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Jeito de Mãe

Meu filho vai viajar (sozinho)

Só de ler este título e pensar nesta possibilidade, meu coração já acelera! Só de imaginar a cria longe tendo que se virar sozinha, as pernas já ...

Última atualização

Só de ler este título e pensar nesta possibilidade, meu coração já acelera! Só de imaginar a cria longe tendo que se virar sozinha, as pernas já bambeiam! Só de “pressentir” os possíveis perigos, falta o ar! Só! Só nada, isto é muita coisa para a cabeça e o coração de uma mãe e de um pai. Minha sorte? Ainda vai demorar um pouquinho para viver esta situação por aqui e até lá, acho que consigo me preparar. Ou não!

Já na casa da Samira Ventorim de Azevedo e do Alessandro Pessanha de Azevedo, a hora de ver a cria bater asas e voar acaba de chegar. O filho Lucas, de 12 anos, está prestes a realizar sua primeira viagem sem a companhia dos pais. Daqui uns meses a escola vai levar a turma toda (de avião) para uns dias super divertidos em um hotel em São Paulo. Divertidos, para quem? Pois é esta indagação que ronda a cabeça do casal que já está sofrendo por antecipação com a possibilidade e não sabe que decisão tomar.

Samira me contou sobre tudo o que ela tem pensado deste que soube da viagem. “Racionalmente acredito que será uma excelente oportunidade, mas preciso trabalhar isso dentro de mim. Ainda não estou confortável em deixar. O pai é puro sentimento! Ele fala que deixa, mas sei que na hora H… Ele é total super protetor e eu também sou, confesso”.

“Vivemos um paradoxo, misto de sentimentos! Ao mesmo tempo que sabemos da importância disso para nosso filho, queremos protegê-lo de tudo! Hoje me policio muito, para que nas diversas situações do dia a dia, eu o deixe se posicionar, resolver, escolher, se virar. Mas ainda me pego fazendo isso tudo. Nasce uma mãe, nasce uma culpa”, conclui.

Ela ainda me contou que o Lucas não dorme fora de casa sem eles (a não ser com as avós). “Ele nunca dormiu na casa de um amiguinho, nunca quis! Seria uma ótima oportunidade, tenho certeza”.

Samira exemplifica a situação que está vivendo, com uma passagem do filme ‘Procurando Nemo’. “Tem uma frase que eu adoro! Quando o pai do Nemo, que faz de tudo para proteger o filho, diz que não quer que nada aconteça com ele, a Dolly fala o seguinte: ‘Que estranho! Se você não quer que nada aconteça com ele, nada irá acontecer, nem as coisas boas’. Essa fala me marca muito, porque no ímpeto de proteger, nós acabamos tirando oportunidade de crescimento e aprendizado dos nossos filhos! E no filme, o Nemo se vira totalmente, passa por situações difíceis, perigosas, mas volta para casa”.

E realmente o filme traz uma importante reflexão para nós pais. Como mãe, sei que precisamos ponderar com cuidado as questões relacionadas aos nossos filhos, avaliar as circunstâncias sempre, mas acima de tudo, enfrentar nossos medos é imprescindível. Se não for pela gente, que seja por eles. A super proteção pode ser muito perigosa lá na frente, pois quando realmente quisermos que o filho se “vire”, ele poderá encontrar muita dificuldade e isso acarretará em outros problemas. E “infelizmente” o estilo de criação que demos vai influenciar e, claro, vamos nos culpar por isso. Olha a danada da culpa aí de novo, sempre presente! Realmente não é fácil! Quem disse que seria? Criar filhos é tarefa exigente e complexa. Requer habilidade, jogo de cintura, doação e muita resiliência.

Mas, enquanto este tipo de situação não pinta por aqui, sigo com as minhas. E desejo de verdade que a família do Lucas tome a melhor decisão para todos! Acima de tudo, precisa ser boa pra vocês, respeitando o que acreditam e praticam dentro de casa! Vai dar certo! Até a próxima!

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