Com certeza você já ouviu esta frase, principalmente durante a gestação. Mas e o pai, nasce quando? Será que todos nascem? É opcional? Estas foram algumas questões discutidas durante uma palestra que dei recentemente em uma Feira voltada para bebês e gestantes, com o título acima. O tema foi um dos mais pedidos na pesquisa que fiz nas mídias sociais, antes de escolher sobre o que falar. Após definir, fiz a pergunta do título em um grupo de mães que participo e salvo alguns casos, a maioria esmagadora foi de depoimentos tristes, como estes a seguir:

“O pai nasce quando quer, as vezes não nasce nunca…”;
“Depois de nove meses de gestação e dois anos e oito meses de vida, o pai não nasceu e creio que não vá…”;
“Minha filha vai fazer seis anos e o pai ainda não nasceu.”;
“O meu largou mão antes de nascer. Quando a bebê tinha um ano, decidiu que não queria mais e foi embora”;
“O pai nasce quando quer e se quiser e mesmo não querendo, querem que eu ensine meu filho a querer esse pai que nunca o quis”.
E esta triste realidade não é só virtual. Não me canso de ouvir amigas ou conhecidas dizerem que não terão outro filho, porque tudo arrebenta nas costas delas. Queixas como, “fui eu que parei minha vida” ou “eu vivo cansada e sem tempo pra nada” são corriqueiras em bate papos de mães. E ainda, “chegamos os dois do trabalho cansados. Ele vai para o sofá ver televisão e eu vou cuidar da criança. E se acorda a noite, sou eu quem levanto, assim como quando está doente quem cuida sou eu”. Isto é triste, é injusto. E essa ainda é uma realidade na maioria das famílias modernas. Eu sei que todos nós estamos aprendendo a exercer nossos novos papeis. Mas acho que os papais poderiam intensificar este processo, que tal?
O mundo mudou. Ainda não percebeu? Antigamente a mulher não trabalhava fora, ela cuidava da casa e dos filhos. Hoje não, ela está no mercado de trabalho e quando o casal decide aumentar a família, é importante saber que os dois terão que fazer concessões, pois a vida dos dois vai mudar. Isso deveria ser óbvio, mas ainda não é. Já pensou se a mãe também decide não cuidar, alegar que está cansada ou que não sabe o que fazer? No mínimo será massacrada por todos, afinal, não temos esse direito né? Assunto para outro dia.
Mas voltando ao de hoje, é claro que cada família tem sua realidade, logística e organização, e isso inclui a divisão de tarefas em casa, quem trabalha fora etc. E o que é bom ou serve pra mim, pode não ser para você. Mas a questão aqui é mais profunda, vai além. O homem precisa entender seu papel fundamental nessa relação que se constrói diariamente com a chegada de um filho, nessa família que se inicia. Vamos a exemplos práticos. A criança está com fome, dê comida. Está suja, dê banho. Não precisa pedir permissão ou perguntar se precisa. É importante conseguir enxergar tais necessidades e agir. Isso é fazer parte da rotina do filho.
Não adianta falar que vai dar banho e ficar gritando a mãe pra pegar a toalha, a fralda, perguntar que roupa colocar. Pai, você não é um estranho, mora nesta casa, faz parte desta família ou pelo menos deveria. Portanto, faça por onde!

E foi exatamente sobre esta paternidade que falei na palestra. Sobre a importância do pai entender seu papel, assumir as suas responsabilidades e funções na criação e educação dos filhos e não esperar a mãe pedir ajuda (socorro) ou a casa cair para se mover. O pai que queremos é protagonista, proativo. Entende desde sempre que a mãe gera, dá a luz e amamenta, únicas funções exclusivas a ela (óbvio que com a parceria dele), todo o restante ele pode e deve fazer e desempenhar junto.
Sonho e luto com o dia em que todos os pais entendam e pratiquem a real paternidade, sem precisar de tapinha nas costas ou congratulações pelo o que fazem por seus filhos e por eles próprios. Fazem porque amam, porque se realizam, porque acham importante, porque precisa ser feito, assim como nós mães fazemos. Meu respeito e admiração a todos esses parceiros de vida. Eu tenho um e que eles se multipliquem por aí! Até a próxima!
