Poderia dizer que sou sortuda, mas acredito em algo ainda maior, sou mesmo é abençoada. Não precisei tentar, tentar e tentar para engravidar dos meus dois filhos. Eles vieram assim, no susto mesmo, um de cada vez. E é sobre a entrada nesse mundo da maternidade que vamos conversar a partir de agora.
Como já disse, não planejei meus filhos (leia-se, não parei o remédio, até porque não tomava, fiz exames, comecei a tentar e tudo mais que um casal geralmente faz quando decide engravidar). Eu não os planejei, mas desejei e não tenho dúvida que eles foram planejados por Deus especialmente pra mim. “A melhor coisa que uma mãe pode fazer é reconhecer que somente Deus sabe como ser Deus”, diz Lisa Terkeurst, escritora americana. É assim que penso também e esse sentimento se fortaleceu com a maternidade.

Cheia de trabalho, resolvi esperar o fim de semana pra fazer o teste de farmácia, já que minha menstruação ainda não estava atrasada, mas eu sentia que estava grávida. Porém, não aguentei e comprei. Nele falava que era melhor colher a primeira urina da manhã e só posso dizer que essa noite foi longa.
Acordei, fiz meu xixi, coloquei o papelzinho e em segundos, dois tracinhos vermelhos piscaram para mim. É, naquele momento o maior sonho da minha vida parecia que ia se realizar, então foi um misto de felicidade e muito, muito medo. Medo do que estava por vir, já que não seria tudo planejadinho como a metódica aqui sempre gostou. Mas acho que a reação foi normal, temos medo do desconhecido. E uma coisa é certa, não tinha medo de ser mãe, nunca tive, meus medos eram outros, assunto para outro dia.
Voltando ao resultado, meu marido ficou em choque, paralisado na porta do banheiro. Agora morro de rir, mas foi tenso na hora. Só me perguntou se tinha certeza, se podia dar errado e falei: “não sei”. Mas assim que ele saiu para trabalhar liguei para minha mãe para contar e perguntar o que fazer?
Eu queria sair correndo e fazer logo um exame de sangue. Minha mãe disse para eu ficar calma, que ia tentar marcar nossa médica. Nada daquilo me convenceu, tudo que eu não ia conseguir era esperar. Quem não ficaria ansiosa?
Liguei para uma amiga e fomos para o laboratório, onde mamãe já nos esperava. Sangue tirado, só restava aguardar o resultado. Depois da longa noite, uma tarde mais longa ainda.
O dia estava acabando e eu com medo de confirmar o que meu coração já dizia. Mas liguei e do outro lado, aquela voz disse, “deu positivo”, como quem fala, ‘bom dia’! Queria rir, gritar, comemorar, chorar, contar pra todo mundo. Mas não fiz nada disso. Estava trabalhando e muito atarefada, apenas respirei e continuei. Até porque, queria que o primeiro a saber fosse o pai da criança.
Só depois das 22h encontrei meu marido e dei a notícia. Daqui pra frente, tem nove meses de histórias, aventuras, descobertas, medos, angústias e tudo mais que uma mãe passa até chegar o tão sonhado dia do nascimento. E, a partir dele…
O início da minha história foi há mais de sete anos. Nesse tempo já tem a chegada do meu segundo, o Henrique. Tenho certeza que temos muito para dividir e que esse papo vai render. E como foi (ou está sendo) por aí? Que tal me contar?

