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Jeito de Mãe

Um filho especial para uma mãe especial

Na coluna desta semana vou relembrar uma história que contei há um ano, o nascimento do baby José, filho da Thanandra Torres. Apressado, ele chegou ...

Última atualização

Na coluna desta semana vou relembrar uma história que contei há um ano, o nascimento do baby José, filho da Thanandra Torres. Apressado, ele chegou com apenas 30 semanas e pegou todo mundo de surpresa! A gravidez era saudável, sem complicações, por isso não era esperado um parto prematuro. Mas José quis assim, escolheu seu dia e maneira de nascer e apertou a tecla “com emoção” várias vezes.

Realmente foi de emocionar, não só a mim, mas a todos que a acompanham pelas mídias sociais. E atendendo aos pedidos de muitas seguidoras, hoje essa mamãe muito admirada entra oficialmente para o time das #mãesqueadmiramos aqui do Blog.

O parto foi de filme, de novela! Ela estava de repouso devido a um pequeno sangramento que tinha tido, nada preocupante. Tinha sido examinada por sua médica, que orientou que desacelerasse, mas que estava tudo bem. Dois dias depois, 7 de março, ela acordou com um sangramento diferente, mais contínuo e insistente. Sua médica preferiu examiná-la e constatou que o colo do útero estava alterado, um pouco mais fino. Indicou repouso, hormônio para conter o sangramento, uma injeção para amadurecer os pulmões do bebê e um ultrassom. Ela não conseguiu fazer nada no dia, marcando tudo para o próximo.

Thanandra me contou que foi um dia bem atípico, estava mais introspectiva, tristinha, e ficou quieta em casa deitada, sentindo uma leve dorzinha. Foi dormir normalmente e quando foi 2h30 da manhã, acordou no susto com um jato escorrendo entre as pernas. Achou que era a bolsa, mas após pesquisar no Google, entendeu que não era, mas resolveu ligar para a médica. Após contar a situação, foi orientada a tomar um remédio para dor, já que nesse momento sentia uma cólica mais forte, e que tentasse dormir.

Claro que não conseguiu, cochilava e acordava. Lá pelas 4h da manhã, sentiu vontade fazer cocô e achou muito estranho aquilo, pois nunca tinha acontecido algo do tipo, no meio da madrugada. Nesse momento, ela lembrou que já tinha lido mães relatando essa situação quando estavam em trabalho de parto e um alerta acendeu. A partir desse momento, o vaso era o local mais confortável para ela, que lá ficou e até dormiu sentada. Quem já passou por um TP, provavelmente vai se visualizar nesta cena.

Por volta das 5h da manhã, o marido acordou e viu que ela estava no banheiro e pediu para que viesse dormir na cama. Foi então que ela passou mal, vomitou, teve calafrios e os lábios tremiam sem parar e eles avisaram a médica por mensagem. Detalhe importante, por enquanto só a tal dorzinha de cólica, contínua, mas leve, tanto que quando a médica ligou para ela, às 6h05, e pediu que classificasse a intensidade da dor que estava sentindo, de zero a 10, chutem a resposta? Pasmem, ela falou 3 ou 4, ou seja, suportável.

Porém, quando relatou que estava sentada no vaso, porque era o único local que se sentia confortável, ouviu a seguinte frase: “saia daí agora, volta para sua cama que eu estou indo te ver”. Assustada, óbvio, ela obedeceu. Foi então que a bolsa estourou e pela primeira vez ela pensou: “meu filho vai nascer!”. Ela então voltou para o vaso e ligou para a médica, que já estava no elevador do seu prédio, cerca de 15 minutos após se falarem pela primeira vez.

Quando a Dra. Maria Angélica Belonia, obstetra da Thanandra, entrou no seu quarto, a primeira coisa que ela fez foi tirá-la do vaso e deitá-la na cama para examiná-la. Segundos depois, olhou para os dois e disse: “o filho de vocês está nascendo, vistam qualquer roupa e vamos para o hospital”. Ela estava com dilatação total, parindo!

Partiram para o hospital. Hollywood perderia para tanta ação! O pai dirigindo tipo motorista de ambulância, enquanto a médica, segurava a mão da mamãe e ligava para o hospital para avisar que estava chegando com uma paciente dando a luz e que ia precisar entrar direto para a sala de parto, que precisaria das pediatras no local, pois se tratava de um prematuro e todo o resto necessário. Quando eles chegaram, já tinha uma cadeira de rodas esperando na porta. Não, não dava para andar, qualquer esforço e o bebê nasceria ali mesmo, na recepção.

Enquanto o pai dava entrada na internação, elas já seguiram para a sala de parto. A médica ouviu os batimentos do bebê e estava tudo certo e já a levou para sentar no “banquinho”, muito utilizado nos partos normais humanizados. Nessa altura do campeonato, o trabalho de parto já estava na fase ativa, com os famosos puxos, a vontade de empurrar e fazer força para o bebê sair.

Foi o que ela fez, força assim que veio a quarta contração, pelas suas contas. Ela me disse que não sabia direito o que estava fazendo, pois ainda não tinha conversado sobre parto e nem se preparado para o momento. A médica então explicou o que ela teria que fazer assim que viesse a próxima. Nesse curto intervalo, mandaram chamar o pai, que ainda não estava na sala. Se demorasse, não veria o filho nascer.

Neste instante fizeram uma oração, pediram bênçãos para o pequeno que logo chegaria e a médica colocou a mão da Thanandra na cabecinha do bebê, que já estava coroando. E logo veio a quinta e última contratação, ela fez a primeira força “correta” e ploc, o José escorregou e nasceu. Exatamente assim!

Se ela só tivesse me contado, talvez eu não teria acreditado que foi tão rápido e intenso, mas eu vi o vídeo do parto e foi assim mesmo. Momento lindo e emocionante demais, impossível conter as lágrimas. E para alegria de todos, ele nasceu forte, ativo, chorando, no melhor dos cenários previstos para um bebê tão novo. Foi possível o papai cortar o cordão umbilical e a mamãe sentir um pouquinho do filho tão esperado.

Muito emocionada ela só conseguiu dizer: “Desculpa, desculpa, desculpa” ainda sem entender direito o que estava acontecendo e, claro, se sentindo culpada pelo parto prematuro. Mas como Deus é perfeito sempre, em tudo o que faz, tratou logo de mostrar que ela não tinha culpa, nada de diferente poderia ter sido feito para retardar a chegada do bebê, já que não havia indícios, nem suspeitas de qualquer problema.

Em nossas várias conversas, trocas de áudios e mensagens durante dias, noites e madrugadas, ela me contou que apesar do sofrimento, nunca se questionou por que com ela? Disse que escolheu a seguinte frase para definir sua vida naquele momento: “ela hoje só quer agradecer, não porque tudo foi perfeito, mas sim porque foi do jeito que tinha que ser” e seguiu.

Claro que a vida de uma mãe de UTIN não é fácil, mas essa menina que virou mulher demonstrou tanta força, coragem e confiança, que só realmente quem tem muita fé e pratica a resiliência de verdade, vai conseguir entender. Talvez por isso, algumas pessoas a julgaram por “manter uma vida normal” ou pelo menos tentar.

Realmente, encarar os percalços e obstáculos do nosso caminho com sabedoria, leveza e gratidão não é para qualquer um. Falar que faz é fácil, mas agir desta maneira é muito difícil. E é por isso e por tantos outros motivos que a Thanandra é tão especial e o José um cara de muita sorte. Papai do céu não a escolheu por acaso, sabia que ela daria conta desta missão. E mesmo que ela não tivesse respostas para todas as suas perguntas, ela preferiu aceitar, confiar e entregar tudo nas mãos de Deus.

Muito sábia, entendeu logo de cara que os planos Dele podem ser diferentes dos nossos. E se por acaso saírem conforme planejamos, na verdade é a pura coincidência divina. E quer saber, em qualquer situação da vida, principalmente nas dificuldades da maternidade, manter a mente sã é fundamental para tudo fluir melhor. Nosso pensamento e palavras têm muito poder, acredite!

Mas apesar da força, coragem e resiliência foram 45 dias de muito sofrimento! Como não sofrer sabendo que seu filho só respira com a ajuda de aparelhos, se alimenta através de uma sonda e está longe de você? Como essa distância deve doer! Não consigo imaginar o quanto, pois algumas coisas, só passando para mensurar.

Ela me contou que o dia mais triste da sua vida foi quando teve alta do hospital e deixou para trás um pedaço dela lá. A dor foi emocional e física também, a sensação de realmente arrancarem uma parte sua. Além desse dia difícil, ela aponta que lidar com a instabilidade do quadro do filho foi angustiante e sofrido, pois ele podia estar bem em um dia e no outro sofrer alguma intercorrência e regredir. Inclusive isso aconteceu.

Desde que nasceu, dia 8 de março de 2017, José evoluía bem e estava começando a aprender respirar sozinho. Ela tinha esperança de que em menos de um mês ele pudesse ir para casa. Porém, numa noite, ele apresentou sangue nas fezes e surgiu a suspeita de alergia à proteína do leite de vaca (APLV). No mesmo dia, ele também começou a ter apneia, ficar sem respirar por um tempo, e começaram a desconfiar de alguma infecção.

Foi mais um momento difícil, pois ele precisou passar por muitos exames e o risco eminente de voltar a ser entubado era assustador, mas graças a Deus não precisou e a infecção foi descartada. Mas infelizmente teve uma regressão em todo o quadro geral, tendo que recomeçar as etapas, consequentemente atrasando sua alta.

Na maioria das vezes que um bebê de UTIN sofre alguma intercorrência, o processo precisa ser recomeçado do zero. É uma montanha russa e para ser liberado é necessário a estabilidade e atender alguns fatores, entre eles: pesar mais de 2kg, respirar sozinho sem nenhum desconforto e saber mamar.

E no dia 20 de abril de 2017, o José cumpriu todos estes quesitos com louvor e enfim veio conhecer o mundo aqui fora. Saiu gorducho, com fôlego de nadador e mamando feito um bezerro! E a mamãe e a família? Todos radiantes, emocionados e agradecidos pela benção tão esperada!

Tem um ano que contei essa história linda e mais uma vez agradeço a Thanandra por ter dividido tudo isso com a gente e desejar mais e mais saúde para esse guerreiro especial, que hoje conquista todos nós a cada refeição. Pensa numa criança que come tudo e mais um pouco? Este é o José! Até a próxima!

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