
Este ano, mais uma vez eu estive presente em uma ação promovida pela Polícia Rodoviária Federal do Estado do Espírito Santo, em parceria com o 38º Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro, em prol da Associação Capixaba de Combate ao Câncer Infantil (Acacci), que é uma ONG que dá condições dignas de assistência e tratamento a pacientes.
Foi uma tarde de muita alegria e emoção, com direito à apresentação da banda do Exército, show de mágica, brincadeiras, sorteio, lanche delícia e muito mais. Por instantes, a sensação que tive é que aquelas crianças que ali estavam eram iguais a todas as outras, sem motivos para se preocupar. Brincavam, sorriam, cantavam e dançavam do mesmo jeitinho que as suas fazem e as minhas também. Mas, apesar destes momentos deliciosos e necessários, elas travam uma verdadeira batalha diária contra uma doença triste e cruel, capaz de arrancar seus sorrisos inocentes e espontâneos e que hoje é a principal causa de morte por doença na faixa etária entre cinco e 19 anos de idade.
Eu confesso que me emocionei a cada momento. É sempre assim, todo ano! Olho para as crianças e suas famílias e não consigo deixar de chorar. Fico me imaginando vivendo aquela situação e pensando como deve ser difícil. Claro que o máximo que eu posso é tentar me colocar no lugar do outro, mas jamais sentirei sua real dor. E nessa hora, só me resta pedir a Deus que faça o melhor por todos que estão nesta luta e também agradecer pela vida e saúde dos meus filhos.

Conversei com a mãe do pequeno, Jucilene Alvarenga B. Rodrigues, que me contou emocionada que recebeu o diagnóstico de Leucemia Linfoide Aguda do filho quando ele estava prestes a completar cinco anos, exatamente no dia que fez três anos que o pai dele faleceu de câncer.
Ela lembra que o primeiro sintoma percebido foi uma febre alta sem explicação. Os médicos passaram antibiótico, alegando ser uma infecção da garganta, mas que não resolveu. Cerca de um mês depois começaram as dores nas articulações. Primeiro em um dedo da mão, depois no ombro e no terceiro dia no pé, já o impossibilitando de andar. Tudo muito rápido!
Após 20 dias de internação, o temido diagnóstico foi confirmado. “Eu fiquei sem chão na hora, todos na sala choraram e pensei ‘de novo não, por conta do pai dele’. Achamos que ele não aguentaria, sentia muita dor, tomou morfina e seguiu internado por 30 dias. Após a alta, começaram as sessões de quimioterapia, foram oito no total. E a cada uma ele precisava ficar internado novamente por conta das reações”, desabafou.

Após muita luta, ele saiu do coma e foi para o quarto, precisando ficar mais 30 dias internado devido à gravidade do caso. Neste momento ele não sentava e nem falava mais, mas aos pouquinhos foi se recuperando graças a fé e ao amor de sua mãe e ao tratamento e cuidados da maravilhosa equipe do Hospital Infantil de Vitória que, apesar das dificuldades, salva muitas vidas todos os dias.
A mãe lembra com carinho e gratidão de todos que estiveram juntos nesta luta e se emociona ao falar da Dra. Milena Gottardi, pediatra e oncologista amada e respeitada, e que não está mais entre nós. “Ela se foi para nossa tristeza e o meu filho está salvo, cheio de saúde e alegria e sei que de onde ela estiver, vai continuar olhando por todos os seus pacientes”.
Abner hoje está curado, segue apenas o acompanhamento (a cada três meses) e que vai durar cinco anos, como determina o protocolo. Os médicos são unânimes em dizer que com o diagnóstico precoce, a criança tem 80% de chance de cura, por isso é tão importante sabermos identificar os principais sintomas do câncer infantojuvenil, que são:

– manchas roxas e sangramento pelo corpo, sem machucados;
– vômitos acompanhados de dor de cabeça, diminuição da visão ou perda de equilíbrio;
– caroços em qualquer parte do corpo, principalmente na barriga;
– palidez inexplicada;
– febre prolongada, sem causa identificada;
– dores nos ossos e nas juntas, com ou sem inchaços;
– reflexo nos olhos;
– crescimento do olho, podendo estar acompanhado de mancha roxa no local.
Fica aqui o meu alerta e o meu pedido. Vamos juntos ajudar a divulgar essas informações? Quanto mais gente souber, mais chances nossos pequenos terão. E podemos ainda contribuir de alguma forma com instituições voltadas para eles, como a Acacci por exemplo.
Olha uma das maneiras que eu encontrei de ajudar aí na foto! Só posso dizer que faz um bem danado para o coração. Até a próxima!