Hoje trago para vocês mais uma palavra que talvez muitos desconheçam, mas que podem estar usando ou até mesmo sofrendo de forma “inofensiva”. Porém, no fundo, essas atitudes ferem o nosso íntimo como uma lâmina.
Sem saber que este era o nome, eu já vivia este conceito cotidianamente. Essa palavra significa para as pessoas com deficiência o mesmo que o racismo para os negros, e o machismo para nós, mulheres.
Mais detalhadamente, o capacitismo é a discriminação e o preconceito social contra pessoas com alguma deficiência. Em sociedades capacitistas, a ausência de qualquer deficiência é vista como o normal, e pessoas com alguma deficiência são entendidas como exceções. A deficiência é vista como algo a ser superado ou corrigido, se possível por intervenção médica. Isso é o fim! E para muitos, é o fim messmooo. Cuidado com este pensamento.
Vontade de uma rasteira!
Um exemplo de postura capacitista e que mais tento combater é: dirigir-se ao acompanhante de uma pessoa com deficiência em vez de dirigir-se diretamente à própria pessoa. É o caos quando isso acontece!
Nossaaa! Você faz tudo sozinha? Até trabalha? Que linda…!
Há sempre uma boa dose de paternalismo, que tolera que os elementos dominantes de uma sociedade expressem profunda e sincera simpatia pelas pessoas com deficiência, enquanto, ao mesmo tempo, sustente-os num acondicionamento de subordinação social e econômica.
Tecnicamente
O termo é tradução da forma nascida em países de língua inglesa, ableism. É um neologismo que sugere um afastamento da capacidade, da aptidão, pela deficiência. A tradução para o português, segundo Anahi Guedes Mello, deve seguir o espanhol e o português de Portugal orientar-se para o capacitismo.
Na real mesmo
O capacitismo é entendido como a concepção presente no social que tende a pensar as pessoas com deficiência como não iguais, menos humanas, menos aptas ou não capazes para gerir a próprias vidas, sem autonomia, dependentes, desamparadas, assexuadas, condenadas a uma vida eternamente economicamente dependentes, não aceitáveis em suas imagens sociais, menos humanas.
Não é mole não!
A cultura do capacitismo, muitas vezes, é tão potente que consegue fazer com que as próprias pessoas com deficiência duvidem de si mesmas, além de reproduzirem muitos desses preconceitos antes de terem noção ou esclarecimento da opressão a que estão submetidas.
O capacitismo é tão violento e, por vezes, invisível, que nos tacham como super-heróis e quase sempre nos parabenizam como “exemplos de superação” por vencermos barreiras criadas pela mesma sociedade que nos discrimina e nos classifica como desiguais. Aff!
O capacitismo e a mídia
Não vou entrar em detalhes, mas prometo voltar com o tema. Um campo também recheado dessa cultura capacitista é o meio midiático. É certo que há muito desconhecimento no que diz respeito à deficiência, então, não é surpresa que as produções jornalísticas mergulhem de cabeça e nadem de braçadas no mar do preconceito.
Por isso, os debates sobre diversidade e acessibilidade devem estar presentes na formação universitária e em todos os espaços da sociedade, claro. Isso facilitaria muito as nossas vidas, afinal, as deficiências, que são características de uma pessoa, são parte de um universo diverso e devem ser conhecidas em suas realidades. E acima de tudo, respeitadas por todos. Mude o seu olhar.
Mariana Reis é consultora em acessibilidade e educadora física