos iniciada neste momento da vida da mulher, pois existem riscos. “Gestação não é um período de experimentar novidades, de novo já basta a gravidez em si, mas manter hábitos já praticados e que te fazem bem, também não pode ser um problema”, enfatizou.

 

Eu também conversei com a ex-gerente comercial, Ana Claudia Pasqualli, de Navegantes (SC), que compartilha da opinião da nutricionista. Ela espera o segundo filho e segue tranquila fazendo o jejum, da mesma forma que fez na primeira vez. Ana Claudia se alimenta de maneira saudável e respeita os limites e necessidades do seu corpo. “Quando eu sinto fome, eu come, simples assim. Ficar de 8h a 12h sem comer, contando o período de sono, é natural para mim. Na minha primeira gravidez engordei 9kg e meu filho nasceu com 3,4 kg, com 40 semanas e 5 dias e de parto normal. Ocorreu tudo bem na gestação e na amamentação, tanto que ele mamou até os 2 anos”, comemora. Hoje ele tem 2 anos e 8 meses e ela está grávida de 15 semanas e segue jejuando e se alimentando cada dia melhor. Esta questão de se cuidar é tão importante para a Ana, que após virar mãe, ela largou o emprego formal e abriu uma empresa de marmitas fit.

 

Mas o que  eu realmente pretendo ao abordar este tema? Primeiro contar esses dois exemplos inspiradores, de mulheres e mães que se preocupam e cuidam da saúde delas, da família e dos outros também, afinal, elas trabalham com alimentação, cada uma a sua maneira. E com isso, quebrar paradigmas e pré-conceitos que existem por pura falta de informação. Não se trata de impor ou incentivar o jejum, pelo contrário, existem riscos desta prática sem orientação adequada, como já falei. O que pretendo é mostrar e explicar esta possibilidade de estratégia alimentar, que não é dieta e sim um estilo de vida.

 

O jejum é uma prática milenar, apesar dos novos protocolos e orientações criados atualmente e consiste basicamente em comer “quando a fome naturalmente chegar” que é uma tradução do inglês “when hunger enswes naturally (When)”. Portanto, se essa é a sua escolha e só te traz benefícios, não precisa abandonar só porque engravidou. Basta respeitar os limites de seu corpo e fazer tudo certinho, assim como a Iessa e a Ana fizeram. Até a próxima!

 

 

 

 

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